Carros eletrificados no Brasil superam 1 milhão de unidades vendidas com alta de 148,9% em setembro

Carros elétrico carregando

Carros elétrico carregando - 3alexd/ iStock

O mercado de carros eletrificados no Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de unidades comercializadas desde janeiro de 2012. Com os 53.126 emplacamentos registrados em setembro de 2026, o volume acumulado alcançou exatos 1.003.310 veículos leves, de acordo com o relatório da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) divulgado na quinta-feira (8).

A marca exata de 1 milhão de unidades nas ruas foi atingida em 24 de setembro de 2026 e anunciada em evento em São Paulo pelo presidente da ABVE, Ricardo Bastos. “É mais um recorde histórico e a prova definitiva de que já ingressamos numa nova etapa da evolução do mercado automotivo brasileiro”, afirmou o executivo. Segundo ele, “a eletromobilidade não é mais uma expectativa para o futuro, mas a realidade do presente”.

Desempenho dos carros eletrificados em setembro de 2026

Foto: Carro elétrico – Casezy idea/ Shutterstock.com

O volume de 53.126 unidades comercializadas em setembro de 2026 representa o terceiro maior resultado mensal da série histórica e um avanço de 148,9% na comparação com setembro de 2025, quando o país registrou 21.342 emplacamentos. Na relação com agosto de 2026, mês que detém o recorde histórico com 57.386 vendas, houve recuo de 7,4%. Ainda assim, a fatia dos eletrificados sobre o total de veículos leves comercializados no Brasil chegou a 19,8% em setembro, frente a 9,2% no mesmo mês do ano anterior e 21,8% em agosto. O mercado geral de leves somou 268.721 unidades no nono mês do ano, uma alta anual de 16,2%, ritmo nove vezes menor que o da eletrificação.

A divisão por tipo de motorização mostra que os modelos recarregáveis na tomada, chamados de plug-in, dominaram a preferência do consumidor com 42.448 unidades vendidas em setembro, o equivalente a 79,9% do segmento. Os veículos 100% elétricos, identificados pela sigla BEV (veículo elétrico a bateria), lideraram a lista com 22.246 emplacamentos, ou 41,9% do total de eletrificados. Logo atrás ficaram os híbridos plug-in (PHEV, que combinam motor a combustão e elétrico com recarga externa), com 20.202 unidades e 38% de participação.

Já os híbridos convencionais sem recarga externa (HEV e HEV Flex) somaram 10.678 carros, respondendo por 20,1% das vendas do grupo e renovando seus recordes mensais. Desse volume, os modelos híbridos flex (HEV Flex) tiveram 5.786 emplacamentos (10,9%), enquanto os movidos a gasolina ou diesel (HEV) anotaram 4.892 unidades (9,2%). Por sua vez, os micro-híbridos (MHEV), que usam sistemas elétricos auxiliares sem tração elétrica autônoma e ficam fora da conta oficial da ABVE, registraram 8.869 vendas em setembro. Quando somados ao cálculo geral, elevam o total do mês para 61.995 veículos e 23,1% do mercado de leves.

Como evoluíram os marcos de vendas da ABVE desde 2012?

O ritmo de adoção dos carros eletrificados acelerou a partir de 2024. Enquanto o Brasil levou 13 anos e sete meses para comercializar o primeiro meio milhão de unidades, entre janeiro de 2012 e julho de 2025, o segundo meio milhão foi alcançado em 14 meses, no período de agosto de 2025 a setembro de 2026. Apenas nos nove primeiros meses de 2026, o país emplacou 381.609 veículos do segmento, o que equivale a 38% de toda a série histórica.

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A soma dos emplacamentos de 2024 (177.358 unidades), 2025 (223.912 unidades) e do acumulado de janeiro a setembro de 2026 totaliza 782.879 veículos, concentrando 78% de todas as vendas desde o início da medição. No primeiro ano do levantamento da ABVE Data, em 2012, o país havia emplacado 117 unidades, passando para 1.091 em 2016 e somando 220.431 carros nos 12 primeiros anos da contagem, de 2012 a 2023.

  • Julho de 2022: 100 mil veículos leves eletrificados acumulados
  • Março de 2024: 250 mil veículos leves eletrificados acumulados
  • Julho de 2025: 500 mil veículos leves eletrificados acumulados
  • Maio de 2026: 750 mil veículos leves eletrificados acumulados
  • Setembro de 2026: 1.003.310 veículos leves eletrificados acumulados

Distribuição das vendas de carros eletrificados por estados e cidades

Na divisão geográfica de setembro de 2026, a região Sudeste concentrou 43,5% dos emplacamentos nacionais do segmento. O Nordeste apareceu na segunda colocação com 20,8%, seguido por Sul (16,9%), Centro-Oeste (13,6%) e Norte (5,3%).

Entre as unidades da federação, São Paulo manteve a liderança com 14.250 veículos comercializados no mês, volume que representa 26,8% do total brasileiro. Minas Gerais ocupou o segundo posto com 4.346 unidades, à frente do Distrito Federal (4.158), do Paraná (3.403) e do Rio de Janeiro (3.166). No recorte por municípios, a capital São Paulo liderou em setembro com 5.240 emplacamentos, seguida por Brasília (4.158), Belo Horizonte (2.451) e Rio de Janeiro (1.625).

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Montadoras e infraestrutura de recarga elétrica no Brasil

A ABVE associa o avanço das vendas à ampliação da oferta de modelos, ao fortalecimento do pós-venda e à instalação de fabricantes no território nacional, citando empresas como BYD, GWM, Omoda, Pace/GM e Geely. Outro fator apontado pela entidade é a expansão da infraestrutura para abastecimento de baterias no país.

  • Pontos de recarga públicos e semipúblicos no Brasil: ao menos 29.866 unidades em operação, segundo levantamento da Tupi Mobilidade divulgado pela ABVE
  • Líder em tecnologia em setembro de 2026: modelos 100% elétricos (BEV), com 22.246 emplacamentos
  • Maior mercado estadual em setembro de 2026: São Paulo, com 14.250 unidades comercializadas
  • Entidade responsável pela apuração oficial: Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE)

Para o presidente da associação, Ricardo Bastos, o próximo passo da indústria envolve “consolidar um parque industrial brasileiro de peças e componentes para veículos elétricos, avançar na segurança regulatória e tributária nas operações de recarga elétrica e, principalmente, explorar ao máximo o potencial brasileiro de atração de investimentos”. O dirigente acrescentou que “nossas vantagens estratégicas são incomparáveis: matriz elétrica 90% renovável, ampla disponibilidade de terras raras e minerais críticos e um mercado consumidor amplo e amigável às novas tecnologias, além de uma base de exportação para a América Latina e outros mercados”. Bastos concluiu a avaliação do setor declarando que “já temos um mapa do caminho: a eletromobilidade pode e deve ser a estrada do desenvolvimento da indústria brasileira das próximas décadas”.

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.