Lula e Lulinha negam acusações de Roberta Luchsinger no INSS

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Roberta Luchsinger - Instagram Foto: Roberta Luchsinger - Instagram

A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República e a defesa do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, divulgaram notas oficiais neste domingo, 18 de outubro de 2026, em Brasília, para rebater as declarações da empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger. O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou qualquer contato com a investigada e afirmou que o governo federal não mantém contratos com ela.

As manifestações ocorrem após Roberta Luchsinger afirmar, no sábado (17), que o filho do presidente se reunia semanalmente com ministros e que o próprio chefe do Executivo tinha conhecimento dos encontros. "Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores", informou em nota oficial.

lobista Roberta Luchsinger - Reprodução/Rede Sociais
Foto: lobista Roberta Luchsinger – Reprodução/Rede Sociais

Declarações de Roberta Luchsinger sobre Lulinha e ministros

Gravada em seu apartamento em São Paulo no sábado (17), a manifestação de Roberta Luchsinger trouxe a afirmação de que ela presenciou encontros frequentes entre Fábio Luís Lula da Silva e integrantes do primeiro escalão do governo federal. A empresária declarou que pretende firmar um acordo de delação premiada — benefício legal em que o investigado colabora com a Justiça em troca de redução de pena — sem poupar o presidente ou o filho dele, alegando ter sido usada como “boi de piranha” depois que Lula a chamou publicamente de “pilantra” em agosto de 2026.

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“É público, é notório que o Lulinha, inúmeras vezes, esteve com ministros. Inclusive, viajou para a casa do ministro Camilo [Santana] no Ceará”, disse Roberta Luchsinger. Na mesma ocasião, ela questionou o presidente sobre a atuação profissional do filho: “Com o que o filho dele trabalha? Ele já foi perguntar? Pergunta isso para o presidente. Ele sabe responder? Ele não sabe. Então, se ele quer emitir opinião sobre a minha vida, a minha moral e a minha conduta, ele tem que começar pela casa dele”.

A lobista admitiu ter participado de discussões sobre políticas públicas ao lado de Lulinha e de chefes de pastas ministeriais, com foco na comercialização de medicamentos à base de canabidiol, substância derivada da planta Cannabis usada em tratamentos médicos. Ela mencionou nominalmente o ministro da Educação, Camilo Santana, além de Leonardo Barchini, integrante do Ministério da Educação, e Frederico de Siqueira Filho, do Ministério das Comunicações. Os citados negaram qualquer tratativa com a empresária ou com o filho do presidente.

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Posicionamento de Lula e da defesa de Fábio Luís Lula da Silva

No comunicado oficial, a Presidência da República reiterou que Lula desconhece os relatos feitos pela empresária. "Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta", declarou.

Representada pelo advogado Guilherme Suguimori Santos, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva contestou as afirmações da empresária e sustentou que as declarações públicas dela divergem do depoimento prestado formalmente às autoridades policiais. Os advogados afirmaram que a postura da investigada reflete sua insatisfação com as declarações anteriores do presidente sobre o caráter dela e com o que classificaram como vazamentos ilegais voltados a pautar o debate público durante o período eleitoral.

Segundo a nota da defesa, as investigações em curso apresentam indícios de manipulação, direcionamento e “pescaria probatória”, termo jurídico usado para descrever a busca especulativa de provas sem indícios prévios contra um investigado. Como exemplo dessa prática, os defensores apontaram que a quebra do sigilo telefônico de Roberta Luchsinger na apuração sobre o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) buscou informações sobre Fábio Luís referentes a anos anteriores ao momento em que a empresária conheceu o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes.

“Fábio Luís Lula da Silva não cometeu nenhuma irregularidade e teve seus dados bancários, fiscais e telemáticos abertos, colocando-se à disposição da Justiça para colaborar com as investigações desde o primeiro momento. Sua relação com políticos de qualquer natureza, inclusive os que eventualmente se tornaram ministros de Estado, é de natureza pessoal e resultante de seu convívio desde a infância, sem qualquer troca de viés ilegal ou não republicano”, afirmou a defesa em nota, acrescentando que Lulinha não foi indiciado na operação do INSS e comprovará sua inocência nos autos assim que tiver acesso às provas do processo.

Inquéritos no STF e valores investigados na Operação Sem Desconto

Tanto Roberta Luchsinger quanto Fábio Luís Lula da Silva figuram como investigados em três inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça, responsável por autorizar as quebras de sigilo do caso. As apurações derivam da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS, além de suspeitas de tráfico de influência envolvendo agentes públicos e privados.

Herdeira de um ex-acionista do banco Credit Suisse, Roberta Luchsinger cumpre medidas cautelares, utiliza tornozeleira eletrônica e teve bens bloqueados após ser alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal em dezembro de 2025. Em depoimento prestado à corporação em maio de 2026, ela admitiu ter apresentado Lulinha ao empresário e lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e preso desde setembro de 2025 por suspeita de fraudes na autarquia, mas negou na ocasião a existência de repasses financeiros ilícitos ao filho do presidente. As apurações financeiras da Polícia Federal no caso envolvem os seguintes montantes:

  • R$ 300 mil: valor referente a um suposto pagamento efetuado por ordem de Antônio Carlos Camilo Antunes à empresa de Roberta Luchsinger, mesma quantia de uma suposta mesada mencionada por um ex-funcionário em depoimento à Polícia Federal;
  • R$ 1,5 milhão: montante total que a empresa RL Consultoria e Intermediações Limitada, registrada em nome de Roberta Luchsinger, teria recebido da Brasília Consultoria Empresarial Limitada, firma ligada a Antônio Carlos Camilo Antunes.

As acusações feitas por Roberta Luchsinger sobre uma suposta atuação de Lulinha junto a ministros para favorecer empresas privadas e a construtora portuguesa Mota-Engil permanecem sob investigação e não possuem confirmação judicial. O presidente Lula, a defesa de Fábio Luís e os integrantes dos ministérios mencionados negam todas as alegações.

Após a divulgação das declarações da empresária no fim de semana, parlamentares da oposição protocolaram pedidos de proteção policial para Roberta Luchsinger e suas duas filhas, sob a justificativa de preservar a integridade física da investigada durante o andamento dos inquéritos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2011. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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