A nutricionista e gerente de parcerias de nutrição da plataforma de alimentação saudável Lifesum, Victoria Strandlund Paetz, divulgou em outubro de 2026, a partir de Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, uma revisão de estudos científicos sobre como o consumo de alho, vegetais, pimenta e café antes de um encontro romântico interfere em sinais físicos de atração. O levantamento analisa pesquisas que mediram alterações no odor corporal, na coloração da pele, na vermelhidão do rosto, no conforto digestivo e na dilatação da pupila.
“Evidências científicas mostram que a dieta pode influenciar fatores relevantes para as primeiras impressões, incluindo a aparência da pele, o odor corporal e o conforto gastrointestinal”, disse Victoria Strandlund. Embora o alho seja associado ao mau hálito, a revisão destaca experimentos controlados nos quais mulheres classificaram o suor axilar de homens que ingeriram porções maiores do ingrediente como mais agradável, mais atraente e menos intenso em dois de três testes realizados.
Alho no odor corporal e alimentos que neutralizam o mau hálito
Apesar do resultado registrado na pele, a especialista diferencia a reação do suor axilar do efeito na boca e afirma que não recomenda comer o bulbo deliberadamente apenas para buscar maior atratividade antes de sair. “Se você for consumir alho antes de um encontro, certifique-se de que se sente confortável com o efeito que ele terá no seu hálito”, declarou a nutricionista da Lifesum.
Para quem ingeriu o tempero e precisa reduzir o cheiro na boca, o levantamento reúne estudos sobre alimentos específicos que agem quimicamente após a refeição. Pesquisas indicam que comer maçã crua inteira, alface crua ou folhas de hortelã diminui de forma significativa o odor no hálito, porque compostos presentes nesses três itens reagem diretamente com os compostos de enxofre liberados pelo alho.
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Estudo de 2016 na revista Appetite testou 12 gramas de alho
O experimento que baseia a conclusão sobre o suor masculino foi conduzido pelo professor de Psicologia da Universidade de Stirling, na Escócia, Reino Unido, Craig Roberts, e pela pesquisadora da Universidade Carolina, em Praga, na República Tcheca, Jitka Fialová, autora principal do trabalho. Divulgada originalmente em novembro de 2015 e publicada na edição de fevereiro de 2016 da revista científica Appetite, a investigação coletou amostras de odor de doadores que usaram almofadas de algodão nas axilas por 12 horas depois de comerem alho cru, cápsulas do produto ou nenhuma porção. Os cientistas atribuem a preferência feminina no teste à seleção sexual evolutiva, já que o alimento tem propriedades antioxidantes, imunoestimulantes, cardiovasculares e bactericidas, capazes de reduzir micróbios ligados ao mau cheiro nas axilas e sinalizar saúde.
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Números e dosagens dos experimentos revisados pela Lifesum
Os estudos reunidos pela plataforma de saúde e nutrição com repercussão internacional no sábado (10) e divulgados no Brasil nesta sexta-feira, 16 de outubro de 2026, estabeleceram medidas exatas de participantes, tempo de exposição e quantidades ingeridas em laboratório:
- Participantes do teste de suor axilar: 42 homens doadores de amostras e 82 mulheres avaliadoras.
- Dosagem do alho nos três testes: 6 gramas (dois dentes) no primeiro experimento sem mudança perceptível, e 12 gramas (quatro dentes crus ou cápsulas equivalentes) no segundo e no terceiro testes, faixa em que o odor passou a ser classificado como mais atraente.
- Frutas e vegetais para a pele: estudo de seis semanas identificou mudanças mensuráveis no tom cutâneo a partir do aumento do consumo diário, com ganho perceptível de atratividade na marca de 3,3 porções por dia (com divergência em uma fonte secundária que arredonda o índice para cerca de 3,5 porções diárias).
- Cafeína e tamanho da pupila: ensaio duplo-cego com 50 jovens adultos saudáveis administrou 250 mg da substância e registrou aumento médio da pupila de 3,4 mm para 4,5 mm após 90 minutos sob baixa luminosidade.
- Álcool e percepção visual: meta-análise de 16 estudos com 1.811 participantes apontou pequena associação entre doses baixas de bebida alcoólica e maior percepção de atratividade, efeito que desaparece em quantidades elevadas.
- Tolerância ao sorbitol: doses de 10 g desse álcool de açúcar provocaram desconforto gastrointestinal leve em voluntários saudáveis, enquanto 20 g causaram sintomas severos.
Como os carotenoides, a pimenta e o café agem no rosto e nos olhos
Além do olfato, a revisão detalha o impacto da alimentação na aparência facial ao longo do tempo e no momento do encontro. Vegetais ricos em carotenoides — pigmentos naturais encontrados em cenouras, tomates, batatas-doces e folhas verdes — acumulam-se na pele após semanas de ingestão regular e produzem um brilho e uma tonalidade associados pelos pesquisadores a rostos mais atraentes.
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Já o efeito imediato de rubor nas bochechas pode ser provocado pela capsaicina, substância responsável pela ardência da pimenta. Embora experimentos controlados liguem a vermelhidão facial à percepção de saúde e atração física, Victoria Strandlund desaconselha forçar o consumo de pratos apimentados se a pessoa tiver desconforto ou sintomas digestivos. No caso do café, apesar da dilatação comprovada da pupila em ambientes escuros, o levantamento ressalta que não há evidência científica de que a bebida torne alguém diretamente mais atraente em um encontro.
Quais alimentos evitar antes de um encontro para prevenir gases e mau odor?
O documento da Lifesum também lista produtos que prejudicam o bem-estar físico ou a avaliação olfativa nas horas que antecedem um compromisso romântico, destacando o impacto da carne e de carboidratos fermentáveis no organismo. “Feijões e lentilhas são alimentos nutritivos e definitivamente não devem estar em uma lista geral de alimentos a serem evitados. A questão é o momento certo e a tolerância pessoal. Se você sabe que uma determinada refeição lhe causa inchaço ou desconforto, escolha algo familiar antes de uma noite romântica”, afirmou Victoria Strandlund, ao explicar que a restrição temporária serve para quem apresenta sensibilidade digestiva ou síndrome do intestino irritável (SII), condição clínica caracterizada por dor abdominal, estufamento e alteração no trânsito intestinal.
Os itens que exigem cautela no cardápio prévio ao encontro têm mecanismos fisiológicos distintos confirmados pelos estudos:
- Carne vermelha: um experimento que dividiu homens em dietas com e sem o alimento durante duas semanas mostrou que as mulheres avaliaram o odor corporal do período sem carne como mais agradável, mais atraente e menos intenso.
- Feijões e lentilhas: grãos ricos em FODMAPs (sigla em inglês para oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis fermentáveis, carboidratos de difícil digestão), que fermentam no trato digestivo e geram gases e distensão abdominal em indivíduos sensíveis.
- Bebidas gaseificadas: refrigerantes e água com gás acumulam ar no sistema digestivo e favorecem o inchaço na região do abdômen.
- Gomas de mascar, balas e pastilhas sem açúcar: produtos formulados com polióis (álcoois de açúcar usados como adoçantes, incluindo xilitol, manitol e maltitol), compostos que atraem água para o intestino e sofrem fermentação por bactérias, podendo desencadear flatulência, inchaço e quadros de diarreia.
