Super El Niño atinge +3,3°C no Pacífico e leva até 500 mm ao PR

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El Niño - coffeekai/istockphoto.com Foto: El Niño - coffeekai/istockphoto.com

Projeções climáticas analisadas pela MetSul Meteorologia nesta quarta-feira (14) apontam que o avanço de um Super El Niño provocará chuvas excessivas e temporais nas próximas semanas em seis estados do Centro-Sul do Brasil. O Paraná deve concentrar os maiores impactos até o fim de outubro de 2026, com risco elevado de inundações e acumulados que podem atingir entre 300 mm e 500 mm nas simulações mais extremas.

A condição de El Niño muito forte ocorre quando a anomalia térmica no Pacífico Equatorial Central iguala ou supera +2,0°C. Segundo a meteorologista e sócia-diretora da MetSul Meteorologia, Estael Sias, a configuração atual diverge do evento anterior. “O El Niño de 2026 é muito mais forte que o de 2023, por exemplo, e até o momento trouxe menos chuva que três anos atrás no Rio Grande do Sul, enquanto em São Paulo o evento de 2023 foi responsável por grandes ondas de calor há três anos e agora o de 2026 causa excesso de chuva, até com enchentes. O mesmo ocorre no Paraná. O estado está sendo muito mais afetado por chuva e tempestades que no episódio de três anos atrás”, afirmou.

Projeções do Super El Niño por estado até novembro

El Niño - METSUL
Foto: El Niño – METSUL

Os dados do modelo CFS, operado pela agência de tempo e clima dos Estados Unidos, indicam precipitação acima a muitíssimo acima da média para as duas quinzenas seguintes, estendendo-se até quase a metade de novembro de 2026. A pesquisadora do Grupo de Estudos Climáticos do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), Ana Carolina Nóbile Tomaziello, explicou a dinâmica nas regiões atingidas: “O que estamos observando é um padrão de circulação atmosférica que tem favorecido a ocorrência de chuvas acima da média, principalmente no Sul e em parte do Sudeste do Brasil”.

  • Paraná: projeções gerais de 100 mm a 300 mm até o fim de outubro (com simulações extremas de 300 mm a 500 mm em pontos isolados) e chuva acima da média até dezembro nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste, segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar).
  • São Paulo e Mato Grosso do Sul: volumes acumulados particularmente altos e marcas extremas até o final de outubro, com risco de cheias de rios e inundações.
  • Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro: anomalia positiva de precipitação até quase a metade de novembro na totalidade do território catarinense e em partes dos dois estados do Sudeste.

Vazão nas Cataratas do Iguaçu chega a 15,5 milhões de litros por segundo

O excesso de precipitação já provoca enchentes nos rios Paraná e Iguaçu, na região da Tríplice Fronteira entre Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina). Na madrugada desta quarta-feira (14), a vazão das Cataratas do Iguaçu alcançou 15,5 milhões de litros por segundo, volume dez vezes superior à média histórica de 1,5 milhão de litros por segundo. De acordo com o Simepar, Foz do Iguaçu acumulou 261,8 mm de chuva apenas entre os dias 1º e 12 de outubro de 2026, superando a média mensal de 251,1 mm.

Recordes de temperatura no Pacífico pela NOAA e pelo Inmet

O boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), divulgado na segunda-feira (12), registrou anomalia de temperatura da superfície do mar de +3,3°C na região Niño 3.4 pelo Índice Oceânico Niño tradicional (ONI) e de +2,4°C pelo Índice Oceânico Niño Relativo (RONI). Na comparação histórica para o começo de outubro pelo índice ONI, a marca atual supera todos os eventos anteriores de Super El Niño: 1982-1983 (+2,0°C), 1997-1998 (+2,0°C), 2015-2016 (+2,1°C) e 2023-2024 (+1,5°C). Pelo índice RONI, os +2,4°C também ultrapassam os registros do início de outubro de 1982-1983 (+2,3°C), 1997-1998 (+2,0°C), 2015-2016 (+1,6°C) e 2023-2024 (+0,9°C).

Acompanhe: Ciclone extratropical coloca o Paraná em alerta de tempestades e ventos fortes

No monitoramento publicado na terça-feira (13), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou que as águas na costa da América do Sul ficaram 4,5°C acima do normal no fim de setembro de 2026, a 0,1°C do recorde absoluto de 1983, enquanto a faixa central atingiu anomalia de 3,4°C em outubro. Em setembro de 2026, a região central do Pacífico teve média mensal 2,08°C acima do normal na série do Inmet iniciada em 1950, atrás apenas de setembro de 1997 (+2,15°C). Os modelos climáticos projetam o pico do fenômeno entre novembro e dezembro de 2026, com anomalias próximas de +4°C na região Niño 3.4 e atividade mantida ao menos até março de 2027.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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