As startups do agronegócio instaladas em Lages, na Serra Catarinense, desenvolveram um teste rápido único no mundo capaz de identificar vacas produtoras de Leite A2 diretamente na propriedade rural, além de sistemas para análise de sementes e regeneração do solo. O conjunto de tecnologias, apresentado neste domingo (18) pelo programa Agro Saúde e Cooperação, permite entregar o diagnóstico do leite em 20 minutos a partir de poucas gotas do produto, dispensando exames laboratoriais de genotipagem.
As soluções criadas pelas agtechs (empresas de tecnologia voltadas ao setor agropecuário) buscam ampliar o lucro, a sustentabilidade ambiental e a segurança sanitária das propriedades rurais catarinenses. Entre os projetos desenvolvidos no polo tecnológico da região estão o uso combinado de microalgas e bactérias para o tratamento de efluentes e melhoria da terra, bem como testes fitossanitários rápidos que evitam a perda de lavouras inteiras de grãos.
Scienco Biotech reduz diagnóstico do Leite A2 para 20 minutos
O exame batizado de Dairy Tech (também registrado como MilkTest) foi criado no Brasil pela startup lageana Scienco Biotech, residente no Orion Parque Tecnológico. Até o desenvolvimento dessa ferramenta, a verificação do Leite A2 — produto livre da proteína beta-caseína A1, indicado como alternativa para consumidores que sofrem com desconfortos digestivos — dependia exclusivamente da genotipagem, um procedimento laboratorial de mapeamento genético mais caro e demorado para o pecuarista.
Acompanhe: Idosa de 80 anos sobrevive a atropelamento por moto em Lages
“Somos uma empresa de biotecnologia, 100% nacional, que desenvolve testes de diagnóstico inovadores com baixo custo, que possam ser usados por todos os produtores, agregando valor”, afirmou Maria de Lourdes Borba Magalhães, professora da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e diretora-executiva (CEO, na sigla em inglês) da Scienco Biotech.
Fundada em 2016 a partir de pesquisas acadêmicas conduzidas no Centro de Ciências Agroveterinárias da Universidade do Estado de Santa Catarina (CAV/Udesc), a empresa já leva suas ferramentas de diagnóstico para fora do país. Atualmente, a agtech exporta tecnologias para mercados como Portugal, Coreia do Sul, Colômbia e Nova Zelândia, país onde atua como fornecedora da A2 Milk Company.
Leia também: Lages em Santa Catarina emite 'atestado de banho' em brincadeira sobre frio intenso recorde
Alga&nzyme e Plant Colab atuam em lavouras e efluentes em Lages
Além da pecuária leiteira, o ecossistema de inovação da Serra Catarinense abriga projetos voltados à proteção de cultivos agrícolas e ao reaproveitamento de resíduos no campo. No mesmo parque tecnológico de Lages operam a Alga&nzyme, reconhecida em 2 de setembro de 2026 como uma das primeiras empresas-filhas da Udesc Lages, e a Plant Colab, criada em 2022 com foco em fitopatologia (ciência que estuda as doenças das plantas).
A Alga&nzyme é liderada pela doutoranda da Udesc Lages e fundadora do negócio, Thaís Agda Rodrigues da Cruz Primo, e atua no tratamento terciário de efluentes por meio de microalgas, transformando a biomassa gerada durante a limpeza da água em bioinsumo agrícola para o solo. A empresa foi a única representante da Serra Catarinense entre as 20 selecionadas na 6ª edição do edital Acelera Startup SC, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), e conquistou o terceiro lugar no programa nacional Empreendedoras Tech em 2026. Já a Plant Colab desenvolve diagnósticos fitossanitários rápidos para orientar a tomada de decisão dos agricultores e impedir que pragas destruam plantações de grãos.
Faturamento no Orion Parque Tecnológico passa de R$ 200 milhões
O avanço das agtechs em Lages ocorre dentro da estrutura do Orion Parque Tecnológico, que completou dez anos de operação reunindo dezenas de negócios de base científica e tecnológica. Os números consolidados do complexo de inovação e das empresas residentes demonstram o impacto financeiro e os marcos recentes alcançados pelas iniciativas da região:
- Empresas abrigadas no Orion Parque Tecnológico em 10 anos: mais de 50 negócios e startups.
- Faturamento conjunto acumulado pelas residentes do parque em uma década: mais de R$ 200 milhões.
- Premiação recebida pela Alga&nzyme pelo 3º lugar no Empreendedoras Tech 2026: R$ 15 mil.
- Data da vitória da Scienco Biotech no South Summit Brazil 2026: 31 de março de 2026.
Prêmio da Scienco Biotech no South Summit Brazil 2026
A tecnologia do teste rápido de Leite A2 projetou o polo de Lages no cenário internacional no primeiro semestre de 2026. Em março de 2026, a Scienco Biotech venceu o prêmio principal da Startup Competition do South Summit Brazil 2026, evento realizado em Porto Alegre (RS), após superar mais de três mil startups inscritas na disputa com a ferramenta Dairy Tech.
"O reconhecimento no South Summit foi um marco muito importante na nossa trajetória, principalmente pela visibilidade global que o evento proporciona", informou em nota divulgada pela Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).
Para a direção do complexo de inovação lageano, a presença das empresas locais em disputas internacionais consolida o trabalho de incubação feito no interior do estado. “Estar na final do South Summit é aparecer para investidores, empresas e líderes globais em inovação. Independente do resultado lá no evento, já é uma grande conquista para a Scienco, para o ecossistema de inovação da Serra Catarinense, para as startups de agrobiotecnologia e para o Orion Parque Tecnológico, que acompanha, apoia e impulsiona estes empreendimentos”, declarou Claiton Camargo de Souza, diretor-executivo do Orion Parque Tecnológico.
A apresentação original do episódio exibido em 18 de outubro de 2026 descreveu as três frentes tecnológicas desenvolvidas na Serra Catarinense — o exame de Leite A2, a análise fitossanitária e o uso de microalgas — sem listar as razões sociais no resumo escrito do programa. A confirmação nominal das três residentes do polo de Lages responsáveis por cada solução (Scienco Biotech, Alga&nzyme e Plant Colab) baseia-se nos registros públicos do parque tecnológico, da Udesc e da Fapesc.
