A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, virou meme nas redes sociais após atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e prometer um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. As declarações foram feitas em uma entrevista gravada no apartamento dela, em São Paulo, e exibida na noite deste sábado (17).
Diretora da RL Consultoria e Intermediações, Roberta Luchsinger afirmou aos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco que não poupará o presidente da República nem o filho dele nas investigações. “[A Polícia Federal] vai poder fazer o trabalho dela investigativo e contar com minha absoluta colaboração. Eu não vou poupar ninguém. Pode ser o presidente da República, que a meu ver é um grande mau caráter, é um grande mentiroso, e eu repito, um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente, ninguém, porque o que está em questão é a verdade”, declarou a empresária.
Roberta Luchsinger cita reuniões de Lulinha e reage nas redes
Durante a conversa exibida em 17 de outubro de 2026, a lobista também chamou o chefe do Executivo de “canalha” e levantou a hipótese de o presidente estar “senil e esclerosado”. Ela declarou que pretende colaborar com os investigadores para não assumir a responsabilidade sozinha pelos fatos apurados. “Inclusive, vou fazer uma delação premiada porque não serei eu o ‘boi de piranha’. Então, assim, o que eu fiz, se for crime, eu vou responder. Na minha cabeça não existe crime. Se for crime, eu vou responder, vou me defender, vou responder ao devido processo legal”, disse Roberta Luchsinger.
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A empresária relatou ainda que Lulinha se reuniu diversas vezes com ministros do governo federal, citando nominalmente o ministro de Estado Camilo Santana, e mencionou que o filho do presidente ajudou a construtora Empresa Construtora Brasil (ECB), pertencente ao grupo português Mota-Engil, a firmar contratos com a administração federal. Após a exibição da entrevista, opositores do governo, como Rubinho Nunes e Lucas Pavanato, passaram a compartilhar trechos das falas e apelidaram a lobista de “craque do jogo” nas redes sociais neste domingo (18), atribuindo a ela impacto direto na campanha petista à reeleição.
Governo Lula e ministérios negam relação com Roberta Luchsinger
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nota oficial ainda na noite de sábado (17), às 20h05, rebatendo as acusações da empresária. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimendo de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, informou o órgão.
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No mesmo comunicado, o Palácio do Planalto questionou o momento da divulgação das acusações e apontou motivação eleitoral no episódio. “Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores”, afirmou a Secom.
Além da Presidência da República, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério das Comunicações (MCom) divulgaram notas oficiais negando qualquer discussão ou tratativa administrativa com Roberta Luchsinger ou com o empresário Fábio Luís Lula da Silva. Em declarações públicas anteriores, concedidas entre agosto e outubro de 2026 ao comentar a apreensão do telefone celular da lobista pela Polícia Federal, o presidente Lula já havia se referido a ela como “pilantra” e “Vorcaro feminino”, em alusão a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Três inquéritos no STF miram Roberta Luchsinger e Lulinha
Aos 41 anos de idade, Roberta Luchsinger e o empresário Fábio Luís Lula da Silva são investigados pela Polícia Federal em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de tráfico de influência em órgãos do governo federal e por ligação com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Nos meses anteriores à entrevista, a diretora da RL Consultoria e Intermediações também foi alvo da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias e cobranças indevidas em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), sofrendo mandados de busca e apreensão, bloqueio judicial de bens e determinação para uso de tornozeleira eletrônica.
Apesar da manifestação pública da empresária sobre a intenção de colaborar com as autoridades, não há confirmação até o momento de que um acordo de delação premiada tenha sido formalizado ou assinado entre Roberta Luchsinger e a Polícia Federal ou o Ministério Público.
Deputados pedem proteção a Roberta Luchsinger antes da votação
Logo após a veiculação das declarações, o deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) e o líder da oposição na Câmara, deputado federal Gilberto Silva (PL-PB), protocolaram pedidos junto à Procuradoria-Geral da República (PGR), comandada pelo procurador-geral Paulo Gonet, à Polícia Federal e ao Ministério da Justiça. Os parlamentares solicitaram a inclusão imediata de Roberta Luchsinger e de suas filhas no programa federal de proteção a testemunhas, além da abertura de investigação sobre eventuais ameaças contra a empresária.
O episódio ocorre na última semana da campanha presidencial, que opõe o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), com debate televisivo marcado para este domingo (18) na Band e a votação do segundo turno das eleições presidenciais agendada para o próximo domingo, 25 de outubro de 2026.
