Uma conta bancária do advogado e empresário Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), registrou a movimentação de cerca de R$ 130 milhões no intervalo de três meses, entre março e maio de 2025. Os dados constam em um inquérito da Polícia Federal (PF) em Brasília que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com novos trechos divulgados nesta terça-feira (20).
O procedimento tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) desde sexta-feira (16), sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) para abertura e prosseguimento. “A expressividade do montante, somada à curta janela temporal analisada, constitui elemento de interesse investigativo e reforça a necessidade de aprofundar a operação quanto à origem dos recursos”, afirmou o relatório da Polícia Federal.
Empresas de Willer Tomaz e apuração sobre apostas e Loterj
De acordo com os investigadores da Polícia Federal, o conjunto empresarial ligado a Willer Tomaz apresenta uma estrutura operacional aparente incompatível com o volume financeiro movimentado de R$ 130 milhões, cuja atribuição a Flávio Bolsonaro não foi estabelecida até o momento. “O padrão sustenta a hipótese de utilização dessas estruturas para dificultar a identificação da origem, do destino e do beneficiário final dos valores”, declararam os investigadores no documento.
A investigação da Polícia Federal teve início a partir de dados extraídos da nuvem do celular de Willer Tomaz, alvo de busca e apreensão em agosto de 2025 durante a Operação Sem Desconto, que apura descontos indevidos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), somados a desdobramentos de uma apuração no Rio Grande do Sul. Além dos R$ 130 milhões, os agentes identificaram movimentação de até R$ 35 milhões em uma plataforma de apostas esportivas, saques em casas de apostas no exterior, suposto controle da empresa Rede Loto pelo advogado e suspeitas de favorecimento e fraude em um pregão presencial da Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj) vencido pela empresa Pixs, mirando também a relação de Tomaz com o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL).
Proximidade com Flávio Bolsonaro e conta no banco Santander
No material apreendido, a corporação encontrou registros que ligam o empresário ao candidato presidencial do PL. “Durante as análises, foram identificados diversos elementos que evidenciam uma relação de proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro
. Entre os registros localizados, constam referências a festas, encontros e reuniões envolvendo ambos, além de documentos de natureza pessoal vinculados a Flávio encontrados no iCloud de Willer”, informou o relatório da Polícia Federal.Trocas de e-mails obtidas pela Polícia Federal entre o escritório de advocacia de Willer Tomaz e o banco Santander indicam que Flávio Bolsonaro esteve cadastrado como “usuário master”, modalidade de administrador com amplos poderes de gestão, em uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding, gerida pelo advogado. Em 22 de maio de 2025, uma funcionária de Tomaz enviou mensagem à instituição financeira solicitando a exclusão do nome do senador do cadastro da conta. O advogado também é coproprietário de uma aeronave utilizada pelo parlamentar em uma viagem em janeiro de 2025, avião que era administrado por uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo inquérito de Flávio Bolsonaro no STF e resposta das defesas
Este é o segundo inquérito envolvendo Flávio Bolsonaro em tramitação no STF. O outro caso é relatado pelo ministro André Mendonça e investiga negociações com recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”.
Flávio Bolsonaro e sua assessoria negaram a existência de conta bancária conjunta ou negócios com o advogado e classificaram as acusações como “fake news”. Em nota oficial divulgada no domingo, 18 de outubro de 2026, Willer Tomaz negou movimentações financeiras irregulares ou circulação de recursos com empresas de apostas e questionou o vazamento do caso às vésperas de debate e do segundo turno presidencial. “Trata-se do uso indevido do aparato policial com o claro propósito de requentar acusações infundadas e interferir no resultado das urnas”, declarou o advogado. “É igualmente inaceitável que a quebra do sigilo telemático sirva de instrumento para uma pescaria probatória destinada a fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”, afirmou na nota.
A origem e o destino final dos R$ 130 milhões movimentados na conta de Willer Tomaz continuam sob apuração da Polícia Federal e ainda não foram concluídos pelos investigadores.
