O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, confirmou que a picape intermediária monobloco Ram Rampage, desenvolvida no Brasil, começará a ser vendida nos Estados Unidos a partir de 2028. O anúncio ocorreu durante o Automotive News Congress, conferência automotiva realizada em Detroit, Michigan.
A picape assumirá na América do Norte a função de veículo de entrada da marca no mercado de utilitários com caçamba monobloco, atuando como base de volume de forma parecida ao papel desempenhado pela Fiat Strada no mercado brasileiro. O principal objetivo comercial é disputar espaço com a Ford Maverick, atual líder isolada do segmento nos Estados Unidos, que emplacou 155.051 unidades em território norte-americano ao longo de 2025.
Dados principais da chegada da Ram Rampage aos Estados Unidos
- Ano de estreia no mercado norte-americano: 2028
- Vendas da rival direta Ford Maverick nos EUA em 2025: 155.051 unidades
- Alíquota da tarifa Chicken Tax para picapes de fora da América do Norte: 25%
- Volume emplacado pela Rampage no Brasil desde meados de 2023: mais de 65 mil unidades
- Faixa de preço pretendida para a nova categoria de entrada: abaixo de US$ 30 mil
- Mão de obra no desenvolvimento brasileiro: 800 engenheiros e técnicos ao longo de 1,2 milhão de horas
Barreira da Chicken Tax e hipótese de montagem no México
A viabilidade comercial do projeto depende de soluções logísticas fora do Brasil. O envio de unidades montadas no Polo Automotivo de Goiana, em Pernambuco, torna-se inviável devido à Chicken Tax, tarifa alfandegária norte-americana de 25% aplicada sobre picapes e comerciais leves produzidos fora da América do Norte. A cobrança foi instituída pelos Estados Unidos em 1964 em retaliação aos tributos aplicados por Alemanha Ocidental e França contra o frango exportado pelos norte-americanos.
Para contornar o imposto de importação, a montadora avalia fabricar a picape na planta de Toluca, no México, aproveitando o acordo comercial regional. A unidade mexicana já produz o Jeep Compass e opera com a plataforma Small Wide 4×4, a mesma arquitetura utilizada pela Rampage na fábrica brasileira, o que barateia custos de ferramental e integração industrial.
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Mudanças técnicas e posicionamento de preço da Stellantis
Antes da estreia em 2028, a Ram Rampage passará por alterações estéticas na carroceria, redesenho de acabamento interno e adequações mecânicas para atender às exigências legais e às preferências do consumidor norte-americano. No Brasil, o utilitário oferece motor 2.2 turbodiesel de 200 cavalos de potência e 2.0 turbo flex de 272 cavalos, ambos com transmissão automática de nove marchas.
A empresa busca posicionar veículos abaixo da linha de US$ 30 mil. Em declaração concedida durante o evento em Detroit, Antonio Filosa explicou a situação da linha de produtos: “Temos apenas um carro nessa faixa hoje, que é o Jeep Compass. Então sabemos que podemos chegar lá”, disse o executivo, em tradução livre. Ele também ressaltou a disputa direta com os concorrentes ao afirmar que a marca pretende ser relevante e forte onde a Toyota tem atuação consolidada com a Tacoma e onde a Ford é muito forte.
Histórico do projeto e expansão da linha de picapes
Concebida inteiramente por equipes de engenharia brasileiras, a Rampage começou a ser vendida no mercado nacional no primeiro semestre de 2023. O projeto demandou 1,2 milhão de horas de desenvolvimento e superou 65 mil unidades emplacadas no país. Além da picape compacta monobloco, o planejamento da Stellantis para 2028 prevê o retorno da Ram Dakota, picape média sobre chassi direcionada para disputar mercado contra a Toyota Tacoma.
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A Stellantis ainda não oficializou a fábrica definitiva onde a Rampage será montada na América do Norte, mantendo a instalação de Toluca ou fábricas nos Estados Unidos como possibilidades fabris em análise. A lista detalhada de motorizações, níveis de eletrificação e o pacote de equipamentos para o mercado norte-americano também continuam em fase de definição interna.
