A Justiça de São Paulo condenou em primeira instância os influenciadores digitais Samuel Sant’Anna da Costa, conhecido como Gato Preto, e Anna Beatryz Ferracini Ribeiro, a Bia Miranda, pelo acidente de trânsito ocorrido em agosto de 2025 na capital paulista. Somadas, as indenizações por danos morais e materiais determinadas pela decisão judicial chegam a R$ 211.335,99, valor que ainda sofrerá acréscimo de juros e correção monetária.
Proferida em 16 de setembro de 2026 pelo juiz Gustavo Coube de Carvalho, da 5ª Vara Cível de São Paulo, a sentença tornou-se pública nesta segunda-feira (19). Os valores deverão ser pagos ao representante comercial Edilson Maiorano e ao filho dele, Ivan Bartalot Pereira Maiorano, que estavam no veículo atingido na Avenida Brigadeiro Faria Lima.
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Divisão dos R$ 211.335,99 entre Gato Preto e Bia Miranda
O magistrado estabeleceu responsabilidades distintas para o ex-casal de influenciadores na ação cível. Gato Preto, que dirigia o Porsche no momento da batida, foi considerado o culpado direto pela colisão e terá de arcar com mais de R$ 161 mil do montante total.
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No caso de Bia Miranda, passageira do automóvel de luxo, o juiz entendeu que ela não responde pelo acidente de trânsito em si, mas pela exposição das vítimas nas redes sociais e pelas ofensas publicadas logo após o ocorrido, somando R$ 50 mil em condenações. Em um vídeo divulgado na internet depois da batida, a influenciadora chamou Edilson de “senhorzinho” e referiu-se ao carro da família de forma depreciativa: “Isso aí é lixo, a gente arca com a responsabilidade”.
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- R$ 100 mil de Gato Preto a Ivan Bartalot Pereira Maiorano por danos morais;
- R$ 60 mil de Gato Preto a Edilson Maiorano por danos morais;
- R$ 1.335,99 de Gato Preto a Ivan por danos materiais referentes a um aparelho celular danificado na batida;
- R$ 30 mil de Bia Miranda a Edilson Maiorano por danos morais;
- R$ 20 mil de Bia Miranda a Ivan Bartalot Pereira Maiorano por danos morais.
Laudo toxicológico de Gato Preto e pedidos negados pela 5ª Vara Cível
Para fundamentar a condenação do motorista do Porsche, o juiz Gustavo Coube de Carvalho destacou na sentença o avanço do sinal vermelho, a fuga do local sem prestar socorro aos feridos e o resultado do exame pericial. O laudo toxicológico apontou a presença de álcool etílico, MDA (substância conhecida como ecstasy) e THC (princípio ativo da maconha) na urina do influenciador digital. Com o impacto da colisão, Ivan sofreu escoriações no rosto e fraturas na mandíbula, quadro que limitou a abertura da boca, exigiu dieta líquida e pastosa e demandou acompanhamento médico por três meses, além de agravar um quadro preexistente de ansiedade atestado por laudo psicológico anexado ao processo.
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Por outro lado, a decisão da 5ª Vara Cível de São Paulo rejeitou parte das solicitações feitas pela família atingida na colisão. O magistrado negou o pedido de indenização apresentado por Débora Bartalot Pereira, esposa de Edilson e mãe de Ivan, sob o argumento de que o sofrimento materno naquele episódio não atingiu gravidade suficiente para justificar reparação moral. Também foram descartados os pedidos de reembolso de despesas médicas e hospitalares sem comprovantes, como gastos com medicamentos e estacionamentos, bem como o ressarcimento pelo automóvel destruído, já que a seguradora havia pago mais de R$ 50 mil às vítimas pelo reparo do veículo.
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Histórico da batida na Faria Lima e processo criminal contra Gato Preto
A colisão aconteceu às 6h30 de 20 de agosto de 2025, no cruzamento da Avenida Brigadeiro Faria Lima com a Rua Elvira Ferraz, na Zona Oeste de São Paulo. Na ocasião, o Porsche 911 Carrera conversível conduzido por Gato Preto, avaliado em R$ 1,5 milhão antes da batida, avançou o semáforo vermelho em alta velocidade, atingiu lateralmente o Hyundai HB20 ocupado por Edilson e Ivan e chocou-se contra um poste. Após a dupla deixar o local, o influenciador foi detido horas mais tarde em seu apartamento, recusou-se a realizar o teste do bafômetro e foi levado à delegacia antes de ser liberado.
Além da condenação na esfera cível, o caso gerou desdobramentos independentes na área criminal ao longo de 2026. Em 23 de janeiro de 2026, a Polícia Civil indiciou o motorista por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, fuga do local, embriaguez ao volante e alteração artificiosa da cena do sinistro. Já em 12 de abril de 2026, o promotor de Justiça Lucas de Mello Schaefer, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), denunciou Gato Preto por duas tentativas de homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), ameaça e infrações de trânsito, propondo no mesmo documento uma transação penal (acordo para encerrar o processo mediante pagamento) de R$ 150 mil a Bia Miranda por omissão de socorro.
Em 17 de maio de 2026, a Justiça paulista aceitou a denúncia do MPSP e tornou Gato Preto réu pelas duas tentativas de homicídio. Na mesma decisão de maio, o Judiciário suspendeu a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do influenciador e autorizou o leilão antecipado do Porsche apreendido, avaliado em cerca de R$ 960 mil após os danos da batida, para preservar o valor destinado a eventuais reparações. Até a publicação desta reportagem, os advogados de defesa de Samuel Sant’Anna e de Bia Miranda ainda não haviam se manifestado sobre a sentença cível de primeira instância.
