Cientistas brasileiros somam 1.510 nomes em lista mundial de 2026

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Cientistas, laboratório, pesquisas médicas Foto: Cientistas, laboratório, pesquisas médicas - gorodenkoff/ Istockphoto.com

Um levantamento elaborado pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a editora Elsevier, apontou que 1.510 cientistas brasileiros ou que atuam no país estão entre os mais influentes do mundo em 2026. O número divulgado em 7 de outubro de 2026 representa um crescimento de 3,4% na comparação com 2025, quando o país registrou 1.461 pesquisadores na relação internacional.

Apesar do acréscimo de 49 nomes no período de um ano, o Brasil manteve a 24ª colocação no ranking global de nações, mesma posição registrada no levantamento anterior. A liderança mundial permanece com os Estados Unidos, que somam 73.638 pesquisadores listados, seguidos pela China, com 37.203, pelo Reino Unido, com 18.300, pela Alemanha, com 10.938, e pela Austrália, que contabiliza 8.971 representantes.

Pesquisadores e 259 instituições do Brasil em destaque

A edição de 2026 reúne representantes vinculados a 259 instituições de ensino e pesquisa localizadas em território brasileiro. A Universidade de São Paulo (USP) ocupa a primeira posição nacional com 282 cientistas selecionados, seguida pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Cientistas reunidos, pesquisa - Gorodenkoff/shutterstock.com
Foto: Cientistas reunidos, pesquisa – Gorodenkoff/shutterstock.com

Na região Sul, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aparece na nona colocação entre as instituições brasileiras avaliadas no ranking, contabilizando 33 cientistas na listagem mundial.

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Entre os profissionais mais bem posicionados que desenvolvem seus trabalhos em centros e universidades do Brasil, o levantamento destaca especialistas da saúde, física, agronomia, epidemiologia e climatologia. O médico Carlos Augusto Monteiro, da USP, o físico Constantino Tsallis, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), o engenheiro Jayme Garcia Arnal Barbedo, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o epidemiologista Cesar Gomes Victora, da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e o físico José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), figuram entre os principais nomes nacionais.

O documento também registra a presença da pesquisadora Deborah Malta, da UFMG, além dos cientistas Pedro Henrique Brancalion, Paulo Artaxo, Mayana Zatz e Ester Sabino, todos vinculados à USP.

Critérios do c-score e regras de integridade de Stanford

Para definir os nomes mais influentes do planeta, John Ioannidis aplica um índice composto denominado c-score, métrica que calcula o impacto de um pesquisador avaliando o volume de citações recebidas quando ele assina estudos como autor único, primeiro autor ou último autor. Os dados de acesso público e gratuito são extraídos da plataforma Scopus, base mundial de resumos e citações de literatura científica revisada por pares, considerando artigos publicados até o fim de 2025 em periódicos como Lancet e Cell.

A avaliação acadêmica divide a produção global em 20 áreas e 174 subáreas do conhecimento humano, selecionando os 100 mil cientistas com a maior pontuação no índice composto ou aqueles que figuram entre os 2% mais bem classificados dentro de cada subárea específica. Segundo o responsável pelo estudo na Universidade de Stanford, essa divisão por especialidade evita distorções estatísticas provocadas pelo tamanho desigual das comunidades acadêmicas pelo mundo.

“Seria injusto comparar cientistas de uma subárea com poucos pesquisadores e poucos artigos publicados com alguém que trabalha em uma área com muitos cientistas, muitos artigos e onde é fácil acumular um grande número de citações”, disse John Ioannidis.

Desde a edição de 2024, o banco de dados incorporou registros sobre a quantidade de artigos retratados, ou seja, estudos cancelados após a publicação por falhas ou fraudes, excluindo os casos provocados por erros formais da própria revista ou editora. Esse filtro funciona como um alerta sobre a integridade científica de autores com alto volume de citações e afeta o desempenho de países com expansão acelerada.

“Países como China e Índia têm um crescimento muito mais expressivo do que o Brasil, embora muitos deles apresentem sinais de problemas de integridade científica”, afirmou Ioannidis.

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Investimentos do PIB e análise do CNPq sobre a produção

O físico e presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Olival Freire Jr., avalia que a ampliação de 1.461 para 1.510 representantes brasileiros acompanha a reorganização do trabalho acadêmico no país após a crise sanitária global e a reabertura de linhas de fomento público. A partir de 2024, o setor contou com a retomada de recursos federais, somando três editais universais lançados pelo CNPq desde 2023, frente a apenas um edital realizado durante o governo anterior.

“O Brasil teve um pico na produtividade científica mundial pré-pandemia, com cerca de 3% de todos os artigos científicos produzidos, mas houve uma queda nesse número em 2022 e 2023. A partir de 2024, teve uma recuperação, mas essa taxa se relaciona primeiro a uma certa normalização da atividade científica no pós-pandemia”, afirmou o presidente do CNPq.

Apesar do avanço no número absoluto de cientistas listados por impacto na carreira e no último ano, a proporção de recursos financeiros destinados ao setor recuou na última década. A participação dos investimentos em pesquisa e inovação dentro do Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas pelo país) caiu de 1,28% em 2015 para 1,19% em 2026, retração que, na avaliação de John Ioannidis, pode ter limitado uma aceleração maior do Brasil na tabela global.

Olival Freire Jr. pondera que classificações baseadas exclusivamente em citações e dados bibliométricos possuem limitações e devem ser observadas com cautela. Para o dirigente, o cálculo não capta outros fatores da atividade acadêmica, como a formação de novos pesquisadores nas universidades e a elaboração de estudos voltados a embasar políticas públicas no país.

“Esses resultados sempre têm que ser comparados com um conjunto de outros indicadores que sinalizam o impacto de uma pesquisa científica”, declarou Freire Jr.

Janderson Luiz é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024. Formação: Atleta Profissional de Futebol

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