Naufrágio mais antigo do mundo é encontrado na Turquia com mais de 30 ânforas da Idade do Bronze

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naufrágio - Alex Vog/Shutterstock.com Foto: naufrágio - Alex Vog/Shutterstock.com

Arqueólogos liderados pelo professor associado Hakan Öniz, da Universidade Akdeniz, e o ministro da Cultura e Turismo da Turquia, Mehmet Nuri Ersoy, anunciaram em 14 de outubro de 2026 que vestígios localizados na Ilha de Kekova, em Antália, pertencem ao naufrágio mais antigo conhecido do mundo. A embarcação mercante afundou entre 4.400 e 4.700 anos atrás, no início da Idade do Bronze, época contemporânea à construção da Grande Pirâmide de Gizé, no Egito.

Os artefatos repousam em uma encosta subaquática a cerca de 30 metros de profundidade, onde a equipe resgatou mais de 30 potes de armazenamento de cerâmica, chamados de ânforas, além de três grandes âncoras de pedra. “O naufrágio é uma cápsula do tempo no fundo do mar”, disse Hakan Öniz, que também comanda a expedição pela Associação de Arqueologia do Mediterrâneo sob direção do Museu de Antália.

Datação das ânforas na Ilha de Kekova e limites do mergulho

naufrágio - Richard Whitcombe/Shutterstock.com
Foto: naufrágio – Richard Whitcombe/Shutterstock.com

Como a estrutura de madeira do navio de cerca de 10 metros de comprimento não resistiu ao tempo, os cientistas não puderam aplicar a datação por radiocarbono, técnica que mede a decomposição de carbono em materiais orgânicos para estimar a idade. A equipe determinou o período histórico analisando o desenho e a decoração das ânforas de duas alças laterais, saliência central e base plana, formato idêntico ao de vasos de 2700 a.C. a 2400 a.C. achados no Egito e no Oriente Médio. Devido à pressão a 30 metros de profundidade, os mergulhadores tiveram turnos restritos a 30 minutos no fundo do mar e cumpriram paradas de descompressão com oxigênio puro.

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“Comparando as técnicas de decoração… podemos afirmar com certeza que nosso naufrágio é do início da Idade do Bronze. Isso é 100% certo”, declarou Öniz. O pesquisador destacou o impacto humano do achado: “Somos os primeiros humanos a tocar nesses objetos depois de 5 mil anos.”

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Análise de resíduos de 4.700 anos e rota comercial no Mediterrâneo

No laboratório, a arqueóloga Karin Sowada, pesquisadora da Universidade Macquarie, na Austrália, constatou que algumas ânforas permaneciam intactas e guardavam um conteúdo viscoso e brilhante. “Olhei para dentro e quase desmaiei. Não conseguia acreditar na quantidade de resíduos visíveis. Não eram apenas manchas… muito desse material ainda estava lá”, afirmou Sowada, acrescentando que os recipientes grandes podiam ser reutilizados por vários anos.

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Segundo o ministro Mehmet Nuri Ersoy, exames preliminares apontam a origem e a rota da carga que partiu da região do Levante rumo ao oeste. “As análises da argila indicam que as ânforas foram provavelmente produzidas em oficinas no Vale do Jordão. O fato de exemplos semelhantes terem sido encontrados no Egito, em Troia e em Creta é de grande importância para compreender as redes comerciais que conectavam diferentes geografias por meio de rotas marítimas”, disse Ersoy, em tradução livre. Entre os vasos recolhidos, um exemplar com nove marcas e dois orifícios sugere o uso como batedeira de queijo ou manteiga, indicando o possível transporte de cabras vivas para fornecer leite à tripulação.

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Recordes superados pela descoberta de Kekova na Turquia

O sítio arqueológico na costa sul turca contou com estudo preliminar de julho de 2026 no periódico científico Journal of Maritime Archaeology, que tem a arqueóloga Ceyda Öztosun como coautora, e teve as escavações subaquáticas completas iniciadas em 2026. Nos últimos 15 anos, a Turquia registrou 420 naufrágios no Mediterrâneo, sendo apenas três da Idade do Bronze. A confirmação em Kekova altera a cronologia mundial da arqueologia marítima:

  • 4.400 a 4.700 anos: idade do naufrágio da Ilha de Kekova, atual mais antigo do mundo.
  • 4.200 anos: idade aproximada do naufrágio da ilha de Dokos, no sul da Grécia, localizado em 1975 e detentor do recorde anterior.
  • 2.400 anos: idade do naufrágio intacto mais antigo conhecido, com madeira preservada no Mar Negro, na costa da Bulgária.

Os testes químicos de laboratório ainda estão em andamento para confirmar se o resíduo nas ânforas é azeite de oliva, vinho ou resina de árvores, assim como segue sob investigação o vínculo definitivo das três âncoras de pedra com o casco. Todo o acervo pertence ao Ministério da Cultura e Turismo da Turquia e será exibido no novo Museu de Arqueologia Subaquática do Mediterrâneo, em Antália, previsto para abrir nos próximos meses, ainda sem data exata de inauguração.

Maria Clara é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Atriz.

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