A empresária e lobista Roberta Moreira Luchsinger afirmou neste sábado (17), em São Paulo, que pretende firmar um acordo de delação premiada com as autoridades sem poupar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o filho dele, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Investigada pela Polícia Federal, ela chamou o chefe do Executivo de “canalha”, “covarde”, “mau-caráter” e “grande mentiroso”.
As declarações ocorreram após o presidente afirmar em 1º de outubro de 2026 que não a conhecia, classificá-la como “pilantra muito grande” e compará-la ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, chamando-a de “Vorcaro feminino”. Roberta declarou que tomou a decisão de colaborar para não servir de “boi de piranha” nas investigações e disse receber mais de 50 ameaças de morte por dia desde as falas do petista, acrescentando que suas duas filhas também sofrem ameaças e bullying. “Eu não vou poupar nenhum detalhe, eu não vou poupar ninguém. Pode ser presidente da República, que, a meu ver, é um grande mal-caráter, é um grande mentiroso. E, eu repito: um grande covarde. Não vou poupar filho de presidente”, disse Roberta.
Acusações de Roberta Luchsinger sobre reuniões de Lulinha
Segundo a lobista, Lula mente ao negar encontros do filho com integrantes do primeiro escalão, pois Lulinha se reunia semanalmente com ministros e viajou para a residência do integrante do governo federal Camilo Santana, no Ceará. Ela acrescentou que ministros frequentavam a casa dela em busca de agenda com o presidente, que tinha ciência das reuniões promovidas pelo filho. “É público, é notório que o Fábio Luís, o Lulinha, inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive viajou para a casa de ministro, do ministro Camilo [Santana]. Então, Lula é um grande mentiroso quando fala ‘ela é uma pilantra, mas meu filho não. Meu filho jamais se sentava com ministro’. Mas o filho dele sentava semanalmente com ministro, seja para trocar figurinha, para trocar qualquer tipo de diálogos”, afirmou.
A investigada também relatou que o filho do presidente mantinha encontros frequentes com Amauri Rodrigues Pinha, presidente da Empresa de Construção Brasil (ECB), ligada à empreiteira portuguesa Mota-Engil. De acordo com a empresária, o executivo seria vizinho de Lulinha, e a empresa dele venceu o leilão bilionário para construir o túnel submerso entre Santos e Guarujá. Apesar do anúncio de delação, Roberta não confirmou se já iniciou tratativas formais junto à Polícia Federal ou à Procuradoria-Geral da República (PGR), e as citações sobre a construtora portuguesa foram relatadas como conversas ouvidas por ela, sem apresentação de provas documentais.
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Inquéritos no STF sobre Roberta Luchsinger e Lulinha
A Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal (STF) conduzem três inquéritos que citam Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva por suspeita de tráfico de influência, sendo dois sob relatoria do ministro André Mendonça e um terceiro com o ministro Flávio Dino. Alvo da Operação Sem Desconto — que apura cobranças e descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) —, a lobista sofreu busca e apreensão, bloqueio de bens e ordem para uso de tornozeleira eletrônica, em uma investigação que verifica se ela, Lulinha e Fernando Bittar integravam um núcleo para defender interesses privados no governo, incluindo tratativas em favor do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, para vender produtos de canabidiol ao Ministério da Saúde entre o fim de 2024 e o início de 2025.
Em depoimento à Polícia Federal em maio de 2026, a empresária admitiu ter apresentado Lulinha a Antunes, mas negou repasses financeiros ao filho do presidente e declarou ter rompido o contrato quando o caso do INSS veio à tona. Em julho de 2026, os advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins pediram ao ministro André Mendonça o arquivamento do inquérito pela PGR, sustentando que os serviços prestados ao Careca do INSS eram estudos regulares sobre regulação de canabidiol com nota fiscal. Ex-esposa do ex-delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz e candidata a deputada estadual em São Paulo pelo PT em 2018, Roberta também mencionou empréstimos feitos a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete da Presidência, cuja defesa informou que os valores eram empréstimos pessoais já quitados integralmente.
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Respostas do Planalto e pedido à PGR sobre Roberta Luchsinger
A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República divulgou nota oficial neste sábado (17) rebatendo as declarações da investigada. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desconhece inteiramente os fatos relatados pela senhora Roberta Luchsinger. Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta”, informou a Secom, acrescentando que causa estranheza o lançamento de denúncias sem comprovação às vésperas do segundo turno da eleição.
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Por meio de assessoria, Camilo Santana declarou que nunca esteve com Lulinha para tratar de negócios ou assuntos de governo e negou relação com a empresária, enquanto os ministérios da Educação e das Comunicações também negaram tratativas com ambos. Na noite deste sábado (17), o deputado federal e líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, enviou ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitando a inclusão de Roberta no Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita) e a abertura de investigação criminal sobre as ameaças relatadas e sobre as condutas de Lula, Lulinha e Camilo Santana.
