A Secretaria-Geral da Mesa (SGM) da Câmara dos Deputados divulgou nesta quarta-feira (14) que 311 deputados federais garantiram a reeleição no pleito de 2026. O número corresponde a 60,62% das 513 cadeiras da Casa e representa a maior taxa de permanência de parlamentares desde a redemocratização do país e a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte de 1986.
Na direção oposta, o índice de renovação estrita atingiu 33,72%, o menor patamar registrado no mesmo período histórico. Esse indicador contabiliza exclusivamente os 173 parlamentares eleitos que nunca exerceram mandato de deputado federal antes. O levantamento oficial mostra ainda que 29 ex-deputados de legislaturas passadas conseguiram voltar à Câmara a partir de 2027, o equivalente a 5,65% do total de vagas.
Recálculo da Câmara dos Deputados inclui suplentes da 57ª legislatura
A atualização dos números ocorreu porque o balanço preliminar divulgado em 5 de outubro de 2026, dia seguinte ao primeiro turno das eleições gerais, havia adotado uma metodologia diferente da série histórica da instituição. Naquela primeira contagem, a Câmara registrou 301 deputados reeleitos, ou 58,6% do total, e 183 parlamentares de primeiro mandato, o correspondente a 35,67% das cadeiras, levando em conta apenas os titulares eleitos em 2022 e os suplentes efetivados de forma definitiva no cargo.
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Para adequar a estatística de 2026 ao padrão utilizado nos levantamentos das eleições anteriores, a Secretaria-Geral da Mesa refez as contas e incluiu como reeleitos todos os políticos que assumiram mandato em algum momento da 57ª legislatura, iniciada em 2023 e prevista para terminar em 2026, mesmo como suplentes temporários. Com a mudança, 10 nomes migraram da lista de novatos para a de reeleitos, dividindo o grupo de 311 parlamentares mantidos no cargo entre 296 eleitos como titulares em 2022 e 15 suplentes que exerceram o mandato temporariamente.
Comparativo com 2022 e a renovação de 74% no Senado Federal
O desempenho dos atuais congressistas nas urnas superou os índices verificados na disputa anterior e a média das últimas décadas na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2022, pelo mesmo critério da série histórica que abrange todos os empossados na legislatura, a taxa de reeleição havia ficado em 57%, com 294 deputados mantidos, enquanto a renovação alcançou 39,38%, somando 202 estreantes, além do retorno de 17 ex-parlamentares, que representaram 3% do plenário. Entre 1998 e 2022, a média histórica de reeleição na Casa era de 56% a cada pleito, ou 286 parlamentares, ficando abaixo da metade apenas em 2018, ano em que 251 deputados, equivalentes a 49% do total, renovaram o mandato e a entrada de novatos chegou a 47,37%.
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Para o cientista político, advogado e mestre em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) Valdir Pucci, o resultado das urnas reflete uma consolidação ideológica acompanhada pela manutenção dos mesmos quadros no Poder Legislativo. “A direita teve uma vitória esmagadora em todos os sentidos em comparação com os partidos progressistas. Então, além de termos uma eleição em que a população votou em peso por projeto de poder ligado à direita, também demonstrou um baixo índice de renovação”, afirmou Valdir Pucci.
Enquanto a Câmara manteve a maioria de seus integrantes, o Senado Federal registrou movimento inverso na disputa pelas 54 cadeiras abertas em 2026, equivalentes a dois terços da Casa. Os eleitores escolheram 40 novos senadores, o que gerou uma taxa de renovação de 74%, e reelegeram 14 parlamentares.
Bancada do PL de 121 deputados, cláusula de barreira e posse em 2027
Na distribuição partidária da Câmara dos Deputados para a próxima legislatura, o Partido Liberal (PL) conquistou a maior bancada ao eleger 121 deputados federais, um acréscimo de 24 cadeiras em comparação com o resultado de 2022, seguido pela federação formada por PT, PCdoB e PV. Entre os parlamentares reeleitos, Nikolas Ferreira (PL-MG) foi o deputado federal mais votado do país, com 3.119.318 votos, e Erika Hilton (PSOL-SP) tornou-se a mulher mais votada da história para a Casa, somando 1.596.472 votos.
A bancada feminina total na Câmara teve crescimento de 21,1% em relação ao pleito de 2022 e passará a contar com 109 deputadas federais, o que representa 21,2% das 513 vagas. Já na lista dos 29 ex-congressistas que retornam ao mandato após períodos fora do Legislativo estão o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), que volta após 13 anos, e o ex-líder do governo Bolsonaro Major Vitor Hugo (PL-GO).
O resultado das urnas em 4 de outubro de 2026 também definiu o alcance da cláusula de barreira, regra legal que exige desempenho mínimo de votos ou de representantes eleitos para que as siglas tenham acesso ao fundo partidário e ao tempo gratuito de rádio e televisão. Dos 20 partidos que conseguiram eleger deputados federais, sete não atingiram o patamar exigido: os partidos PDT, Avante e Missão, além das federações PSOL-Rede e PRD-Solidariedade, que juntos somam 34 deputados eleitos.
Em discurso no Plenário nesta terça-feira (13), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), cobrou compromisso dos parlamentares escolhidos nas urnas. “A democracia se traduz nas urnas, mas se fortalece diariamente no equilíbrio entre os Poderes e na capacidade de transformar o debate político em resultados concretos”, declarou Hugo Motta.
Com a composição do Congresso Nacional definida no primeiro turno, o calendário eleitoral segue em 25 de outubro de 2026 para a votação do segundo turno presidencial e de governadores em seis estados e no Distrito Federal. Os 513 deputados federais eleitos e reeleitos tomam posse em 1º de fevereiro de 2027 para o início da 58ª legislatura, que se estende até 2031.
