Donald Trump expõe Tom Cotton para liberar horário de verão nos EUA
Uma ofensiva pública deflagrada pelo presidente Donald Trump aumentou o atrito político em torno da tentativa de estabelecer o horário de verão contínuo em território norte-americano. A estratégia do governante consistiu em fornecer publicamente o telefone funcional do senador republicano Tom Cotton para pressionar pela tramitação do Sunshine Protection Act, proposta que se encontra estagnada no Senado dos Estados Unidos em razão de divergências internas entre parlamentares do próprio partido governista.
A veiculação do número telefônico ocorreu no sábado (3 de outubro de 2026), antes de uma agenda pública em Ohio, momento em que o mandatário conclamou os moradores do Arkansas a interpelarem diretamente o congressista que representa o estado. “Por alguma razão, Tom está travando o projeto e, no Senado, isso é muito fácil de fazer, basta um! (…) Então, todos no Arkansas, um estado que eu amo e onde venci três vezes, a última por 34 pontos, digam ao Tom para resolver isso! Todos vão agradecer”, escreveu Donald Trump em postagem na rede Truth Social, em tradução livre.
Resistência de Tom Cotton mantém foco nos riscos de deslocamentos matinais no inverno
A reação do senador Tom Cotton, que exerce a presidência do Comitê de Inteligência do Senado, ocorreu poucas horas após a postagem da liderança executiva. O legislador reafirmou sua oposição à conversão permanente dos relógios e argumentou que a medida compromete a segurança de estudantes e trabalhadores durante o inverno, visto que a aurora passaria a ocorrer consideravelmente mais tarde em várias regiões do país.
“Ninguém gosta de mudar o relógio, inclusive eu, mas o Congresso já aprovou o horário de verão permanente várias vezes no passado e revogou a medida em todas elas assim que os americanos enfrentaram amanheceres absurdamente tardios no inverno. Os moradores do Arkansas não querem seus filhos indo para a escola em plena escuridão, e eu sempre colocarei o Arkansas em primeiro lugar”, respondeu Tom Cotton por meio de comunicado, em tradução livre.
O presidente Donald Trump rebateu a declaração afirmando que o congressista comete um equívoco de interpretação sobre os anseios locais. “Se Tom Cotton estivesse colocando o Arkansas em primeiro lugar, ele lhes daria uma hora a mais de luz natural e, mais importante, eles não teriam que correr por casas, fazendas, locais de trabalho e por toda parte, duas vezes por ano, tendo que mudar seus relógios e muitas vezes esquecendo de fazer isso”, escreveu o presidente, em tradução livre. Tentativas de ligação para o terminal divulgado encaminharam as chamadas diretamente para uma caixa de mensagens lotada ou geraram avisos automáticos de indisponibilidade da rede telefônica, sem que houvesse esclarecimento oficial se o número atende a demandas estritamente privadas ou aos canais de gabinete.
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Aprovação do Sunshine Protection Act na Câmara enfrenta barreiras regimentais no Senado
A tramitação do projeto que visa eliminar o ajuste semestral de ponteiros demonstrou força na câmara baixa antes de paralisar no parlamento revisor. Em 14 de julho de 2026, a Câmara dos Representantes aprovou o texto do Sunshine Protection Act com o placar de 308 votos a favor e 117 contrários, em uma demonstração incomum de convergência bipartidária. Entretanto, para seguir até a sanção presidencial, a matéria requer aprovação unânime ou vitória em votação formal no plenário de cem cadeiras do Senado, ambiente no qual o regulamento interno concede a qualquer senador o poder de barrar deliberações aceleradas.
As contestações ao projeto não se restringem a Tom Cotton e contam com o endosso de outros parlamentares republicanos. O senador Mike Rounds, da Dakota do Sul, também manifestou preocupação com os efeitos geográficos da regra, ponderando que comunidades situadas mais ao norte do país amanheceriam no escuro até as 9h30 durante os meses mais frios. Como alternativa para mitigar essa disparidade, o texto legislativo incorporou uma cláusula de salvaguarda que permite aos governos estaduais aprovarem leis locais para rejeitar a mudança compulsória antes da assinatura final do Executivo.
Tentativas legislativas anteriores acumulam revogações e fracassos em Washington
A proposta de cessar o rodízio sazonal de relógios no Congresso norte-americano possui precedentes documentados em diferentes períodos da história legislativa do país:
- 15 de dezembro de 1973 — O Congresso dos Estados Unidos institui o horário de verão permanente com o objetivo de frear o consumo de combustíveis fósseis em meio ao choque internacional do petróleo.
- 1974 — O Parlamento federal decide anular a nova regra de forma antecipada após forte rejeição pública, impulsionada por acidentes fatais com crianças em vias públicas durante o trajeto matinal até as escolas.
- 2022 — Uma versão prévia do Sunshine Protection Act obtém aprovação relâmpago por consenso unânime no Senado, mas a medida perde a validade ao não ser pautada para deliberação na Câmara dos Deputados.
- 14 de julho de 2026 — A Câmara dos Representantes ratifica a versão reformulada do projeto por 308 votos contra 117, encaminhando o dossiê novamente à apreciação dos senadores.
Pesquisa de opinião revela rejeição ao ajuste semestral e indefinição sobre o modelo ideal
Um estudo nacional conduzido pelo instituto de pesquisas AP-NORC em 2025 mensurou o sentimento da opinião pública a respeito das transições contínuas de fuso e constatou insatisfação popular expressiva:
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- 47% dos cidadãos adultos consultados manifestam contrariedade à prática de alterar os relógios a cada seis meses e declaram preferência pela adoção de um padrão anual ininterrupto.
- 40% dos entrevistados expressam indiferença ou posicionamento de neutralidade diante da manutenção da alternância semestral entre as estações.
- 12% dos participantes do levantamento apoiam expressamente a permanência do rodízio tradicional adotado no calendário federal.
Fuso horário vigente exige novo atraso de ponteiros e mantém exceções regionais
Diante do impasse operacional no Capitólio, a população estabelecida na maior parte do território norte-americano segue obrigada a atrasar os ponteiros em uma hora com a aproximação do inverno. O ordenamento jurídico atual confere autorização aos estados para renunciarem ao horário adiantado e optarem pelo horário padrão de maneira definitiva, mas veda expressamente qualquer decreto estadual que fixe o horário de verão sem autorização formal do Congresso em Washington.
Atualmente, algumas unidades federativas e territórios ultramarinos já não participam da exigência de regulagem periódica dos relógios. O estado do Havaí, a quase totalidade dos condados do Arizona e as administrações territoriais de Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas, Marianas Setentrionais e Samoa Americana mantêm os mesmos índices de marcação temporal sem interrupções durante o ano todo.
