Stellantis nega fechar fábricas na Argentina e mantém planos

5 min de leitura
Stellantis - jetcityimage/ istockphoto.com Foto: Stellantis - jetcityimage/ istockphoto.com

O grupo automotivo Stellantis negou na quinta-feira (8) qualquer plano para fechar suas duas fábricas de veículos na Argentina, localizadas em El Palomar e em Ferreyra, na província de Córdoba. A empresa também confirmou para 25 de novembro de 2026 a inauguração de uma nova planta de motores no país vizinho, após declarações do presidente da companhia para a América do Sul, Herlander Zola, sobre os altos custos locais de produção.

Em posicionamento oficial, a montadora informou que o executivo apenas mencionou cenários hipotéticos sobre o futuro da indústria automotiva, sem indicar uma decisão em análise pela diretoria. “Os projetos continuam. Longe de estar fechando uma fábrica, estamos inaugurando uma nova planta de motores em Ferreyra no fim do ano”, declarou a Stellantis, em tradução livre.

Custos na Argentina e as declarações de Herlander Zola

A necessidade de esclarecimento oficial surgiu após um almoço de Herlander Zola com jornalistas brasileiros em São Paulo. No encontro, o presidente da Stellantis para a América do Sul afirmou que a abertura do mercado argentino para carros importados prejudicou a competitividade industrial do país vizinho, colocando em dúvida a manutenção das operações locais no longo prazo.

“O mercado aberto da Argentina nos deixou de fora da disputa, e tudo pode acontecer. Podemos fechar uma ou ambas as fábricas, ou podemos mantê-las abertas. Mas o custo de produção lá é muito alto: em termos de mão de obra, por exemplo, é o dobro do que no Brasil. Além disso, a cadeia de suprimentos é pequena. A maioria das peças vem do Brasil”, disse Zola.

O executivo detalhou ainda que as decisões industriais dependem diretamente do comportamento das vendas e da legislação local. “Temos duas plantas na Argentina. Dependendo do mercado, das regras e da competitividade dos produtos, podemos transferir a produção de uma para outra, manter as duas, fechar uma e manter a outra ou fechar ambas. O custo da mão de obra na Argentina é o dobro que no Brasil. Tudo pode acontecer”, afirmou o presidente regional, em tradução livre.

Acompanhe: Ram Dakota e Ram Rampage chegam à América do Norte em plano de carros mais baratos

Operação da Stellantis em El Palomar e Córdoba

As duas unidades industriais da Stellantis na Argentina empregam, juntas, cerca de 5.000 trabalhadores e abastecem tanto o mercado argentino quanto o brasileiro. Segundo a avaliação de Herlander Zola, a fabricação de picapes concentrada na província de Córdoba apresenta hoje uma competitividade muito superior à produção de automóveis de passeio na região de Buenos Aires, embora ambas as plantas dependam fortemente do desempenho comercial no Brasil.

Leia também: Stellantis suspende produção em quatro fábricas na França

  • Fábrica de El Palomar (província de Buenos Aires): produz o hatch Peugeot 208 e o utilitário esportivo (SUV) Peugeot 2008, após receber um investimento recente de US$ 270 milhões.
  • Fábrica de Ferreyra (província de Córdoba): fabrica o sedã Fiat Cronos e as picapes médias Fiat Titano e Ram Dakota, dentro de um polo industrial com plano de investimentos anunciado na faixa de US$ 380 milhões a US$ 385 milhões.
  • Peso do mercado brasileiro: o Brasil responde por aproximadamente 65% de todos os negócios da Stellantis na América do Sul, além de concentrar a maior parte dos fornecedores de autopeças utilizados pelas linhas de montagem argentinas.

Cortes de turnos e queda na produção de Fiat, Peugeot e Ram em 2026

Antes das declarações sobre os custos trabalhistas e de fornecedores, a operação argentina da Stellantis já vinha passando por reduções de ritmo ao longo de 2026 para se adequar à retração nas vendas internas e nas exportações. Em maio de 2026, a empresa eliminou um turno de trabalho na planta de El Palomar devido à queda na demanda comercial pelos modelos Peugeot 208 e Peugeot 2008.

Quatro meses depois, em setembro de 2026, o complexo de Ferreyra, em Córdoba, também cortou de dois para apenas um turno a linha de montagem das picapes médias, preservando o ritmo normal de fabricação somente para o sedã Fiat Cronos. Ainda não há confirmação oficial sobre a quantidade exata de trabalhadores atingidos pelas suspensões temporárias e pelos remanejamentos internos decorrentes desse corte em Córdoba.

  • Projeção total de picapes em Córdoba para 2026: redução de 27 mil para 16,5 mil unidades, uma queda de cerca de 39% a 40% no volume planejado.
  • Fiat Titano: corte na meta anual de produção de 9 mil para 4,5 mil exemplares.
  • Ram Dakota: redução no planejamento anual de 18 mil para 12 mil unidades fabricadas.
  • Indústria automotiva argentina em 2026: no acumulado dos primeiros nove meses do ano, o setor registrou recuo de 16,9% na produção total e baixa de 13% nas vendas gerais.
  • Avanço dos importados: a participação de veículos de origem chinesa nas vendas do mercado argentino subiu de menos de 5% no início de 2026 para quase 20% no acumulado de nove meses.

Nova fábrica de motores da Stellantis em 25 de novembro

Apesar dos cortes recentes nos turnos de montagem de veículos, a Stellantis manteve o cronograma de expansão de sua área de propulsores na província de Córdoba. A nova fábrica de motores do complexo industrial de Ferreyra será inaugurada em 25 de novembro de 2026 para produzir localmente o motor 2.2 turbodiesel Multijet, conjunto mecânico que equipa os modelos Ram Dakota, Fiat Titano, Ram Rampage e Jeep Commander.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

Notícias relacionadas