Manaus enfrenta nono dia de fumaça, tem ar em nível perigoso e alerta severo da Defesa Civil

Fumaça cobre cidade de Manaus (AM) - Reprodução/Redes Sociais/val_amazon

Fumaça cobre cidade de Manaus (AM) - Reprodução/Redes Sociais/val_amazon

A capital Manaus amanheceu sob uma densa camada de fumaça neste sábado (17), completando o nono dia consecutivo sob o efeito das queimadas que atingem o Amazonas. A concentração de partículas finas de poluição superou em 59,2 vezes a média anual recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o que classificou a qualidade do ar como perigosa, motivou alerta de risco severo da Defesa Civil e suspendeu operações aéreas de combate ao fogo.

Por volta das 6h de 17 de outubro de 2026, a cidade registrou 441 pontos no Índice de Qualidade do Ar (AQI), indicador internacional que mede o grau de contaminação atmosférica, posicionando Manaus como a capital mais poluída do Brasil e com a pior qualidade do ar do mundo naquele horário, enquanto Porto Velho (RO), segunda capital mais poluída do país no ranking em tempo real da manhã, marcava 65 pontos. Nas redes sociais, um morador relatou o impacto da poluição na rotina local: “Mais um dia acordando com o fedor insuportável de fumaça. A qualidade do ar em Manaus continua PÉSSIMA e, mais uma vez, volto a dizer que sinto que estão tentando nos matar sufocados”, escreveu o usuário.

Foto: Satelite mostra Manaus encoberta por fumaça – Divulgação

Índices de poluição em Manaus e no interior do Amazonas

Os medidores registraram índices críticos na capital durante as primeiras horas da manhã. Às 6h, a concentração de material particulado fino (PM2.5, partículas inaláveis finas suspensas no ar) atingiu 295,9 µg/m³ na plataforma internacional IQAir, acima da diretriz anual de 5 µg/m³ da OMS. Já no Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que considera boa a qualidade do ar entre 0 e 25 µg/m³, a estação do bairro Coroado, na Zona Leste de Manaus, apontou nível péssimo às 6h55, com 457,7 µg/m³.

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A fumaça acumulada na capital tem origem nas queimadas realizadas no interior do Amazonas e em estados vizinhos, agravada pela falta de chuva e pela ação dos ventos, que mantêm as partículas suspensas por vários dias. Por volta das 7h16, o sistema Selva também registrou concentrações elevadas de poluentes em outros oito municípios amazonenses:

  • Urucurituba: 731,1 µg/m³
  • Maués: 724,7 µg/m³
  • Autazes: 607,3 µg/m³
  • Itacoatiara: 475,8 µg/m³
  • Manaquiri: 468,5 µg/m³
  • Iranduba: 407,7 µg/m³
  • Itapiranga: 278,1 µg/m³
  • Careiro da Várzea: 262,2 µg/m³

Investigação de incêndios criminosos e combate do Ibama no Amazonas

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que a baixa visibilidade causada pela fumaça impediu a realização de operações aéreas de combate aos incêndios florestais neste sábado (17). Na quarta-feira (14), o presidente da autarquia, Jair Schmitt, relatou que a tripulação de uma aeronave de lançamento de água filmou suspeitos ateando fogo na floresta e registrou as coordenadas geográficas para responsabilização.

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O governo federal e forças de segurança, incluindo Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil do Amazonas e Agência Brasileira de Inteligência, investigam a atuação coordenada por trás do fogo em Manaus e em outros 19 municípios próximos, com 120 procedimentos criminais abertos após sobrevoo do ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, na quarta-feira (14). Na sexta-feira (16), em Brasília, Capobianco declarou que suspeitos já foram localizados: “Vamos iniciar uma ação forte de investigação para identificar quem está operando esse conjunto enorme de incêndios e verificar se há uma organização por trás disso. E vamos punir aqueles que forem identificados de forma exemplar para que não fique na região uma sensação de impunidade”, afirmou o ministro, acrescentando que “deveremos ter em breve notícias importantes já de prisão, porque vários desses criminosos foram identificados”.

Para conter as chamas no estado, a força-tarefa federal mobilizou 330 brigadistas coordenados pelo Ibama e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), presidido por Mauro Pires, com o suporte de até 12 aeronaves (sete aviões de lançamento de água, dois de transporte e três helicópteros), 32 veículos terrestres, oito embarcações e R$ 45 milhões do Fundo Amazônia destinados ao projeto ProAmazon para o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas. Entre domingo (11) e sexta-feira (16), a operação extinguiu mais de 300 focos de incêndio, reduzindo os registros diários no estado do pico de 494 novos focos no sábado (10) para 188 na sexta-feira (16), segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Alerta da Defesa Civil e orientações de saúde em Manaus

Diante da piora do ar, que na sexta-feira (16) já havia levado a Secretaria Municipal de Educação (Semed) e a UEA a suspenderem as atividades presenciais, a Defesa Civil do Amazonas emitiu às 8h13 deste sábado (17) um alerta de risco severo associado a incêndios em áreas não protegidas. Enquanto o Ministério da Saúde monitora o consumo e o fornecimento de oxigênio na rede assistencial do estado para garantir insumos essenciais, os órgãos locais divulgaram medidas de proteção e canais de atendimento aos moradores:

  • Proteção individual: evitar exposição à fumaça, suspender atividades físicas ao ar livre e utilizar máscara ao sair de casa.
  • Cuidados domésticos: ingerir bastante água, manter portas e janelas fechadas e umidificar os ambientes.
  • Canais de emergência e denúncia: acionar o telefone 199 (Defesa Civil) ou 193 (Corpo de Bombeiros) para emergências, e o número 153 da Prefeitura de Manaus para denunciar queimadas ilegais.

As autoridades policiais ainda não divulgaram a quantidade exata de suspeitos identificados nem as datas para o cumprimento dos mandados de prisão. A retomada das operações aéreas do Ibama em Manaus permanece sem horário definido e depende da melhora nas condições de visibilidade.

Luís Henrique Costa: Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.