Trabalhadores enfrentam indecisão profissional e buscam alternativas

Pessoas trabalhando, escritório, empresários - PeopleImages/ istockphoto.com Foto: Pessoas trabalhando, escritório, empresários - PeopleImages/ istockphoto.com

Profissionais em cargos de comando enfrentam incertezas sobre o futuro no mercado de trabalho tanto quanto suas equipes. A 9ª edição da pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, conduzida pela The School of Life Brasil em parceria com a consultoria Robert Half, revelou que 51% dos líderes e 62% dos liderados têm dúvidas ou enfrentam dificuldades para definir seus rumos profissionais.

O levantamento mostra que apenas 49% dos gestores e 38% dos profissionais liderados declaram ter clareza total a respeito do que realmente desejam construir em suas trajetórias. A escassez de metas conscientes faz com que trabalhadores passem a atuar por mera conveniência imediata, aceitando posições funcionais apenas pelo acesso rápido, sem alinhamento com vocação ou projetos estruturados de longo prazo.

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Como a falta de clareza profissional afeta o ambiente corporativo?

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Foto: trabalhadores – FOTOGRIN/Shutterstock.com

A pesquisa detalha que metade dos gestores entrevistados (50%) e 57% dos liderados afirmam oscilar entre ter razoável clareza e enfrentar um pouco de dificuldade ao refletir sobre o futuro de suas funções. No grupo mais distante de um planejamento formal, 1% das lideranças e 5% dos subordinados declararam que acham muito difícil responder sobre o assunto ou simplesmente não costumam pensar a respeito dos próximos passos funcionais no dia a dia corporativo.

De acordo com a doutora em psicologia e mentora de carreiras Giselle Welter, diretora de tecnologia da RH99, a ausência de rumo decorre da acomodação circunstancial nas contratações. Segundo Welter, “muitas escolhas são feitas ou por conveniência ou é a oportunidade que o braço alcança naquele momento”. A especialista explica que iniciar uma trajetória por uma oportunidade acessível é comum e compreensível, mas a permanência prolongada sem um horizonte determinado costuma gerar desmotivação e sensação de estagnação.

A docente da área corporativa da The School of Life e ex-executiva corporativa Emilia Veloso avalia que o conflito vocacional muitas vezes tem raízes na juventude, momento em que as expectativas externas se sobrepõem às preferências individuais do estudante. Veloso teve passagens executivas de três décadas por companhias como a BRF, Disney, Amazon e Ri Happy antes de ingressar na docência acadêmica.

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“Nos perguntam o que queremos fazer quando crescermos, como se pudéssemos escolher um caminho só. Quando chega a hora de decidir, a deliberação é influenciada por familiares, colegas, professores. O que eles acham que é uma carreira boa. Não somos estimulados a pensar sobre quem eu quero ser, o que faz sentido pra mim”, afirmou Veloso ao analisar o comportamento histórico dos trabalhadores brasileiros diante das pressões sociais de sucesso.

Números consolidados da 9ª edição do levantamento corporativo

  • Amostra total: 774 profissionais de nível superior com 25 anos ou mais, divididos igualmente em 387 líderes e 387 liderados
  • Gestores com clareza plena: 49% responderam saber bem o que desejam para a própria trajetória profissional
  • Liderados com rumo definido: 38% afirmaram ter total certeza quanto às suas metas no mercado de trabalho
  • Zona de oscilação: 50% dos líderes e 57% dos subordinados transitam entre ter razoável clareza e sentir dificuldade de planejamento
  • Dificuldade severa ou desinteresse: 1% dos gestores e 5% dos liderados relatam não pensar sobre o tema ou achar muito difícil planejar
  • Período de coleta de dados: julho de 2026, com participantes de todo o território nacional

Histórico do monitoramento de saúde mental desde 2021

A pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho teve a sua primeira versão apresentada no ano de 2021 por iniciativa da The School of Life e da consultoria de recrutamento executivo Robert Half. Ao longo das apurações dos anos anteriores, o indicador já alertava para descompassos na satisfação laboral, registrando índices médios de infelicidade de cerca de 28% entre gestores e de 26% entre membros de equipes subordinadas nas empresas monitoradas.

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Especialistas em longevidade que acompanham a evolução dos dados ressaltam que o aumento contínuo da expectativa de vida das populações produtivas altera os ciclos tradicionais de carreira. As projeções atuais indicam que trabalhadores contemporâneos têm condições demográficas e temporais para desenvolver até três carreiras distintas e completas ao longo da vida adulta, o que reduz a necessidade de permanência compulsória em ocupações que gerem frustração constante ou desequilíbrio na saúde emocional.

O relatório consolidado da nona edição não apresenta a divisão percentual isolada entre os participantes que possuem razoável clareza e aqueles que enfrentam um pouco de dificuldade, pois os pesquisadores agruparam as duas classificações no mesmo bloco de indicadores.

Orientações de especialistas para transição segura de carreira

Para contornar o mal-estar gerado pela indefinição funcional, as especialistas apontam que o primeiro passo consiste em diagnosticar com precisão a origem do estresse, que pode estar associado à falta de autonomia, choque de valores com a liderança ou tarefas puramente operacionais. Sintomas físicos como dores de cabeça frequentes, sonolência diurna e sudorese nas mãos funcionam como indicativos de sobrecarga e desgaste na rotina.

“Um dos maiores erros é a gente não prestar atenção no nosso incômodo e o que ele realmente significa”, destacou Emilia Veloso, ao enfatizar que promoções de cargo ou bonificações financeiras costumam gerar alívio momentâneo, mas não solucionam a falta estrutural de propósito caso o profissional continue em desacordo com as próprias habilidades.

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Em processos de mudança funcional, Giselle Welter recomenda cautela e planejamento com duração estimada entre 1 e 2 anos. O período deve ser utilizado para qualificação técnica, formação de reservas financeiras e expansão de contatos profissionais, evitando rupturas abruptas de contratos antes da consolidação de um novo destino no mercado de trabalho.

Prazos para programas de estágio e contratações em aberto

Profissionais que buscam novas oportunidades de trabalho ou recolocação devem observar os prazos de inscrição de processos seletivos corporativos abertos no país:

  • iFood: encerra nesta terça-feira (13) de outubro de 2026 as inscrições do Programa Eleva PcD, voltado à contratação CLT em modelo híbrido e remoto para analistas seniores de negócios e desenvolvedores de software com experiência mínima de 4 anos
  • Aché Laboratórios: recebe até terça-feira, 3 de novembro de 2026, candidaturas para o Programa de Estágio corporativo e industrial para estudantes de nível superior com previsão de formatura entre fevereiro de 2028 e fevereiro de 2029
  • Agibank: encerra inscrições em sexta-feira, 6 de novembro de 2026, para o seu programa de estágio de 2027, ofertando 30 vagas nas divisões administrativa, mercado financeiro, dados e tecnologia

O vice-presidente de Pessoas do iFood, Raphael Bozza, acompanha o encerramento do processo seletivo da empresa voltado à inclusão de pessoas com deficiência nesta terça-feira (13), marcando o fechamento das vagas especializadas da companhia.

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