A localização remota do código IMEI permite que vítimas de roubo ou furto identifiquem e bloqueiem aparelhos Android e iPhone gratuitamente no Brasil. O sistema nacional que reúne esses registros soma 2,9 milhões de telefones com restrição ativa nas redes de telecomunicações em todas as 27 unidades da Federação.
O código IMEI (International Mobile Equipment Identity, ou Identidade Internacional de Equipamento Móvel) é uma sequência global de 15 dígitos gravada na estrutura e na memória de cada telefone. “Fazendo uma analogia, o IMEI equivale ao número de chassis de um carro, ou seja, é único para cada aparelho celular”, informou a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Quando ativado o bloqueio, o dispositivo perde a capacidade de realizar chamadas, enviar mensagens e acessar a internet móvel em qualquer operadora do país.
Localização do código IMEI pelo Google, pela Conta Apple e na caixa
Consumidores que estão com o telefone em mãos conseguem visualizar a numeração digitando o código *#06# diretamente no teclado de chamadas. Em modelos que aceitam mais de um chip físico ou virtual (tecnologias Dual SIM ou eSIM), o sistema atribui um número de identificação diferente para cada linha, exigindo que o titular verifique e anote cada sequência de forma separada para eventual bloqueio. Nos casos em que o crime já ocorreu e o proprietário não tem mais acesso físico ao dispositivo, a numeração permanece disponível em documentos de compra ou nos painéis de gerenciamento em nuvem mantidos pelas fabricantes do sistema operacional.
A recuperação do número sem o aparelho exige o acesso às plataformas digitais ou aos comprovantes físicos guardados pelo comprador:
- Embalagem e documentos: o código vem impresso na etiqueta colada na parte traseira ou lateral da caixa original do smartphone, na nota fiscal de compra e no comprovante enviado por lojas online; em aparelhos antigos com bateria removível, fica em um adesivo interno junto ao compartimento do chip.
- Conta Apple (iPhone): o usuário deve acessar a página oficial de gerenciamento da Conta Apple (account.apple.com) pelo navegador, fazer login com suas credenciais, rolar até a seção “Dispositivos” e selecionar o iPhone procurado para exibir a numeração na tela.
- Localizador do Google (Android): o titular precisa entrar na plataforma Encontre Meu Dispositivo (www.google.com/android/find), conectar-se à conta Google vinculada ao telefone, selecionar o aparelho listado e clicar no ícone de configurações em formato de engrenagem para ler o código.
Verificação de restrições do IMEI na Anatel e no BNCR
A checagem da situação legal de um telefone antes da compra de um modelo usado ou após um crime ocorre de forma gratuita em duas frentes integradas ao Banco Nacional de Celulares com Restrição (BNCR). Na página do programa Celular Legal, mantida pela Anatel e atualizada em 17 de junho de 2026, o cidadão seleciona a opção de consulta ao final da tela, digita os 15 dígitos do aparelho e confirma a verificação de segurança para receber o diagnóstico em poucos segundos. O portal do programa Celular Seguro
, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, também disponibiliza os botões diretos “Consultar IMEI” e “Celulares com Restrição” para indicar imediatamente se o equipamento consta como roubado, furtado ou perdido.Veja também: Celular Seguro permite travar linhas e contas bancárias com acionamento de emergência
Regras de bloqueio do IMEI e modalidades no Celular Seguro
A emissão de alertas para inutilizar aparelhos roubados passou por mudanças estruturais anunciadas pelo secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Manoel Neto. Desde 11 de dezembro de 2025, o Celular Seguro deixou de exigir que o telefone esteja previamente cadastrado na plataforma ou que a vítima saiba o número do IMEI para acionar o bloqueio, bastando que o titular da linha acesse o sistema com o mesmo CPF da conta Gov.br em outro dispositivo e informe o número do telefone, a data e o horário do crime em até 15 dias após a ocorrência.
Para quem realiza o cadastro preventivo na plataforma ou no aplicativo disponível na Google Play Store e na App Store, o sistema permite registrar “Contatos de Confiança”, que ficam autorizados a emitir o alerta em nome da vítima logo após o delito. O guia operacional atualizado pelo Ministério das Comunicações em 7 de agosto de 2026 detalha que o usuário pode escolher entre duas modalidades ao registrar a ocorrência na seção “Emitir Alerta”: o “Bloqueio Total”, que corta simultaneamente a linha telefônica, o acesso a contas em instituições financeiras parceiras e o código IMEI; ou o “Modo Recuperação”, que suspende a linha e os aplicativos bancários, mas preserva o identificador do aparelho ativo. “A funcionalidade ‘modo recuperação’ não inutiliza o IMEI, o que possibilita que o celular seja habilitado novamente na rede, facilitando sua recuperação pelas forças policiais”, declarou o Ministério da Justiça e Segurança Pública na descrição oficial da ferramenta.
Decreto nº 13.034 e o volume de roubos de celulares no Brasil
A integração das ferramentas de consulta e restrição atende a uma demanda de segurança pública dimensionada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, cujo levantamento aponta um total anual de 917.748 celulares roubados ou furtados no Brasil, o equivalente a uma média de dois aparelhos subtraídos por minuto. Para centralizar o combate ao comércio ilegal desses equipamentos, o Governo Federal editou em junho de 2026 o Decreto Presidencial nº 13.034. A norma transformou o Programa Nacional Celular Seguro em política pública de caráter permanente e instituiu oficialmente o BNCR, unificando em uma única base os registros das Polícias Civis dos 26 estados e do Distrito Federal, da Anatel e das operadoras de telefonia móvel.
