O Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que não vai retomar o horário de verão na temporada 2026/2027. A decisão acompanha os estudos prospectivos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e foi oficializada no relatório da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, datado de 31 de agosto de 2026, além de comunicada pela pasta em 21 de setembro de 2026. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), já havia reiterado na Empresa Brasil de Comunicação (EBC), durante o programa Bom Dia, Ministro, que o sistema opera com segurança energética completa e só adotaria a mudança nos relógios em caso de necessidade real.
Interrompida desde 2019 por decreto presidencial, a prática de adiantar os relógios em uma hora voltou a ser analisada em 11 de fevereiro de 2026, na 315ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE). O encontro estabeleceu 27 frentes de trabalho e determinou que o ONS medisse a eficácia da medida diante da configuração da matriz elétrica. Ao encerrar a avaliação no segundo trimestre, o órgão concluiu que o ajuste não é necessário para enfrentar o período seco e os horários de pico de carga.
- Relatórios técnicos do ONS e do CMSE descartam a necessidade de alterar os fusos na temporada 2026/2027.
- Reservatórios das usinas hidrelétricas operam com estabilidade e níveis acima das projeções para o período.
- Planejamento federal prioriza sistemas de baterias para compensar a intermitência das fontes eólica e solar.
Estabilidade das hidrelétricas e parecer do ONS sobre a demanda
O acompanhamento diário feito pelos especialistas do ONS aponta estabilidade nos volumes de água das hidrelétricas em todas as regiões. Essa reserva hídrica garante o abastecimento regular e dispensa intervenções de emergência na rotina da população.
De acordo com o posicionamento técnico do Ministério de Minas e Energia, o adiantamento dos relógios deixou de ser visto como uma ferramenta estrutural para suprir a demanda de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN). A pasta mantém a vigilância contínua sobre o fornecimento, mas sustenta que o planejamento concluído assegura o equilíbrio da rede.
Cronograma dos leilões de baterias da Aneel em dezembro de 2026
Em vez de alterar o horário oficial, a estratégia governamental concentra esforços na guarda de energia limpa para responder rapidamente à chamada rampa de carga no início da noite. Em 2 de junho de 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o marco regulatório para os Sistemas de Armazenamento de Energia (SAE), estabelecendo outorgas de autorização com validade de 35 anos.
As diretrizes definidas pela Portaria Normativa nº 136/2026 dividem a contratação inédita em dois certames online marcados para os dias 2 e 4 de dezembro de 2026. O Leilão nº 05/2026 exige o mínimo de 15% de conteúdo nacional certificado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), enquanto o Leilão nº 06/2026 é aberto a equipamentos de qualquer origem.
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Mudanças no consumo desde 1931 e operação das novas reservas
Instituído pela primeira vez em 1931, o horário de verão buscava aproveitar a luz natural para aliviar a rede elétrica no começo da noite. Com a popularização de lâmpadas LED e o uso intenso de aparelhos de ar-condicionado, o pico de consumo migrou para o período da tarde, reduzindo os ganhos econômicos da medida.
Para estabilizar a rede e evitar perdas na transição energética, as tecnologias de baterias permitem estocar a produção solar e eólica por até 22 horas. Nos contratos de 15 anos que serão disputados por empresas nacionais e estrangeiras em dezembro de 2026, os equipamentos terão potência mínima de 30 megawatts (MW), capacidade de entrega por quatro horas diárias sob comando centralizado do ONS e início de suprimento fixado para 1º de agosto de 2028.
