Polícia Federal prende Márcio Canella e Marcus Amim no Rio de Janeiro

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Márcio Canella - Divulgação/ Alerj Foto: Márcio Canella - Divulgação/ Alerj

O deputado estadual eleito Márcio Correia de Oliveira, conhecido como Márcio Canella (União Brasil), e o delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil do Rio de Janeiro Marcus Vinicius Amim Fernandes, o Marcus Amim, foram presos preventivamente pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (15). A ação integra a 8ª fase da Operação Unha e Carne, que cumpriu seis mandados de prisão preventiva e apura um esquema de lavagem de dinheiro avaliado em mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos.

Presidente estadual do União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Canella foi detido em casa, em um condomínio na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. O político deixou o endereço conduzido por agentes federais e utilizou um guarda-chuva para cobrir o rosto. Nas eleições de 4 de outubro de 2026, ele terminou como o segundo deputado estadual mais votado do estado, atrás apenas de Índia Armelau (PL), que somou 248.504 votos.

Além de Canella e Amim, outros quatro investigados foram presos preventivamente na operação desta manhã. A Corregedoria da Polícia Civil acompanhou o cumprimento das ordens judiciais contra os policiais civis alvos da investigação.

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Números e alvos da 8ª fase da Operação Unha e Carne no Rio de Janeiro

  • Data da operação: 15 de outubro de 2026.
  • Mandados judiciais: 6 de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão.
  • Municípios com diligências: Rio de Janeiro, Niterói, Angra dos Reis, Petrópolis, Armação dos Búzios, Nova Iguaçu e São Gonçalo.
  • Bloqueio empresarial: 112 empresas com atividades econômicas suspensas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sendo 96 postos de combustíveis.
  • Votação de Márcio Canella em 2026: 197.178 votos (2,24% dos votos válidos para a Assembleia Legislativa).

As ordens de prisão, busca e apreensão e sequestro de bens e valores foram expedidas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Segundo a Polícia Federal, o inquérito investiga uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, com a anuência de políticos e a participação de agentes públicos. A movimentação financeira de mais de R$ 7,6 bilhões foi identificada em um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão federal que monitora transações suspeitas.

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De acordo com a PF, os investigados responderão, conforme suas responsabilidades individuais, por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A 8ª fase da operação faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela corporação dentro das diretrizes da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, ação no STF que regula operações policiais no estado.

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Cronologia das investigações e da campanha de Márcio Canella em 2026

  • 4 de abril de 2026 — Márcio Canella renuncia à Prefeitura de Belford Roxo com o plano inicial de disputar o Senado Federal.
  • 7 de julho de 2026 — Na 6ª fase da Operação Unha e Carne, Canella e Marcus Amim sofrem buscas; o político é preso em flagrante após a PF achar um fuzil calibre 5,56 em seu veículo, alega que a arma não lhe pertencia e é solto dias depois.
  • Setembro de 2026 — O desdobramento da apreensão do fuzil leva à 7ª fase da operação, que prende o vereador carioca Jorge Canella (União Brasil) por posse irregular de armas de fogo de uso restrito.
  • 29 de setembro de 2026 — O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) libera a candidatura de Márcio Canella a deputado estadual, rejeitando impugnação da Procuradoria Regional Eleitoral que apontava suspeitas de ligação com milicianos na Baixada Fluminense.
  • 4 de outubro de 2026 — Canella é eleito deputado estadual para um quarto mandato na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
  • 6 de outubro de 2026 — A direção-geral da Polícia Federal e o ministro Alexandre de Moraes tratam da Força-Tarefa Missão Redentor II em reunião no STF.

Antes do pleito de 2026, Márcio Canella construiu carreira política em Belford Roxo, onde foi eleito vereador em 2012, vice-prefeito em 2016 e ocupou a Secretaria Municipal da Casa Civil na gestão do ex-prefeito Waguinho. Ele também conquistou três mandatos anteriores de deputado estadual nas eleições de 2014, 2018 e 2022, antes de vencer a disputa pela prefeitura em 2024.

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A defesa de Márcio Canella declarou que não se manifestará no momento porque ainda não teve acesso à decisão judicial que determinou a prisão preventiva. Até a última atualização das informações, a Alerj e as defesas de Marcus Amim e dos outros quatro presos não haviam divulgado posicionamento oficial.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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