O Ministério de Minas e Energia (MME) descartou a retomada do horário de verão para a temporada de 2026 e 2027. A decisão mantém os relógios inalterados em todo o país e encerra as discussões técnicas sobre a mudança de fuso que envolviam as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O posicionamento oficial consta no relatório de monitoramento da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, assinado em 31 de agosto de 2026, e foi ratificado pela pasta em comunicados divulgados nos dias 21 e 22 de setembro.
A conclusão do governo se baseia em análises prospectivas feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e avaliadas pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), colegiado responsável por acompanhar a confiabilidade do suprimento de eletricidade. Os levantamentos técnicos indicaram que o adiantamento de uma hora nos relógios não é necessário para garantir o abastecimento durante o período seco e de maior pico de carga.
Estudos do ONS e metas da Agenda Estratégica Eletroenergética 2026
A possibilidade de reativar a medida havia entrado formalmente no planejamento do setor elétrico em 11 de fevereiro de 2026, durante a 315ª reunião do CMSE. Na ocasião, o colegiado aprovou a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, cuja Ação 10 determinava a realização de novos estudos pelo ONS para verificar a eficácia do adiantamento dos relógios diante das mudanças na matriz elétrica nacional.
No balanço referente ao segundo trimestre, a tarefa foi dada como encerrada sem recomendação de retorno. A alteração no fuso não representa uma solução estrutural para atender às exigências de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN). O consumo de energia sofreu alterações de perfil ao longo dos anos devido ao uso intensivo de aparelhos de ar-condicionado no período da tarde e nas madrugadas, o que reduziu o efeito de economia que a mudança gerava entre 18h e 21h.
Para assegurar o fornecimento sem mexer nos ponteiros, o governo estruturou a agenda do setor elétrico em 27 frentes de trabalho focadas em segurança e resposta rápida de geração. Os principais resultados e prazos operacionais confirmados pelo comitê incluem:
Saiba mais: Governo mantém fuso padrão e veta horário de verão em 2026/2027
- Execução global de 65% do plano até o fim do segundo trimestre de 2026, com 11 frentes integralmente concluídas;
- Realização de leilões de reserva de capacidade em março de 2026 para reforçar a potência disponível;
- Prorrogação até abril de 2027 das normas que ampliam a disponibilidade de geração das usinas termelétricas;
- Otimização hidráulica e controle de vazões em hidrelétricas como Itaipu, Jupiá e Porto Primavera;
- Programação de dois leilões para contratar sistemas de armazenamento em baterias em dezembro de 2026.
Manutenção da rotina nos estados e histórico da regra
Com o arquivamento da proposta para o ciclo de 2026 e 2027, moradores e empresas de estados que tradicionalmente alteravam seus fusos entre outubro e fevereiro — como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de unidades do Centro-Oeste — permanecem na hora padrão.
A manutenção da hora oficial evita a necessidade de ajustes de expediente no comércio, na rede bancária, nos transportes públicos e nos horários de entrada e saída de escolas e universidades. Grupos mais sensíveis a mudanças bruscas no ciclo de sono, como crianças e idosos, também ficam isentos do período de adaptação física exigido quando os ponteiros são adiantados.
Instituído pela primeira vez entre 3 de outubro de 1931 e 31 de março de 1932 pelo então presidente Getúlio Vargas, o mecanismo vigorou de forma contínua de 1985 até abril de 2019, quando foi revogado sob a justificativa de baixa efetividade energética. Conforme a diretriz estabelecida pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a medida continua fora dos planos governamentais e só voltará à pauta caso o sistema elétrico enfrente uma situação real de risco de abastecimento.

