Jeep Avenger tem novo preço de R$ 121.990 após segundo reajuste na tabela oficial da Stellantis

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Jeep Avenger Foto: Jeep Avenger -We-Ge/istockphoto

A Stellantis aplicou nesta quarta-feira (14) o segundo reajuste na tabela de preços do Jeep Avenger, elevando o valor inicial do utilitário esportivo compacto para R$ 121.990 na configuração de entrada Altitude. Produzido no complexo industrial de Porto Real, no estado do Rio de Janeiro, o veículo havia estreado comercialmente em 12 de agosto de 2026 por R$ 114.990 em um lote promocional de mil unidades, passou para R$ 119.990 após o fim da oferta inicial e agora acumula um acréscimo adicional de R$ 2.000. O encarecimento atinge também a opção intermediária Longitude, que subiu de R$ 135.990 para R$ 137.990, enquanto a versão topo de linha Limited preservou o preço de lançamento de R$ 145.990 em todo o território nacional, com exceção dos estados da Paraíba e do Maranhão por conta das alíquotas estaduais de ICMS.

Desenvolvido para atuar como o veículo mais acessível da marca norte-americana no país e posicionar-se abaixo do Renegade, o modelo inaugura a produção da Jeep fora da fábrica pernambucana de Goiana. O projeto faz parte de um pacote de R$ 3 bilhões destinado à modernização da unidade sul-fluminense entre 2025 e 2030, onde o utilitário divide a linha de montagem e a arquitetura modular CMP com a linha Citroën. “Trazer mais uma marca ao Polo de Porto Real é muito importante para a Stellantis, pois reforça toda a capacidade tecnológica da planta em produzir um modelo que é um sucesso mundial, como o Avenger”, afirmou Herlander Zola, presidente da Stellantis para a América do Sul, durante a fase de implementação fabril do veículo.

Tabela atualizada de versões, pacotes opcionais e condições de troca

A gama nacional do utilitário esportivo foi estruturada em três configurações de acabamento, todas equipadas de fábrica com o mesmo conjunto mecânico eletrificado de 12 volts e transmissão automática. Durante a abertura das reservas em agosto, a fabricante disponibilizou também uma série intermediária com pacote de estilo por R$ 124.990, limitada a 2 mil exemplares, que adicionava câmera de ré, barras longitudinais no teto e pintura bicolor ao modelo básico. Com o encerramento dos lotes iniciais de pré-venda e a atualização do configurador oficial da montadora em outubro, os adicionais passaram a ser comercializados como pacotes avulsos de equipamentos para cada faixa de preço.

Além dos valores de tabela para compra direta, a rede de concessionárias mantém condições comerciais específicas para a linha de fabricação 2026 e modelo 2027 na pintura Preto Carbon, incluindo financiamento com taxa zero e pagamento da primeira parcela para 2027. Há ainda um bônus de até R$ 4.000 na avaliação de automóveis seminovos de qualquer marca dados como parte do pagamento, desde que o carro usado tenha sido fabricado a partir de 2014, apresente média máxima de 10.000 quilômetros rodados por ano, possua chave reserva, manual com revisões carimbadas e documento de transferência em nome do comprador ou de parentes de primeiro grau.

  • Jeep Avenger Altitude T200 MHEV: R$ 121.990 (estreou por R$ 114.990 no lote inicial de mil unidades e passou por R$ 119.990 antes do reajuste de outubro), trazendo de série seis airbags, faróis e lanternas de LED, ar-condicionado digital, painel de instrumentos de 7 polegadas, rodas de liga leve de 16 polegadas, freio de estacionamento eletrônico, seletor de terrenos e frenagem autônoma de emergência.
  • Pacote opcional Pack Style (exclusivo para a versão Altitude): acrescenta R$ 5.000 ao valor do veículo e inclui câmera de ré para manobras, barras de teto funcionais e pintura do teto em tom preto contrastante.
  • Jeep Avenger Longitude T200 MHEV: R$ 137.990 (preço original de lançamento de R$ 135.990), adicionando rodas de 17 polegadas, bancos revestidos em tecido e vinil, chave presencial, carregador de celular por indução, aletas para trocas de marcha no volante, faróis auxiliares com função de iluminação em curvas e controle de cruzeiro adaptativo com função de parada e retomada no trânsito.
  • Pacotes opcionais da versão Longitude: o Convenience Pack custa R$ 3.500, enquanto o pacote tecnológico completo sai por R$ 8.500 e soma teto solar elétrico, quadro de instrumentos digital de 10,25 polegadas e assistente virtual com inteligência artificial integrada.
  • Jeep Avenger Limited T200 MHEV: R$ 145.990 (valor mantido desde a estreia comercial), equipado com rodas de 18 polegadas, faróis Full LED com tecnologia matricial, sistema de câmeras com visão de 360 graus, sensores de estacionamento dianteiros e laterais, bancos em vinil, painel digital de 10,25 polegadas de série e opção de teto solar elétrico avulso por R$ 7.500.

