O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, da NASA (agência espacial dos Estados Unidos), foi eleito uma das Melhores Invenções de 2026 pela revista norte-americana TIME nesta quinta-feira (15). O observatório garantiu um lugar entre as 300 principais inovações do ano graças à sua capacidade de observar o universo em infravermelho com um campo de visão pelo menos 100 vezes maior que o do Telescópio Espacial Hubble.
O equipamento espacial recebeu a premiação dentro da categoria Aeroespacial e Aviação (Aerospace & Aviation, no nome original em inglês), em um perfil assinado pelo jornalista Jeffrey Kluger na edição de 15 de outubro de 2026. Na apresentação da seleção anual, que também conta com 100 menções especiais, os editores da publicação definiram o escopo dos projetos escolhidos: “Estas são criações que mudam a forma como vivemos, trabalhamos, nos divertimos e pensamos sobre o que é possível”, afirmaram, em tradução livre.
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Critérios da revista TIME e outras tecnologias premiadas em 2026
A lista anual das Melhores Invenções da revista TIME (Best Inventions of 2026) reúne produtos, softwares e serviços avaliados pelos editores sob quatro critérios principais: originalidade, eficácia, ambição e impacto no mundo. O objetivo da seleção é identificar desde avanços científicos e tecnológicos até ferramentas voltadas a tornar o cotidiano mais inteligente.
Ao lado do observatório da NASA, a edição de 2026 reconheceu aparelhos e sistemas de diferentes setores da indústria global. Entre as tecnologias premiadas neste ano estão o Google SynthID (ferramenta de marca d’água digital voltada para conteúdos gerados por inteligência artificial), a aeronave desenvolvida pela empresa Joby Aviation, o sistema de defesa antidrones Epirus Leonidas e o aparelho iPhone Duo, fabricado pela Apple.
Ajustes de foco no Telescópio Espacial Nancy Grace Roman superam previsões
O reconhecimento pela revista norte-americana ocorreu um dia depois de um avanço técnico na preparação do observatório no espaço. Na quarta-feira (14), às 14h56 (horário da Costa Leste dos Estados Unidos, EDT), a equipe da NASA no Goddard Space Flight Center anunciou a conclusão dos testes e ajustes microscópicos de foco nos espelhos e nos 18 detectores que compõem o Instrumento de Campo Amplo (Wide Field Instrument, no termo em inglês). Com a calibragem finalizada, o conjunto alcançou um desempenho óptico mais nítido do que o previsto originalmente pelos cientistas.
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O Instrumento de Campo Amplo funciona como uma câmera de aproximadamente 300 megapixels e é a peça central das futuras operações científicas da missão. “Todos os amplos levantamentos do Roman dependerão do Instrumento de Campo Amplo”, declarou Dave Hickey, engenheiro de sistemas do equipamento no Goddard Space Flight Center da NASA. O projeto do observatório prevê que esses levantamentos espaciais gerem volumes massivos de dados para abastecer pesquisas além dos objetivos primários da agência.
Viagem de 1 milhão de milhas do telescópio da NASA até a órbita final
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman foi lançado ao espaço em 30 de agosto de 2026, às 7h26 (EDT), a partir do Complexo de Lançamento 39A no Kennedy Space Center, localizado no estado da Flórida, nos Estados Unidos. O envio do equipamento ocorreu a bordo de um foguete Falcon Heavy, pertencente à empresa espacial SpaceX. Desde a decolagem, a espaçonave cumpre uma jornada de cerca de três meses e 1 milhão de milhas (cerca de 1,6 milhão de quilômetros) em direção à sua órbita final no ponto de Lagrange L2 Sol-Terra, uma região de estabilidade gravitacional no espaço.
Durante o trajeto até o ponto L2, o observatório passa pelo processo técnico chamado de comissionamento, etapa em que os engenheiros submetem os instrumentos a baterias de testes e calibrações antes do início das operações científicas. Antes do ajuste definitivo do instrumento principal em outubro, a missão já havia registrado marcos operacionais no espaço: entre os dias 15 e 21 de setembro de 2026, a equipe testou o sistema de orientação da nave e, em 22 de setembro de 2026, o Instrumento Coronógrafo (Coronagraph Instrument) realizou a sua primeira observação de luz cósmica.
Homenagem a Nancy Grace Roman e caça a bilhões de galáxias
O novo observatório da agência norte-americana foi batizado em homenagem a Nancy Grace Roman, que entrou para a história como a primeira astrônoma-chefe e a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na NASA, sendo conhecida na comunidade científica como a “mãe do Telescópio Espacial Hubble”. Projetado como uma missão principal da agência, o equipamento combina seu amplo campo de visão com a nitidez da leitura em infravermelho para vasculhar grandes extensões do céu com rapidez e investigar a história cósmica em profundidade, alcançando distâncias de mais de 10 bilhões de anos-luz para registrar épocas primordiais do universo.
Ao longo de sua vida útil, a missão tem como metas principais investigar os mistérios da energia escura e da matéria escura, observar até um bilhão de galáxias e realizar um censo detalhado de exoplanetas — mundos localizados fora do Sistema Solar. Para encontrar e estudar esses planetas distantes, o telescópio utiliza a tecnologia do seu coronógrafo, um dispositivo interno projetado especificamente para bloquear o brilho intenso das estrelas e permitir que as câmeras fotografem diretamente os exoplanetas e os discos formadores de planetas ao redor delas.
Com os ajustes ópticos concluídos e a viagem rumo ao ponto L2 em andamento, a NASA prevê divulgar as primeiras imagens científicas capturadas pelo Telescópio Espacial Nancy Grace Roman no início de 2027.
