Operadoras europeias se unem contra a Starlink no celular

SpaceX Starlink

SpaceX Starlink - Foto: DenPhotos / Shutterstock.com

As operadoras europeias Deutsche Telekom, Orange, Telefónica (controladora da Vivo no Brasil) e Vodafone anunciaram na segunda-feira (19) a assinatura de uma carta de intenções para disputar em conjunto o espectro de rádio de Serviços Móveis por Satélite (MSS) na Europa. A aliança busca habilitar a tecnologia Direct-to-Device (D2D), que conecta celulares diretamente a satélites, para competir com o avanço da Starlink, empresa controlada pela SpaceX, do CEO Elon Musk.

Em comunicado conjunto divulgado em 19 de outubro de 2026, os quatro grupos de telecomunicações declararam que a iniciativa “tem uma ambição clara: atender à demanda dos clientes por cobertura universal em áreas mal atendidas, fortalecer a resiliência das redes públicas, proteger comunicações críticas e apoiar o desenvolvimento de uma constelação europeia”, em tradução livre. Para o analista da Ookla, Luke Kehoe, “há uma preocupação essencialmente comercial” na movimentação das companhias para evitar a dependência de redes espaciais de terceiros.

Como funcionará a rede D2D das quatro operadoras na Europa

Foto: Starlink internet – Foto: AdrianHancu/istock

O projeto foca na oferta do sistema Direct-to-Device, tecnologia que funciona como torres de telefonia no espaço e permite a conexão direta de smartphones compatíveis a satélites, sem a necessidade de antenas externas dedicadas. Pelo modelo desenhado no acordo, as quatro empresas construirão e gerenciarão toda a infraestrutura de rede terrestre em solo europeu, mas não farão investimentos diretos na fabricação ou no lançamento de uma constelação própria de satélites, que ficará sob responsabilidade de uma operadora parceira ainda não escolhida.

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No texto oficial do anúncio, as companhias detalharam a divisão operacional: “Como parte do projeto, as quatro operadoras planejam estabelecer infraestrutura essencial de rede terrestre, bem como funções críticas de coordenação e monitoramento na Europa, sem investir diretamente em uma constelação de satélites. Isso será fornecido por um parceiro de satélite ainda a ser selecionado”, informaram em tradução livre. O consórcio se comprometeu a fornecer acesso aberto e não discriminatório no atacado para todas as operadoras de redes móveis (MNOs, na sigla em inglês) do continente, medida que visa reduzir a fragmentação do mercado e ampliar as opções dos consumidores.

A assinatura do documento conjunto não cancela nem substitui os contratos comerciais individuais que as empresas já mantêm no setor espacial. A Vodafone, a Orange e a Telefónica possuem acordos firmados com a empresa AST SpaceMobile — com a qual a própria Vodafone mantém uma joint venture (empresa conjunta) chamada Satellite Connect Europe. Já a alemã Deutsche Telekom desenvolve trabalhos em parceria com a Starlink

Mobile e com a Iridium.

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Dados da disputa pelo espectro de 2 GHz e cronograma na União Europeia

O alvo central do grupo formado pelas quatro empresas de telecomunicações é o processo de seleção e autorização de uso das frequências de rádio da União Europeia, que nesta terça-feira (20) estão sob controle de companhias norte-americanas. Abaixo estão os dados técnicos, regulatórios e os prazos confirmados que regem a disputa pelo sinal no continente europeu:

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  • Faixa de frequência em disputa: espectro harmonizado de 2 GHz destinado a Serviços Móveis por Satélite (MSS) na União Europeia.
  • Detentoras atuais das licenças: as empresas norte-americanas Viasat e EchoStar.
  • Data de vencimento das licenças atuais: 13 de maio de 2027.
  • Proposta de divisão da Comissão Europeia (adotada em 27 de maio de 2026): reserva de um terço (1/3) da faixa de 2 GHz para uso governamental, de segurança e defesa (integrado ao projeto da constelação soberana europeia IRIS²), um terço comercial exclusivo para operadoras sediadas na União Europeia e um terço aberto a empresas de fora do bloco.
  • Escopo do serviço ao usuário: cobertura celular em áreas rurais, remotas ou mal atendidas e proteção contra falhas nas redes públicas terrestres.

Tensão geopolítica com a SpaceX e criação de joint venture nos Estados Unidos

A articulação das empresas acompanha a estratégia da Comissão Europeia para ampliar a soberania digital e a segurança em infraestruturas críticas de conectividade. Contudo, a proposta regulatória de 27 de maio de 2026, ao reservar um terço comercial da faixa de 2 GHz exclusivamente para companhias sediadas na União Europeia, provocou tensão geopolítica com os Estados Unidos. A SpaceX criticou a regra europeia, sob o argumento de que a restrição prejudicaria concorrentes norte-americanos no acesso às frequências e poderia piorar as condições de conectividade na Ucrânia.

O modelo de cooperação entre concorrentes diretos para enfrentar custos e barreiras de cobertura espacial também ocorreu no mercado norte-americano ao longo de 2026. Nos Estados Unidos, as operadoras AT&T, T-Mobile e Verizon anunciaram um acordo inicial em 14 de maio de 2026 com o objetivo de eliminar zonas sem sinal de telefonia móvel em regiões rurais. Em 1 de outubro de 2026, as três companhias lançaram oficialmente uma joint venture liderada pelo CEO interino Paul Roth para compartilhar recursos de espectro e integrar diferentes provedores de satélite D2D.

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Apesar da formalização da carta de intenções na Europa, as quatro operadoras ainda não definiram qual empresa do setor espacial será contratada para fornecer a constelação de satélites do projeto. Também não foram divulgados o cronograma de lançamento comercial, os preços que serão cobrados pelo serviço nem a lista de aparelhos celulares compatíveis com a futura rede europeia, cuja disputa regulatória tem como marco o vencimento das atuais licenças de 2 GHz em 13 de maio de 2027.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.