Arthur Lira descarta disputar a presidência do Senado em 2027

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Arthur Lira Foto: Arthur Lira - Foto: Instagram

O deputado federal e senador eleito por Alagoas, Arthur César Pereira de Lira, conhecido como Arthur Lira (PP-AL), descartou nesta quarta-feira (14), em Brasília, qualquer movimento para disputar a presidência do Senado Federal em 2027. Ao negar a candidatura ao comando da Casa na próxima legislatura, o parlamentar também evitou declarar voto para a sucessão da Mesa Diretora.

Questionado se pretendia se colocar como candidato à presidência do Senado no ano que vem, o ex-presidente da Câmara dos Deputados deu uma resposta curta e direta. “Não, isso é pura especulação”, afirmou Arthur Lira.

Essa foi a segunda manifestação pública do parlamentar sobre o tema desde a votação. Em 5 de outubro de 2026, um dia após ser eleito para o Senado, Lira já havia declarado que uma candidatura imediata ao comando da Casa “não passa na minha cabeça”.

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Arthur Lira evita compromisso com Davi Alcolumbre na disputa de 2027

O tom da conversa mudou quando o assunto passou a ser a sucessão no comando do Senado e a articulação do atual presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para permanecer no cargo em 2027. Perguntado se apoiaria o senador amapaense na disputa, Lira preferiu não se comprometer. Ele declarou que estava apenas de passagem para participar de uma reunião com colegas e que, por ora, não havia nada a comentar.

Ao evitar sinalizar voto para Alcolumbre, o senador eleito por Alagoas mantém em aberto sua posição em uma das disputas mais estratégicas de 2027, sem fechar portas nem antecipar alianças. Até o momento, ainda não está confirmado qual candidato Arthur Lira apoiará efetivamente na eleição da Mesa Diretora, uma vez que ele desconversou sobre a definição.

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Embora descarte figurar como candidato na cédula de votação em 2027, a expectativa entre aliados é que Arthur Lira atue de forma ativa nos bastidores durante as negociações para a escolha do novo comando do Senado. O parlamentar alagoano chega à nova Casa após presidir a Câmara dos Deputados por dois mandatos consecutivos, entre 2021 e o início de 2025, período em que consolidou influência à frente do Centrão — bloco informal de partidos de centro e centro-direita no Congresso Nacional — e construiu trânsito político simultâneo com bancadas da direita e da esquerda.

Xadrez político entre Davi Alcolumbre e Rogério Marinho no Senado

A eleição para a presidência do Senado em 2027 já mobiliza o governo federal e a oposição em duas frentes distintas. De um lado, Davi Alcolumbre articula a permanência no comando da Casa com o apoio do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e de legendas do Centrão, além de buscar votos entre senadores da oposição. Do outro lado, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, descartou apoiar Alcolumbre e anunciou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como o candidato oficial do partido para a disputa.

O pleito do próximo ano ocorrerá após uma renovação de dois terços do plenário nas eleições gerais de 2026. Os números da nova composição do Senado e da votação que definiu as vagas de Alagoas são os seguintes:

  • 54 cadeiras renovadas nas eleições de 2026, o equivalente a dois terços do total de 81 vagas do Senado Federal;
  • 28 senadores na bancada do PL a partir de 2027, após a sigla eleger 19 nomes em 2026 e formar a maior bancada da Casa;
  • 948.703 votos recebidos por Arthur Lira (PP), total correspondente a 28,87% dos votos válidos na disputa pelo Senado em Alagoas;
  • 926.860 votos conquistados por Marina Antunes Candia e Figueiredo, a Marina JHC (PSDB), eleita para a segunda vaga alagoana com 28,20% dos votos válidos.

Votação em Alagoas encerra ciclo de 32 anos de Renan Calheiros

O resultado das urnas no primeiro turno das eleições gerais, realizado em 4 de outubro de 2026, alterou a representação política de Alagoas em Brasília. As vitórias de Arthur Lira e da ex-primeira-dama de Maceió, Marina JHC — esposa do governador de Alagoas reeleito em primeiro turno, João Henrique Caldas, o JHC — deixaram em terceiro lugar o senador Renan Calheiros (MDB), que tentava conquistar o quinto mandato consecutivo e deixará o Senado após 32 anos de atuação na Casa.

A terceira cadeira de Alagoas no Senado Federal continuará ocupada por Renan Filho (MDB), cujo mandato começou em 2023 e vai até 2031. Nas eleições de 2026, Renan Filho disputou o governo de Alagoas, mas acabou derrotado nas urnas por JHC.

Aos 57 anos, o advogado e empresário Arthur Lira chegará ao Senado pela primeira vez após três décadas de mandatos no Poder Legislativo. Antes de exercer o cargo de deputado federal a partir de 2011, ele foi vereador de Maceió entre 1993 e 1999 e deputado estadual em Alagoas de 1999 a 2011. Na chapa eleita para o Senado, Lira tem como suplentes o médico e ex-secretário de Saúde de Maceió, Luiz Romero Farias (PL), e o dirigente esportivo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Gustavo Dantas Feijó (PP).

Os 54 senadores eleitos em outubro de 2026 tomam posse em fevereiro de 2027 para mandatos de oito anos, que se estendem até 2035. A eleição que definirá o presidente do Senado Federal para o biênio seguinte ocorrerá logo no início da nova legislatura, na ocasião da posse.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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