Um estudo inédito apresentado pela TOTVS e pela MIT Sloan Management Review (SMR) Brasil revelou que 93% das empresas brasileiras ainda não incorporaram a inteligência artificial de forma estruturada à estratégia do negócio. O levantamento foi divulgado durante o evento Universo TOTVS 2026, realizado na terça-feira (13) e na quarta-feira (14) no Expo Center Norte, em São Paulo, onde executivos também alertaram para a urgência de adaptar sistemas de gestão à reforma tributária.
Intitulada “Da adoção à escala: a maturidade da inteligência artificial nas empresas brasileiras”, a pesquisa ouviu 583 profissionais de companhias de diferentes portes, setores e regiões do país. Para o presidente (CEO) da TOTVS, Dennis Herszkowicz, a aplicação isolada da ferramenta não gera resultados consistentes para as organizações. “O impacto do uso da IA pelas empresas só acontece quando essa tecnologia faz parte da estratégia e é aplicada aos processos críticos”, afirmou.
Indicadores do estudo da TOTVS e da MIT SMR Brasil sobre inteligência artificial
Os dados levantados pela MIT SMR Brasil sob encomenda da TOTVS mostram um descompasso entre a experimentação cotidiana de ferramentas digitais e a gestão corporativa. Executivos da empresa de tecnologia classificam a utilização individual por funcionários — como redigir e-mails ou resumir documentos sem conexão com os processos críticos da companhia — como uso de “IA no CPF”, em oposição ao uso “no CNPJ”, quando a ferramenta passa a integrar a operação central e os sistemas de gestão empresarial, conhecidos pela sigla ERP.
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O vice-presidente de Plataformas e TI da TOTVS, Gustavo Bastos, destacou durante os painéis do encontro que a simples presença de ferramentas digitais na rotina de trabalho deixou de ser uma vantagem competitiva no mercado brasileiro. “A adoção da IA já não diferencia mais ninguém; o que separa empresas de alta performance daquelas que ainda patinam hoje é a capacidade de incorporá-la à operação real”, disse.
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- 80% das empresas brasileiras já testam ou utilizam inteligência artificial de alguma forma na rotina
- 7% das companhias conseguiram levar a tecnologia ao centro da estratégia do negócio e oferecer treinamento estruturado para todos os funcionários
- 88% das organizações não medem o retorno financeiro ou a economia obtidos com as ferramentas
- 86% das empresas não acompanham os custos associados às iniciativas tecnológicas
- 40% das companhias registram ações isoladas, sem nenhuma coordenação entre os diferentes departamentos
- 8% das empresas integraram amplamente a inteligência artificial aos seus sistemas de gestão (ERP)
- 6,69 foi o índice médio de maturidade das empresas brasileiras, medido em uma escala de 0 a 10 que avalia sete dimensões
Como as empresas devem adotar a inteligência artificial sem inverter prioridades?
Especialistas e dirigentes reunidos na capital paulista apontaram que um erro recorrente das organizações é contratar soluções tecnológicas por tendência de mercado antes de diagnosticar qual obstáculo operacional precisa ser superado. O vice-presidente de Negócios para Segmentos da TOTVS, Marcelo Cosentino, defendeu que a escolha da ferramenta deve ser a última etapa do planejamento corporativo. “O segredo é você achar um problema de negócio, depois você pensar como você vai usar. Pode ser IA, pode ser um ERP, pode ser um CRM, pode ser um e-mail, pode ser qualquer coisa. E não você inverter a ordem. A tecnologia não pode editar o negócio, ela tem que fazer parte do seu negócio”, declarou.
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Apesar das dificuldades para escalar os projetos além da fase de testes, o avanço do tema no país foi avaliado positivamente pelo setor produtivo. O CEO da Verde Campo, Fábio Ferreira, afirmou que o mercado nacional acompanha o ritmo internacional de discussões. “Eu acho que o Brasil está protagonizando nessa arena e avançando gradativamente. Não estamos tão na frente, mas também não estamos tão atrasados. Acho que é dar orgulho de ser brasileiro e ver que isso está na nossa agenda executiva”, disse.
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Adaptação de sistemas da TOTVS para a reforma tributária de 2027
Paralelamente ao desafio de amadurecer o uso da inteligência artificial, o setor empresarial brasileiro enfrenta a necessidade de reformular softwares e rotinas contábeis para a transição da reforma tributária, que inicia a substituição gradual dos impostos atuais a partir de 2027. O novo modelo exigirá que as empresas operem com os novos tributos sobre o consumo — a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) —, além de mecanismos como a apuração assistida e o split payment, sistema que separa automaticamente o valor do imposto no ato do pagamento da transação comercial, enquanto ainda convivem temporariamente com as regras antigas.
O diretor-executivo de Produtos da TOTVS, Rodrigo Sartorio, explicou que a sobreposição dos dois modelos fiscais exige preparação imediata das equipes e atualização dos sistemas. “A reforma vai ser muito benéfica lá na frente, mas o período de transição da convivência do velho com o novo é que está sendo desafiador. Para os empresários, está piorando antes de melhorar. E a gente está acompanhando isso muito de perto, junto ao governo, implementando as alterações no sistema para que dê tudo certo”, afirmou.
Programação e espaços técnicos do Universo TOTVS 2026 em São Paulo
Para atender às duas demandas simultâneas do mercado corporativo, a edição de 2026 do evento no Expo Center Norte dividiu as demonstrações práticas e os debates técnicos em áreas específicas para os clientes da marca.
- 13 de outubro de 2026: abertura do Universo TOTVS 2026 e apresentação oficial do levantamento da MIT SMR Brasil
- 14 de outubro de 2026: encerramento das atividades presenciais e realização de entrevistas com executivos do setor
- Espaço LYNN: ambiente dedicado ao primeiro foundation de inteligência artificial B2B (voltado para transações entre empresas) do Brasil desenvolvido pela TOTVS
- Palco Fiscal: estrutura focada em governança, precificação, split payment e adaptação dos sistemas Protheus, Datasul e RM para as regras tributárias
Segundo Sartorio, a preparação tecnológica para o calendário de 2027 vai além do departamento contábil das companhias. “A Reforma Tributária não deve ser tratada como uma atualização isolada da área fiscal. Ela alcança precificação, margens, fluxo financeiro, documentos, controles e sistemas de gestão. O Palco Fiscal foi estruturado para conectar a legislação às decisões práticas que as empresas precisam tomar agora, com governança e tecnologia, para chegar a 2027 com segurança operacional”, concluiu o diretor.
