A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) manteve o rodízio municipal de veículos em São Paulo nesta segunda-feira (19), apesar da greve de motoristas e cobradores que operam as linhas da antiga Transwolff na Zona Sul da capital. A paralisação atingiu 67 linhas de ônibus do lote D10, de cor azul-clara, e prejudicou cerca de 267 mil passageiros segundo dados da Prefeitura e da própria companhia de trânsito.
No início da manhã, a lentidão no trânsito da Zona Sul alcançou 192 quilômetros de acordo com o monitoramento da CET. Para tentar reduzir o impacto aos usuários do transporte público, a Prefeitura de São Paulo e a São Paulo Transporte (SPTrans), estatal municipal que administra o sistema de ônibus da capital, acionaram o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese), mecanismo que desloca coletivos de outras viações para cobrir trajetos paralisados, além de solicitarem reforço policial para as duas garagens dos lotes envolvidos.
Regras do rodízio da CET e terminais afetados na Zona Sul
A decisão da CET de não suspender a restrição veicular mantém as regras habituais de circulação no centro expandido da capital paulista em 19 de outubro de 2026. Enquanto os ônibus de cor vinho, que integram o lote D11, continuaram circulando normalmente sob administração da SPTrans, os passageiros que dependem exclusivamente do lote D10 encontraram garagens fechadas, com liberação restrita apenas às vans destinadas ao transporte de cadeirantes e pacientes em tratamento de hemodiálise.
- Placas com restrição nesta segunda-feira (19): finais 1 e 2.
- Horários de vigência do rodízio: das 7h às 10h e das 17h às 20h.
- Regra na área vermelha: circulação proibida para automóveis e caminhões nos horários de pico.
- Regra nas vias limítrofes: proibição restrita a automóveis nos mesmos horários, com circulação liberada para caminhões.
- Terminais afetados pela greve: Grajaú, Varginha, Parelheiros e Santo Amaro.
- Bairros com atendimento prejudicado: Jardim Noronha, Cocaia, Cantinho do Céu, Marsilac e Ilha do Bororé.
Reivindicações dos motoristas do lote D10 e protesto em Parelheiros
Os trabalhadores cruzaram os braços no começo da manhã e realizaram um protesto em frente à garagem localizada em Parelheiros, no extremo sul da cidade, onde exibiram uma faixa com a frase “Chega de silêncio”. A categoria cobra esclarecimentos e a entrega de comprovantes referentes aos depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e às contribuições pagas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), além de reivindicar melhorias no valor do vale-alimentação e soluções para pendências no plano de saúde.
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De acordo com o motorista Júnior Araújo, que participou da manifestação na porta da garagem, o encerramento da greve foi condicionado pelos funcionários à apresentação de documentos que comprovem a regularidade dos repasses trabalhistas por parte do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e do secretário municipal de Mobilidade Urbana e Transporte, Celso Jorge Caldeira. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a previsão de encerramento da paralisação ou de retorno integral da frota do lote D10 às ruas.
Posicionamento da SPTrans e do Sindimotoristas sobre a paralisação
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans classificaram o movimento grevista como ilegal, sob o argumento de que a paralisação descumpriu a exigência legal de aviso prévio mínimo de 72 horas para serviços considerados essenciais. Em nota oficial, a SPTrans informou que os salários e benefícios dos trabalhadores estão em dia e que os valores referentes ao FGTS e ao INSS são depositados integralmente em juízo, enquanto o município aguarda uma decisão judicial sobre o caso. A estatal acrescentou que realiza uma licitação para contratar uma nova operadora de plano de saúde e que, até a conclusão do certame, os empregados recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo de trabalho.
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O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindimotoristas) informou que não foi comunicado oficialmente sobre a realização da greve na Zona Sul e sustentou que as demandas da categoria devem ser conduzidas pelos canais formais de negociação. “O Sindimotoristas repudia qualquer ação que contrarie ou prejudique os direitos e interesses da categoria e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos assegurados aos trabalhadores”, declarou a entidade sindical em nota.
Intervenção na antiga Transwolff e Operação Vectura Corrupta
As linhas afetadas pela paralisação pertenciam à empresa Transwolff, que sofreu intervenção da Prefeitura de São Paulo em abril de 2024 após investigações apontarem suspeitas de vínculo da concessionária com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Em dezembro de 2025, a gestão municipal decretou a caducidade do contrato de concessão, ato administrativo que extingue o vínculo por descumprimento grave de obrigações, fazendo com que a SPTrans assumisse de forma direta a operação, a administração e a responsabilidade trabalhista sobre os lotes D10 e D11.
O impasse trabalhista ocorre no mesmo mês em que foi deflagrada a Operação Vectura Corrupta, investigação de outubro de 2026 que apura o suposto controle do PCC sobre 12 das 22 empresas de ônibus do sistema municipal paulistano e que resultou nas prisões do ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e do ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União). Como parte do processo de desvinculação da antiga operadora, a Prefeitura concluiu na última quinta-feira (15) a licitação para contratar a empresa encarregada dos serviços de funilaria e da retirada dos adesivos com a identidade visual da Transwolff dos ônibus, com início da substituição previsto para os dias seguintes.
