O senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, declarou ter sido surpreendido pelas recentes investigações e prisões de aliados políticos no Rio de Janeiro por suspeita de ligação com o crime organizado. A afirmação ocorreu durante sabatina conduzida pela jornalista Renata Lo Prete nos Estúdios Globo, na capital fluminense, a partir das 21h15 desta sexta-feira (16), logo após o Jornal Nacional.
Ao responder sobre figuras de seu grupo político, como o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o político Cláudio Castro, o parlamentar defendeu a apuração dos fatos. “Surpreenderam. Acredito que todos têm o direito à ampla defesa e de provar sua inocência perante a Justiça, e espero que façam isso. Nós não vamos passar a mão na cabeça de ninguém”, afirmou o candidato.
Prisão de Márcio Canella na Operação Unha e Carne e bloqueio de R$ 700 milhões
Um dos principais alvos mencionados na entrevista é o ex-prefeito de Belford Roxo e presidente estadual do União Brasil no Rio de Janeiro, Márcio Canella, que foi o segundo deputado estadual mais votado do estado nas eleições de 2026, somando 197.178 votos. Ele foi preso preventivamente pela Polícia Federal na quinta-feira (15) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro para lavar dinheiro, movimentando mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão federal de inteligência financeira.
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Na mesma etapa da operação, a Justiça determinou a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, das quais 96 são postos de combustíveis, além do bloqueio de bens até o limite total de R$ 700 milhões contra 12 pessoas físicas e 11 empresas investigadas. Ao todo, seis pessoas tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos pela Polícia Federal em 15 de outubro de 2026. Além de Canella, foram detidos o delegado Marcus Vinicius Amim Fernandes, ex-secretário estadual de Polícia Civil e ex-presidente do Detran-RJ indicado pelo político de Belford Roxo, o secretário municipal de Ordem Urbana de Belford Roxo, Christiano Gaspar Fernandes, e os policiais civis Giovanni Gaspar Fernandes, José Carlos Alves de Souza Júnior e Pablo Jukia Felix Ferreira, conhecido como Pablo Russo. Após audiência de custódia realizada nesta sexta-feira (16), a Justiça manteve as prisões preventivas de Canella e Marcus Amim.
Promessas de Flávio Bolsonaro contra o Comando Vermelho e o PCC
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro sustentou que investigados com envolvimento comprovado em delitos devem cumprir pena. “Se a pessoa cometeu irregularidades, terá que responder por isso. Quem comprovadamente tiver envolvimento com o crime organizado, com o Comando Vermelho ou com o PCC, tem que pagar rigorosamente dentro da lei. No meu governo, a legislação será mais dura e essas pessoas vão passar muito mais tempo presas. Não tem meio-termo para o crime”, disse.
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O candidato também declarou que, se vencer o segundo turno, mudará o enquadramento legal de facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). “Vou fazer uma grande reunião e declarar guerra ao narcotráfico no Brasil a partir de janeiro do ano que vem. Vou declarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações narcoterroristas, porque é o que eles são”, declarou o senador, prometendo convocar os comandantes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica e os chefes das polícias estaduais em janeiro de 2027.
Histórico das investigações contra Rodrigo Bacellar e aliados no Rio de Janeiro
A Operação Unha e Carne começou em dezembro de 2025 para investigar o vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Antes da prisão preventiva decretada na oitava fase, Márcio Canella já havia sido alvo da sexta etapa da mesma investigação, quando chegou a ser preso em flagrante por posse de um fuzil, mas acabou liberado após comprovar que o armamento pertencia a um policial militar de sua equipe de segurança. Outro aliado citado na sabatina, Cláudio Castro, tornou-se inelegível e também é alvo de apurações, enquanto o deputado estadual Rodrigo Bacellar encontra-se preso preventivamente por suspeita de integrar organização criminosa armada e obstruir investigações ligadas à mesma facção no âmbito da Operação Zargun, após denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A participação de Flávio Bolsonaro na sabatina do segundo turno foi precedida por uma visita institucional à sede do Grupo Globo, no Rio de Janeiro, onde o candidato almoçou com o presidente da empresa, João Roberto Marinho, e com o vice-presidente de Relações Institucionais, Paulo Tonet. A entrevista seguiu a ordem definida em sorteio e ocorreu um dia após a sabatina do presidente da República e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva.
- 27 de março de 2026: prisão preventiva do deputado estadual Rodrigo Bacellar na Operação Zargun, por determinação do STF.
- 15 de outubro de 2026: deflagração da oitava fase da Operação Unha e Carne pela Polícia Federal e realização da sabatina do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na TV Globo.
- 16 de outubro de 2026: manutenção das prisões de Márcio Canella e Marcus Amim em audiência de custódia e sabatina de Flávio Bolsonaro às 21h15.
