KPMG: 62% dos profissionais avaliam investimento em capacitação antes de entrar ou permanecer na empresa

emprego - Rawpixel.com/Shutterstock.com

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A consultoria KPMG revelou, em análise divulgada na terça-feira (13), que o investimento em capacitação profissional define a permanência dos trabalhadores nos empregos diante do avanço da inteligência artificial (IA). Segundo o estudo Futuro do Trabalho, 62% dos profissionais levam em conta o apoio da organização ao aprimoramento de habilidades na hora de decidir entrar, sair ou permanecer em uma empresa.

O levantamento ouviu 4.000 trabalhadores de setores como varejo, governo, saúde e ciências da vida, serviços financeiros e tecnologia. “62% dos entrevistados afirmam que o investimento de uma empresa no aprimoramento de habilidades de seus trabalhadores influencia sua decisão de entrar, sair ou permanecer em uma empresa”, informou o estudo Futuro do Trabalho, da KPMG International.

Como a capacitação em IA sugerida pela KPMG funciona na prática?

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A orientação da consultoria para as lideranças corporativas envolve testar o potencial da inteligência artificial generativa — tecnologia capaz de criar textos, imagens e códigos — e equilibrar a contratação de novos especialistas com a atualização constante das equipes que já atuam no negócio. No mercado de trabalho, esse treinamento contínuo é dividido pelas empresas entre duas frentes técnicas: o upskilling, que é o aprimoramento de competências já utilizadas na função atual, como um analista que aprende a explorar dados com IA, e o reskilling, definido como a requalificação profissional para migrar para uma nova função, a exemplo de um atendente que passa a gerir processos automatizados.

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Na rotina dos escritórios, o aprendizado contínuo altera tarefas operacionais e estratégicas. Analistas financeiros passam a treinar o uso de sistemas para resumir relatórios e simular cenários, enquanto profissionais de marketing aprendem a revisar textos gerados por assistentes virtuais mediante checagem humana, e gestores estudam riscos como respostas erradas da ferramenta e uso indevido de dados. Para o trabalhador que avalia uma proposta de emprego, a recomendação apontada na análise é verificar se a organização oferece trilhas de aprendizado estruturadas, tempo dedicado ao estudo no expediente e ferramentas homologadas para o trabalho diário.

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Produtividade e saúde mental no estudo Futuro do Trabalho da KPMG

A pressão por aprendizado acompanha a entrada rápida de ferramentas digitais nas companhias nos últimos anos. Os dados mostram que 54% dos profissionais relatam a adoção de novas tecnologias por seus empregadores no período recente, mas o avanço esbarra em dúvidas sobre o futuro e no desgaste das equipes. Apesar de 66% dos entrevistados acreditarem que a tecnologia aumentará sua produtividade nos próximos três anos, quase dois em cada cinco trabalhadores avaliam que esses ganhos produtivos não compensam o impacto negativo no bem-estar e na saúde mental, enquanto um quinto afirma que a tecnologia prejudicou o próprio rendimento e 36% sentem falta de clareza das empresas sobre como devem se adaptar às demandas futuras.

Adoção de IA nas empresas brasileiras segundo o KPMG Global Tech Report 2026

No recorte nacional, a exigência por novas qualificações reflete a velocidade de automação das companhias instaladas no país. O relatório KPMG Global Tech Report 2026, que conta com a liderança de análise de Frank Meylan, sócio-líder de tecnologia e inovação da KPMG no Brasil, e de Felipe Catharino, sócio-diretor líder de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações da KPMG no Brasil e na América do Sul, aponta que 82% das empresas brasileiras já incluem funções nativas de IA em suas estratégias de talentos, buscando cargos como engenheiros de prompt (que escrevem instruções para orientar sistemas) e especialistas em ética algorítmica.

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Essa transformação nas vagas de emprego gera receio entre os funcionários que já estão empregados no país. “Isso também implica mudança cultural profunda, pois o estudo revela que 47% dos profissionais brasileiros sentem-se preteridos pela tecnologia”, declarou o relatório Ganhos e desafios na era da inteligência, que integra o KPMG Global Tech Report 2026.

O levantamento global de tecnologia detalha outros índices sobre a estrutura das empresas no país e a projeção para a mão de obra nos próximos anos:

  • Amostra da pesquisa: 2.500 executivos de tecnologia ouvidos em 27 países, incluindo 150 líderes brasileiros;
  • Automação no Brasil: 100% das empresas brasileiras consultadas já implementaram algum nível de automação e inteligência artificial, incluindo sistemas de IA agêntica (capazes de interpretar dados, tomar decisões e executar processos completos);
  • Maturidade digital: 51% dos executivos de tecnologia no Brasil acreditam que suas organizações alcançarão níveis avançados de maturidade digital até o fim de 2026;
  • Presença humana: cerca de 50% da força de trabalho da área de tecnologia continuará sendo composta por seres humanos em 2027, mesmo nas organizações de alto desempenho tecnológico.

Histórico de pesquisas da KPMG sobre investimentos e uso de IA

A necessidade de preparar o quadro de funcionários também foi registrada na edição do terceiro trimestre do estudo Global AI Pulse 2026, publicada pela KPMG International na sexta-feira, 9 de outubro de 2026. O levantamento ouviu 2.131 líderes seniores em 20 países e constatou que as organizações mais avançadas na área não se limitam a comprar a ferramenta: elas investem na prontidão e capacitação da força de trabalho, na governança e na revisão e integração de processos às decisões diárias.

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Em edição anterior da mesma pesquisa trimestral, divulgada em julho de 2026, a consultoria já havia identificado que 74% dos líderes empresariais pretendiam manter os investimentos em inteligência artificial mesmo diante de um cenário de recessão, enquanto 64% das empresas afirmavam obter resultados relevantes com a ferramenta. Antes disso, em maio de 2025, o levantamento “Confiança, atitudes e uso de inteligência artificial: um estudo global 2025”, conduzido pela KPMG em parceria com a Universidade de Melbourne com 48 mil pessoas em 47 países, mostrou que 47% dos entrevistados no Brasil diziam conhecer e saber utilizar ferramentas de IA, percentual superior ao registrado nos Estados Unidos (28%), Reino Unido (27%), França (24%), Japão (21%) e Alemanha (20%).

Maria: Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.