Maria Isolina Bianchi deu aulas em estrebaria e inspirou família

Quadro negro, fórmulas, matemática, professor - nicolas_/ istockphoto.com

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A família Bianchi, de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, reúne 24 profissionais da educação distribuídos ao longo de quatro gerações. O grupo, que celebra a trajetória no magistério por ocasião do Dia dos Professores, comemorado na quinta-feira, 15 de outubro de 2026, atua ou já atuou em salas de aula de instituições públicas e particulares da região.

A tradição familiar na docência começou quando três irmãs ingressaram na carreira de magistério e passaram a servir de referência para os demais parentes. Até esta sexta-feira (16), os registros da família não detalham publicamente os nomes das outras duas irmãs que iniciaram esse percurso ao lado da matriarca.

Maria Isolina Michelon Bianchi deu aulas em igreja e estrebaria

Uma das precursoras dessa trajetória é a professora aposentada Maria Isolina Michelon Bianchi, que tem 97 anos e dedicou quase 30 anos de trabalho às escolas localizadas no interior dos municípios de Chapecó e de Arvoredo. Aprovada em concurso público no início de sua carreira, ela precisou contornar a estrutura escolar limitada da época e ministrou aulas em espaços improvisados, utilizando desde uma igreja até uma estrebaria para garantir o acesso dos estudantes ao ensino básico. Além do trabalho pedagógico com as turmas rurais, a educadora também exerceu as funções de parteira e de agente de saúde para atender as demandas dos moradores da própria comunidade onde lecionava.

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Com lucidez aos 97 anos, a aposentada guarda na memória as dificuldades enfrentadas nos primeiros anos de profissão. Naquele período, o trabalho no interior exigia adaptação às condições disponíveis para manter as aulas em funcionamento.

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Números e locais de atuação dos 24 educadores em Santa Catarina

Os integrantes da família que escolheram a sala de aula como profissão estão divididos entre diferentes redes de ensino e faixas de tempo de serviço no estado catarinense. Os dados consolidados da família Bianchi mostram a seguinte distribuição:

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  • Total de educadores na família: 24 professores
  • Divisão por gênero: 21 mulheres e três homens
  • Alcance geracional: quatro gerações com atuação no magistério
  • Municípios de atuação atual: Chapecó, Nova Itaberaba e Campo Erê
  • Tempo de serviço de Maria Isolina Michelon Bianchi: quase 30 anos
  • Tempo de serviço de Elizandra Bianchi Casarotto: 24 anos
  • Tempo de serviço de Micheli Fernanda Prigol Bianchi: 15 anos

Elizandra Bianchi Casarotto soma 24 anos na educação infantil

O caminho aberto pelas três irmãs influenciou diretamente as gerações seguintes, incluindo a trajetória da sobrinha de Maria Isolina, Elizandra Bianchi Casarotto, que trabalha como professora há 24 anos. O interesse dela pela docência despertou ainda na infância, a partir do convívio direto com as educadoras de seus primeiros anos escolares e das experiências observadas dentro da própria casa. Atualmente dedicada à educação infantil, ela leciona para turmas de pré-escola na Escola Básica Municipal (EBM) Sede Figueira, unidade integrante da rede municipal de ensino de Chapecó, onde desenvolve projetos pedagógicos e culturais voltados à integração direta com a comunidade local.

Para Elizandra, a rotina com as crianças pequenas exige aprendizado contínuo diante das transformações sociais. “Os tempos mudam, as gerações vêm e a gente tem que ir acompanhando essas mudanças”, afirmou a professora, apontando a imaginação e as brincadeiras da infância como fatores de motivação no trabalho.

A docente da rede municipal de Chapecó também atribui o resultado do processo de aprendizagem ao acolhimento em sala de aula. “Sem o afeto, sem os laços afetivos a gente não consegue construir uma educação que de fato mude vidas e transforme vidas”, declarou Elizandra.

Micheli Fernanda Prigol Bianchi superou barreiras financeiras com apoio familiar

Outra integrante do grupo é Micheli Fernanda Prigol Bianchi, que também é sobrinha de Maria Isolina e é casada com o irmão de Elizandra, sendo cunhada da colega de profissão. Professora há 15 anos, ela veio do interior e enfrentou dificuldades financeiras para conseguir ingressar na faculdade.

O incentivo para persistir na graduação veio da observação direta dos parentes que já lecionavam na região. “Vendo as pessoas da família que já tinham essa formação e essa carreira, e vendo elas felizes nessas carreiras, essa minha vontade de ser professora aumentou”, disse Micheli.

Segundo a educadora, o acolhimento e a troca de experiências com as outras professoras da família Bianchi foram determinantes para a conclusão de sua formação acadêmica e para a permanência dos profissionais nas salas de aula de Chapecó, Nova Itaberaba e Campo Erê.

Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração