O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência pelo PL, enfrentaram-se ao vivo neste domingo (18) no primeiro debate presencial do segundo turno das eleições de 2026. O encontro nos estúdios da TV Bandeirantes, em São Paulo, começou às 20h (horário de Brasília) e reuniu os dois adversários frente a frente pela primeira vez na campanha, já que ambos faltaram aos debates do primeiro turno.
A transmissão oficial do programa no YouTube registrou pico de 5,39 milhões de aparelhos conectados simultaneamente às 21h30. Dividido em três blocos e mediado pelos jornalistas Adriana Araújo e Eduardo Oinegue, o programa teve ordem de fala definida previamente por sorteio e contou com um banco de 15 minutos para cada candidato administrar no confronto direto inicial.
Acusações entre Lula e Flávio Bolsonaro sobre Banco Master e INSS
Durante o encontro, os candidatos discutiram o cenário econômico, a manutenção do SUS (Sistema Único de Saúde) e as relações internacionais com os Estados Unidos, além de trocarem acusações envolvendo familiares. Lula cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre um áudio divulgado na pré-campanha em que o senador teria solicitado R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato do PL. “Como é que alguém pode pegar R$ 134 milhões e não dizer para onde foi?”, questionou o presidente, que acrescentou na discussão: “A mentira é o forte da família Bolsonaro”.
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O candidato à reeleição também advertiu o senador sobre investigações em andamento e a possível perda de foro. “Você se prepare que você vai perder imunidade e você vai ter problema, porque a sua vida tem muito inquérito que agora vai andar”, declarou Lula. Ao abordar temas econômicos e sociais, o petista criticou a vivência do adversário com o transporte público dizendo que “o meu adversário conhece ônibus por literatura, porque ele nunca entrou no ônibus”, e provocou o parlamentar sobre cortes de gastos inspirados no presidente da Argentina, Javier Milei: “Você vai pedir uma motosserra emprestada do Milei?”.
Na resposta aos ataques, Flávio Bolsonaro associou as gestões petistas à corrupção, mencionou suspeitas de descontos indevidos no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e ligou o caso e a empresária Roberta Luchsinger a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, afirmando que ele estaria na Espanha. “O careca do INSS foi do seu governo. Inclusive, ele pagou coisa pro seu filho”, disse o senador. O candidato do PL manteve a cobrança sobre o tema diante das câmeras: “Você mente com uma desenvoltura na frente das câmeras, por trás das câmeras, você protege o seu filho. Você não conhece o Lulinha também?”.
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Para rebater as menções a Fábio Luís Lula da Silva, o presidente declarou que o filho disponibilizou seus dados para apuração e mirou na atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, no exterior. “O meu filho abriu a sua conta bancária e abriu o seu telefone para ser investigado, porque eu não sou um pai que protege o filho como você foi protegido pelo seu pai”, afirmou Lula. Na sequência, o petista completou o ataque à família do oponente: “O seu irmão tá fugindo nos Estados Unidos tramando contra o Brasil, pedindo intervenção do Trump no Brasil”, acrescentando ainda que “é notável que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos”.
Segurança pública e votação de Lula e Flávio Bolsonaro em presídios
A pauta de segurança pública, o combate ao crime organizado e a saída temporária de detentos do sistema prisional geraram novos embates diretos entre os postulantes ao Palácio do Planalto. Flávio Bolsonaro questionou o desempenho eleitoral do presidente nas unidades prisionais: “Ô Lula, com você a criminalidade explodiu no Brasil. Inclusive, você pode explicar por que 73% dos presidiários votaram em você?”. Os dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) referentes ao primeiro turno mostram que Lula recebeu 72,6% dos votos válidos nas seções eleitorais instaladas em presídios e unidades socioeducativas, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 23,3%, embora esses locais incluam outros eleitores aptos a votar nas seções, e não exclusivamente pessoas presas.
Na discussão sobre criminalidade, Lula acusou o senador de ter atuado em defesa de um policial militar em um homicídio: “Você era senador da República e foi interferir para que um policial que matou uma criança de 5 anos com uma bala de fuzil não fosse preso”. O presidente ainda respondeu com ironia às críticas do adversário sobre segurança: “Até teu pai, teu pai pode votar em mim. Ele quer votar no cara melhor”.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, dirigiu-se à plateia presente no estúdio para atacar o histórico judicial do petista: “Você tá vendo esse auditório aqui lotado, cheio de gente? Sabe quantas pessoas aqui já foram condenadas ou presas por corrupção e lavagem de dinheiro? Só você”. O senador também declarou durante o confronto direto que “eu só tô esfregando algumas verdades aqui na sua cara e você tá sentindo abalado, né?”, e afirmou sobre o adversário: “Você tem no seu DNA um problema muito sério. Além da mentira, os seus governos são sempre marcados pela corrupção, Lula”.
Balanço de governos e resultado do 1º turno entre Flávio Bolsonaro e Lula
Ao avaliar as administrações anteriores, Flávio Bolsonaro reconheceu falhas na condução da saúde pública durante o governo de Jair Bolsonaro, mas pediu votos com base no tempo de permanência do PT no poder. “A saúde não foi uma área que a gente teve o melhor resultado, eu faço esse mea culpa”, disse o senador, que também questionou o eleitorado: “O PT governa esse país há 20 anos dos últimos 24. Eu pergunto para você que tá em casa, a sua vida melhorou ou piorou?”.
O encontro em São Paulo ocorreu após uma semana de incertezas sobre a presença do candidato do PL. Em 13 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro chegou a anunciar que não compareceria ao debate, mas recuou em 14 de outubro de 2026, afirmando que a declaração havia sido uma armadilha para que Lula confirmasse participação. Os dois candidatos chegaram ao segundo turno separados por uma diferença de 1,87 ponto percentual na votação inicial, cenário que fundamentou o discurso de encerramento do senador: “No primeiro turno o Brasil já escolheu a mudança e vai escolher a mudança de novo no segundo turno”, concluindo que “é por isso que o Brasil vai mudar no segundo turno, Lula. E o Brasil vai te aposentar”.
- Votação de Flávio Bolsonaro (PL) no 1º turno: 47,03% dos votos válidos (56.104.503 votos).
- Votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no 1º turno: 45,16% dos votos válidos (53.879.538 votos).
- Último debate previsto do 2º turno: sexta-feira (23).
- Votação do 2º turno das eleições presidenciais: domingo (25).
A realização do último debate antes da votação, previsto para sexta-feira (23), ainda tem a participação de Flávio Bolsonaro indefinida, uma vez que a campanha do senador não havia assinado as regras do encontro até a noite deste domingo (18).
