Horário de verão nos Estados Unidos termina em 1º de novembro de 2026 sob pressão de Donald Trump no Congresso

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Relogio bandeira dos Estados Unidos conceito de horário de verão Foto: Relogio bandeira dos Estados Unidos conceito de horário de verão - Foto: SomeMeans/ iStock

Cerca de 300 milhões de pessoas nos Estados Unidos atrasam os relógios em uma hora às 2h locais de 1º de novembro de 2026, data que encerra o horário de verão no país e retoma o horário padrão. A mudança vale para a maior parte do território norte-americano, com exceção do Havaí e de quase todo o estado do Arizona, para ampliar a claridade natural nas primeiras horas da manhã durante o inverno. O calendário é regido pela Lei de Tempo Uniforme de 1966, que organiza a transição anual nos estados participantes.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, do Partido Republicano, atua pelo fim das alterações semestrais nos relógios, classificando o modelo vigente como caro e inconveniente. Em outubro de 2026, o chefe do Executivo cobrou publicamente os parlamentares do Senado para que aprovem a legislação que fixa o horário, após a Câmara dos Representantes ter dado aval à medida em julho. A cobrança expõe o impasse no Congresso sobre a adoção de um fuso permanente antes da chegada do inverno.

Com o atraso de 60 minutos nos ponteiros, a população ganha uma hora extra de sono na madrugada de domingo, mas passa a enfrentar o pôr do sol mais cedo no fim da tarde. Em 2025, o retorno ao horário padrão ocorreu em 2 de novembro, diferença explicada pela variação anual das datas no calendário.

  • Início do ciclo em 2026: 8 de março.
  • Duração total da medida: oito meses (34 semanas ou 238 dias).
  • Regiões fora da mudança: Havaí, Arizona (exceto a Nação Navajo) e territórios como Porto Rico, Guam, Samoa Americana, Ilhas Marianas do Norte e Ilhas Virgens Americanas.

Primeira Guerra Mundial e crise do petróleo moldaram o calendário nos EUA

O uso do horário adiantado nos Estados Unidos começou em 1918, durante a Primeira Guerra Mundial, a partir do modelo criado pela Alemanha em 1916 para poupar combustível e energia elétrica. Ao longo do século 20, a regra foi suspensa e retomada em momentos de emergência econômica ou militar, como na Segunda Guerra Mundial e durante o embargo do petróleo de 1973.

A configuração de oito meses vigora desde 2007, conforme a Lei de Política Energética de 2005, determinando que os relógios avancem no segundo domingo de março e recuem no primeiro domingo de novembro. No calendário de 2026, esse intervalo compreende o período de 8 de março a 1º de novembro, em sintonia com o cronograma adotado em países vizinhos como o Canadá e áreas fronteiriças do México.

Donald Trump
Donald Trump – Foto: noamgalai / Shutterstock.com

Estudos apontam queda em crimes à tarde e custos na troca de horário

Levantamentos sobre segurança pública e atividades comerciais indicam que a claridade prolongada no fim do dia reduz a ocorrência de crimes em até 7% nos horários iluminados. Setores de turismo e varejo registram aumento no consumo com o público permanecendo mais tempo ao ar livre, fator que leva 58% dos norte-americanos a preferirem o horário adiantado para atividades noturnas, segundo pesquisa de 2021.

A manutenção de regras alinhadas a outros fusos internacionais também preserva a rotina de operações financeiras e de logística no comércio exterior. O sincronismo com nações parceiras evita atrasos em cadeias de suprimentos e no fechamento de negócios.

Por outro lado, opositores do modelo apontam perdas de produtividade calculadas em bilhões de dólares todos os anos por causa do desgaste físico na transição. Relatórios apresentados ao Congresso mostram ainda que a economia de energia elétrica é baixa, já que o menor uso de lâmpadas à noite é anulado pelo funcionamento prolongado de aparelhos de ar-condicionado.

Entidades médicas alertam para riscos no trânsito e perda de sono

Dados da Academia Americana de Medicina do Sono (American Academy of Sleep Medicine, entidade médica norte-americana especializada em distúrbios do sono) apontam alta de 6% nas colisões de trânsito logo após o adiantamento dos relógios na primavera, reflexo direto da privação de descanso. Médicos e pesquisadores da área defendem a manutenção do horário padrão durante os 12 meses do ano para respeitar o ritmo biológico humano.

Donald Trump já havia mencionado em março de 2025 a divisão de opiniões sobre o tema no país, mas endureceu o discurso em outubro de 2026 ao exigir que a bancada republicana destrave a pauta. Levantamentos de opinião realizados em 2021 mostram que 75% da população rejeita a obrigação de mexer nos ponteiros duas vezes ao ano.

No âmbito estadual, cerca de 30 assembleias legislativas discutem projetos para encerrar a troca semestral de horário. Governos como os da Flórida e do Texas já aprovaram medidas locais para manter o horário de verão fixo, mas a execução depende de autorização federal do Congresso em Washington.

Câmara aprova Sunshine Protection Act por 308 a 117, mas texto trava no Senado

Batizado de Sunshine Protection Act (Lei de Proteção à Luz Solar, projeto federal que torna o horário de verão permanente nos Estados Unidos), o texto H.R. 139, apresentado pelo deputado republicano Vern Buchanan, da Flórida, foi aprovado na Câmara dos Representantes em 14 de julho de 2026 por 308 votos a 117. Em 2022, uma versão da proposta havia passado pelo Senado por unanimidade, mas perdeu validade sem votação dos deputados; em 2025, a iniciativa reuniu 45 coautores dos dois partidos e recebeu apoio de Trump em abril.

Mesmo com o avanço na Câmara em julho, o projeto encontrou resistência no Senado em outubro de 2026. O líder da maioria no Senado, o republicano John Thune, declarou que ainda não há consenso entre os senadores para pautar a votação final, enquanto o senador republicano Tom Cotton, do Arkansas, manifestou oposição ao texto argumentando que a medida obrigaria crianças a irem para a escola no escuro durante o inverno. Enquanto Estados como Oregon e Washington articulam blocos regionais pelo horário fixo nos EUA, a Comissão Europeia analisa propostas lideradas por Polônia e Lituânia para extinguir as mudanças na Europa em 2027.

Consultas públicas feitas em 2024 registraram 62% de aprovação ao fim do revezamento de horários nos Estados Unidos. Sem a aprovação definitiva do Senado até o fim de outubro, a regra atual segue em vigor para a virada de 1º de novembro.

Fadiga atinge 40% dos trabalhadores e próxima mudança fica para março de 2027

A alteração nos relógios modifica escalas de transporte público, turnos de fábricas e grades escolares, provocando queixas de cansaço em 40% dos trabalhadores durante as primeiras semanas de adaptação, de acordo com estudo de 2023. Terminais aéreos de grande movimentação internacional, a exemplo dos aeroportos de Nova York, também operam sob ajustes de malha para evitar atrasos em conexões transatlânticas.

Smartphones, computadores e redes corporativas fazem a correção do horário de forma automática às 2h, quando os sistemas voltam para 1h. Empresas de importação e exportação utilizam manuais de transição anual para alinhar entregas e sistemas bancários com os parceiros norte-americanos.

Caso o Senado não aprove a mudança na lei federal nos próximos meses, o próximo adiantamento dos relógios nos Estados Unidos ocorrerá em 14 de março de 2027. Durante o inverno do Hemisfério Norte, áreas próximas ao polo chegam a registrar 24 horas seguidas de escuridão em dezembro, enquanto nos estados continentais norte-americanos o dia de menor duração solar ocorre em 21 de dezembro.

Manuela é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2015

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