Vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula cai para 2,4 pontos no Ipespe

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Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação Foto: Senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Divulgação

A disputa presidencial de segundo turno coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 51,2% dos votos válidos e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,8%, configurando um cenário de empate técnico em todo o país. Os números fazem parte do levantamento divulgado neste sábado (17) pelo instituto Ipespe em parceria com a Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).

A distância entre os dois postulantes ao Palácio do Planalto nos votos válidos — conta que descarta votos em branco, nulos e indecisos — recuou para 2,4 pontos percentuais, patamar inferior à margem de erro máxima de 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos. No espaço de uma semana, a vantagem numérica do parlamentar do PL diminuiu 3 pontos percentuais, uma vez que a rodada anterior mostrava 52,7% para Flávio Bolsonaro contra 47,3% para o candidato petista.

Lula e Flávio Bolsonaro - Reprodução - Arte/Agência Brasil
Foto: Lula e Flávio Bolsonaro – Reprodução – Arte/Agência Brasil

Intenção de voto nos cenários estimulado e espontâneo da corrida presidencial

Quando os entrevistados recebem a lista com os nomes dos dois concorrentes na modalidade estimulada, Flávio Bolsonaro atinge 48% da preferência total do eleitorado, enquanto Lula soma 46%. Nessa simulação considerando o universo completo da amostra, os eleitores que declaram voto em branco ou nulo representam 3%, exatamente a mesma fatia de 3% dos que não souberam ou preferiram não responder. Em relação ao estudo publicado na semana anterior pelo instituto, o senador variou 1 ponto percentual para baixo, saindo de 49%, ao passo que o chefe do Executivo federal avançou 2 pontos percentuais sobre os 44% que detinha.

No questionamento espontâneo, aplicado sem a apresentação prévia dos candidatos aos cidadãos consultados, o representante do PL aparece com 47% das menções, diante de 44% do petista. Na rodada anterior, os índices espontâneos marcavam 48% e 43%, respectivamente. O levantamento atual aponta ainda que 5% afirmam não votar em nenhum dos dois ou anular no cenário espontâneo, enquanto 3% não responderam. O quadro de equilíbrio na corrida pelo voto válido repete a tendência verificada por outros institutos na mesma semana, como Datafolha e PoderData/Aya, que registraram 51% para Flávio Bolsonaro e 49% para Lula.

Taxas de rejeição idênticas, avaliação do governo federal e migração de eleitores

O estudo telefônico mapeou o teto de resistência aos nomes na cédula eletrônica e constatou um empate exato na rejeição: tanto Flávio Bolsonaro quanto Lula enfrentam a recusa de 47% dos eleitores brasileiros, que dizem não votar neles de jeito nenhum. Na medição precedente, a rejeição ao senador era de 46% e a do presidente estava em 49%. No recorte sobre o desempenho no horário eleitoral gratuito de rádio e televisão, 41% apontam que o candidato do PL realiza a melhor campanha, 36% preferem a propaganda de Lula, 5% avaliam ambas no mesmo nível e 18% não emitiram opinião.

Entre os segmentos demográficos e de transferência de votos do primeiro turno, o levantamento identificou comportamentos distintos no eleitorado. Na divisão por grupos sociais, Flávio Bolsonaro abre frente entre os homens (53%), os evangélicos (62%) e nas faixas de renda familiar acima de dois salários mínimos (54%), além de herdar 59% dos eleitores de Ronaldo Caiado (PSD), 50% dos votantes de Augusto Cury (Avante) e 40% dos apoiadores de Renan Santos (Missão). Por sua vez, Lula lidera entre as mulheres (51%), os cidadãos com mais de 60 anos (50%), os católicos (49%) e os que ganham até dois salários mínimos (54%), recebendo 31% dos votos de Cury, 20% dos de Renan Santos e 18% dos de Caiado.

Sobre o desempenho da atual administração federal, 48% dos participantes desaprovam o modo de governar de Lula, contra 45% que aprovam a gestão e 7% que não souberam opinar. No comparativo com o levantamento divulgado sete dias antes, a desaprovação ao governo recuou 2 pontos percentuais, pois marcava 50%, enquanto a taxa de aprovação se manteve estável em 45%.

Confira também: Lula põe TV Globo sob suspeição após almoço de Flávio Bolsonaro

Calendário da disputa pelo Planalto e histórico dos levantamentos

A reta final da campanha presidencial concentra eventos decisivos até a abertura das urnas. Os marcos da disputa pelo segundo turno seguem o seguinte cronograma:

  • 4 de outubro de 2026: Votação do primeiro turno, finalizada com 47,03% dos votos válidos (56,1 milhões de eleitores) para Flávio Bolsonaro e 45,16% (53,8 milhões) para Lula, a menor vantagem percentual entre os dois líderes desde a redemocratização do país.
  • 10 de outubro de 2026: Publicação da primeira rodada Ipespe/Abrapel no segundo turno (registro BR-00933/2026, com coleta entre 6 e 8 de outubro), que indicava 52,7% dos votos válidos para o senador e 47,3% para o presidente.
  • 13 a 15 de outubro de 2026: Aplicação das entrevistas telefônicas da segunda rodada do instituto em âmbito nacional.
  • 18 de outubro de 2026: Confronto direto entre os dois candidatos no primeiro debate televisivo do segundo turno, com transmissão da TV Bandeirantes (Band).
  • 25 de outubro de 2026: Realização da votação do segundo turno das Eleições 2026 em todo o território brasileiro.

Metodologia no TSE e roteiro dos candidatos para o fim de semana

Para compor os dados divulgados em 17 de outubro de 2026, o Ipespe/Abrapel entrevistou 1.500 eleitores de 16 anos ou mais por telefone, utilizando o sistema CATI. O estudo tem nível de confiança de 95,45%, custou R$ 105.000,00 pagos com recursos próprios e está protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00223/2026.

Nas agendas de campanha deste sábado (17), véspera do embate na TV Bandeirantes marcado para o domingo (18), os adversários adotaram estratégias opostas. Lula permaneceu em Brasília reservado à preparação para o debate televisivo, enquanto Flávio Bolsonaro participou de mobilizações de rua chamadas de “Bloquinho do 22” nas capitais Vitória (ES) e Salvador (BA), ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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