Windows sofre ataque via ChatGPT com modelo falso Plus 5.6 e comando colado no PowerShell

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ChatGPT - daily_creativity / Shutterstock.com Foto: ChatGPT - daily_creativity / Shutterstock.com

Cibercriminosos aproveitaram a estrutura oficial da OpenAI para hospedar uma armadilha direcionada a computadores com o sistema operacional Windows. A operação criminosa se apoia na criação de perfis customizados dentro do próprio ambiente do ChatGPT, utilizados como isca para conduzir internautas até páginas externas falsas e instalar um programa espião capaz de assumir o controle remoto da máquina.

O esquema foi detalhado pela companhia de cibersegurança Huntress, que tem sede em Ellicott City, nos Estados Unidos. De acordo com o levantamento técnico da organização, os responsáveis pela fraude aliam recursos de inteligência artificial a táticas de manipulação psicológica, conhecidas como engenharia social, para driblar barreiras tradicionais de proteção digital. Os especialistas da empresa ressaltaram o uso de nomes conhecidos do público para dar aparência legítima ao golpe: “Cada etapa do ataque também toma emprestada uma marca em que as pessoas já confiam, do ChatGPT e Google à Cloudflare e até softwares da Canon. A lição é simples: nenhum site legítimo pedirá para você copiar e colar um comando para provar que é humano”, declararam os analistas da Huntress, em tradução livre.

Estrutura da operação maliciosa mapeada pelos analistas de segurança

  • Porta de entrada do golpe: links patrocinados em buscadores e assistente customizado fraudulento batizado de Plus 5.6
  • Endereço utilizado na abordagem: páginas abertas diretamente sob o domínio verdadeiro chatgpt.com
  • Método de contaminação do equipamento: aplicação da tática ClickFix associada à execução de código no terminal PowerShell do Windows
  • Programa invasor instalado: trojan de acesso remoto (RAT, sigla em inglês para ferramenta de controle a distância) programado para extrair informações privadas, gravar som ambiente e registrar a tela
  • Volume de ocorrências confirmadas: pelo menos 40 atendimentos realizados pela estrutura de defesa da Huntress

Anúncios pagos e redirecionamento a partir do domínio da OpenAI

O caminho preparado pelos golpistas tem início quando o usuário procura pelo nome do chatbot em plataformas de busca na internet e seleciona resultados impulsionados por publicidade paga no alto da página. O clique leva a vítima para uma ferramenta personalizada criada por terceiros dentro do ecossistema da OpenAI, identificada pelo nome falso de Plus 5.6 para parecer uma atualização oficial e superior do assistente virtual. Como a navegação ocorre dentro do endereço eletrônico autêntico chatgpt.com, o visitante não desconfia da autenticidade da página.

Windows 11
Windows 11 – Foto: rawf8 / Shutterstock.com

Logo após o internauta enviar a primeira mensagem na janela de bate-papo adulterada, a ferramenta responde de forma automática que o serviço passa por instabilidade temporária provocada pelo alto volume de acessos. Na mesma resposta, o texto indica um link alternativo abrigado na plataforma Google Sites. Ao abrir esse segundo endereço, a pessoa se depara com uma janela que copia o visual das checagens de segurança da empresa Cloudflare e solicita uma falsa confirmação de identidade para liberar o acesso.

Oito passos de invasão e uso de arquivos legítimos da Canon e da Stardock

Para concluir a falsa checagem de segurança, a tela orienta o próprio visitante a aplicar o procedimento chamado ClickFix, que consiste em copiar um comando de texto fornecido pela página e colá-lo diretamente no PowerShell, o terminal de comandos nativo do Windows. Essa ação manual contorna os alertas padrão do sistema operacional e dispara uma rotina automatizada que baixa, sem exibir avisos na tela, um pacote de instalação no formato MSI. O levantamento conduzido pelos pesquisadores Mark O’Halloran e Jonathan Semon, ambos da Huntress, identificou que todo o processo de invasão percorre oito fases seguidas até que o código malicioso se estabeleça de vez no computador.

Enquanto a instalação ocorre de modo oculto, o pacote invasor recorre ao carregamento lateral de bibliotecas, técnica conhecida no setor de tecnologia como DLL sideloading. Esse recurso aproveita arquivos executáveis verdadeiros e com assinatura digital válida de empresas reconhecidas, entre elas a fabricante Canon e a desenvolvedora de softwares Stardock, para esconder a ação criminosa da varredura de programas antivírus. Depois que a instalação termina, o trojan de acesso remoto libera aos invasores a visualização ao vivo da tela do computador, a captura de senhas e dados gravados em navegadores, o acionamento remoto de microfone e câmera de vídeo e a transferência de outros arquivos maliciosos sem que o dono do aparelho perceba.

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Reincidência do perfil falso após bloqueio em setembro de 2026

O uso de ferramentas ligadas a plataformas de inteligência artificial para espalhar pragas digitais acompanha uma mudança de tática de grupos criminosos observada durante o ano de 2026. Antes dessa campanha, golpistas já haviam explorado o envio de links de conversas públicas alteradas e a distribuição de complementos de navegador modificados para enganar internautas. A abordagem ClickFix, por sua vez, expandiu sua presença por se aproveitar do hábito dos usuários de cumprir etapas de verificação na web, fazendo com que a própria vítima acione o código perigoso antes que sistemas automáticos de bloqueio consigam impedir a execução.

Notificada sobre o uso indevido de sua plataforma, a OpenAI retirou do ar a versão inicial do assistente fraudulento em 25 de setembro de 2026. Dois dias mais tarde, em 27 de setembro de 2026, a equipe de monitoramento da Huntress identificou que os responsáveis pelo esquema já haviam colocado no ar uma segunda versão do perfil personalizado, mantendo o mesmo título Plus 5.6 e o mesmo roteiro de envio das vítimas para páginas externas.

Registro de 40 ocorrências e ausência de notificações no território brasileiro

A central de operações de segurança mantida pela Huntress registrou a atuação direta na contenção de ao menos 40 casos ligados ao endereço de suporte falsificado, com confirmação técnica de que dois desses episódios começaram diretamente na conversa com o modelo falso hospedado no ChatGPT. No documento técnico publicado em 28 de setembro de 2026, a empresa dos Estados Unidos não informou em quais países estavam localizados os computadores atingidos pela campanha.

Não existe registro confirmado de moradores do Brasil entre as vítimas diretas dessa operação, e nenhuma instituição brasileira voltada à segurança digital publicou alerta específico sobre o caso. Diante do alcance global das ferramentas de anúncios pagos e das páginas de busca, profissionais da área de defesa cibernética recomendam que operadores de computadores jamais copiem ou executem linhas de código em terminais do sistema operacional a pedido de telas de verificação na internet.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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