Calibração do motor 1.0 turbo híbrido leve e números de consumo oficial

Para atender ao público local, o departamento de engenharia da Stellantis descartou o propulsor 1.2 turbo de três cilindros e 136 cavalos utilizado no continente europeu — onde o veículo dispõe de arquitetura de 48 volts, opção híbrida plena com tração integral e variante 100% elétrica com bateria de 54 kWh capaz de rodar 550 quilômetros por carga. No lugar dele, o modelo brasileiro adotou o motor dianteiro transversal T200, um três cilindros em linha de 999 cm³ com turbocompressor, wastegate elétrica, injeção direta de combustível e comando eletro-hidráulico MultiAir III com quatro válvulas por cilindro. Embora o projeto inicial previsse a manutenção dos 130 cavalos e 21,4 kgfm entregues por esse mesmo bloco no Fiat Pulse e no Peugeot 2008, a calibração definitiva homologada para o utilitário da Jeep teve a potência ajustada para 116 cavalos a 5.500 rpm com gasolina e a 5.250 rpm com etanol.

O torque máximo ficou estabelecido em 20,4 kgfm, disponível integralmente a 1.750 rpm quando abastecido com derivado da cana-de-açúcar e a 2.000 rpm com derivado de petróleo, sempre gerenciado por uma transmissão continuamente variável (CVT) que simula sete velocidades no modo sequencial. O conjunto mecânico trabalha acoplado a um sistema híbrido leve (MHEV) de 12 volts e corrente de 200 ampères, no qual uma máquina elétrica substitui o alternador e o motor de partida convencionais. Esse equipamento é alimentado por uma bateria auxiliar de íon-lítio de 256 Wh que atua em conjunto com a bateria principal de chumbo-ácido de 68 Ah, fornecendo assistência em acelerações e recuperando energia nas desacelerações para reduzir o gasto de combustível em até 10%, sem tracionar as rodas de maneira independente.

Todos os exemplares saem da linha de montagem com sistema de desligamento automático do motor em paradas curtas (Start&Stop) de série, mas nenhuma das três configurações possui botão físico ou comando no painel que permita ao condutor desativar o recurso. Por contar com o auxílio elétrico de 12 volts na ficha de homologação, o veículo garante isenção do rodízio municipal de veículos na cidade de São Paulo. De acordo com as medições oficiais do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), todas as versões registram exatamente as mesmas médias de eficiência energética: o consumo urbano é de 12,7 km/l com gasolina e de 8,8 km/l com etanol, enquanto no ciclo rodoviário as marcas alcançam 13,5 km/l com gasolina e 9,4 km/l com etanol.

Mudanças no acabamento interno, dimensões e pacote de inteligência artificial

Antes de definir a configuração final da cabine, a montadora promoveu clínicas com consumidores no Brasil entre 2023 e 2024 para avaliar a percepção sobre o modelo vendido na Europa. Os participantes rejeitaram o excesso de plástico rígido no painel europeu e os comandos de transmissão por botões no console. Como resultado, o projeto nacional incorporou superfícies macias ao toque (soft-touch), texturas redesenhadas, iluminação ambiente, bancos com revestimento resistente a manchas e água, além de uma alavanca tradicional para o câmbio automático e reposicionamento do gatilho do freio eletrônico para ampliar os porta-objetos centrais, capazes de acomodar pequenas mochilas.

Jeep Avenger
Jeep Avenger – Foto: Divulgação

Acompanhe: Jeep Avenger Limited chega às lojas com preço de até R$ 155 mil

Na parte estrutural e de medidas externas, a versão definitiva fabricada no estado do Rio de Janeiro apresenta 4.084 milímetros de comprimento (22 centímetros mais curto que o Renegade), 1.776 milímetros de largura sem contar os espelhos retrovisores, 1.583 milímetros de altura e distância entre-eixos de 2.557 milímetros. O peso em ordem de marcha é de 1.271 quilos, com capacidade para transportar até 400 quilos de carga útil, apoiado em suspensão dianteira independente tipo McPherson e eixo de torção na traseira, ambos com molas helicoidais e amortecedores hidráulicos com batente hidráulico. O sistema de freios combina discos ventilados de 283 milímetros na frente e discos sólidos de 249 milímetros atrás, enquanto a direção elétrica entrega diâmetro de giro de 10,6 metros.

A calibragem de rodagem para o asfalto sul-americano elevou a altura mínima livre do solo dos 21 centímetros previstos nos protótipos para 22,1 centímetros (221 milímetros), garantindo ângulo de ataque de 22 graus e ângulo de saída de até 33,9 graus (33,6 graus na configuração intermediária). Já o compartimento de bagagens, que no modelo europeu declara 380 litros, foi homologado no padrão nacional com 364 litros de capacidade volumétrica, volume ainda superior aos 314 litros oferecidos pelo irmão maior Renegade. Na área de conectividade, o painel soma mais de 20 polegadas de telas nas versões mais caras e estreia a plataforma de serviços conectados Adventure Intelligence com inteligência artificial do ChatGPT integrada ao assistente de voz, permitindo ajustar o ar-condicionado, traçar rotas no GPS nativo e controlar mídias por conversação natural, além de espelhamento sem fio para Apple CarPlay e Android Auto.

Industrialização na fábrica fluminense e disputa no mercado de compactos

A escolha da unidade de Porto Real — inaugurada originalmente em 2001 pelo antigo grupo PSA Peugeot-Citroën para fabricar o hatch Peugeot 206 e a minivan Citroën Xsara Picasso — ocorreu pela familiaridade da linha de montagem com a plataforma modular CMP. O complexo fluminense já produzia os modelos Citroën C3, C3 Aircross e o cupê Basalt, o que permitiu integrar o quarto veículo aproveitando a cadeia de fornecedores locais e a logística já instalada. A operação fabril da Stellantis no município emprega cerca de 5.000 trabalhadores diretos e indiretos (com aproximadamente 2.000 operários atuando diretamente nas linhas de montagem), contou com a abertura de 300 novos postos de trabalho para a nova fase e utiliza mais de 300 robôs automatizados no processo produtivo.

O cronograma do veículo até a chegada às vitrines brasileiras levou quatro anos desde a estreia mundial no Salão de Paris, em 2022, e a conquista do troféu de Carro do Ano na Europa em 2023 com 323 pontos, ocasião em que superou a van elétrica Volkswagen ID.Buzz e o utilitário Nissan Ariya. No mesmo ano da premiação europeia, os primeiros protótipos camuflados iniciaram rodagens de validação nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Após o anúncio formal do investimento de R$ 3 bilhões em maio de 2024, a montagem das primeiras unidades de pré-série em Porto Real começou no início de abril de 2026 para calibrar o maquinário e programar a robótica, culminando na aparição pública sem camuflagem na orla de Copacabana durante um evento musical internacional antes do lançamento de agosto.

No cenário comercial brasileiro, onde os utilitários esportivos compactos respondem por cerca de 30% de todos os emplacamentos de automóveis leves segundo registros da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o modelo da Jeep enfrenta a concorrência direta de projetos recentes e de rivais de origem chinesa. Entre os competidores diretos estão o Volkswagen Tera (equipado com motor 1.0 turbo de 128 cavalos), o Renault Kardian (com propulsor 1.0 turbo de 125 cavalos), o Honda WR-V e o próprio Fiat Pulse, que pertence ao mesmo conglomerado automotivo. Com o reposicionamento da próxima geração do Renegade previsto para 2027 em um patamar superior de porte e sofisticação, a meta da montadora é que o modelo fabricado no Rio de Janeiro responda por 20% de todas as vendas da marca no país até 2028, além de abastecer mercados de exportação na América do Sul, como Argentina e Colômbia. A empresa ainda avalia a viabilidade econômica de produzir ou importar no futuro a configuração 4xe com tração nas quatro rodas movida por motores elétricos e a variante 100% elétrica já comercializada no Chile, mas ambas seguem sem confirmação oficial ou data de lançamento no mercado brasileiro.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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