Fundos avaliam Xbox em até US$ 150 bilhões, mas Microsoft nega

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Xbox - Mamun_Sheikh/ Shutterstock.com

Um grupo de empresas de private equity, fundos que compram participações em companhias fechadas, avaliou nos últimos meses uma eventual aquisição conjunta da divisão de jogos Xbox, da Microsoft, com sede em Redmond, no estado norte-americano de Washington. O levantamento feito pelos investidores estimou o valor do negócio na faixa de US$ 100 bilhões a US$ 150 bilhões, mas as conversas não avançaram para o envio de uma proposta oficial.

As discussões entre as firmas financeiras foram breves e permaneceram apenas em estágio exploratório, segundo apuração divulgada nesta terça-feira (20). Procurada para comentar o cálculo de mercado, a Microsoft informou por meio de um porta-voz que “a Xbox não está à venda”, em tradução livre.

A Microsoft pretende vender ou desmembrar a divisão Xbox?

A negativa oficial de venda acompanha a posição pública adotada pela liderança da empresa nos últimos meses diante de rumores do mercado financeiro. Em entrevista concedida no final de setembro de 2026, a diretora-executiva (CEO) da divisão Xbox, Asha Sharma, que assumiu o comando da operação em fevereiro de 2026, rechaçou qualquer intenção de se desfazer do setor de entretenimento interativo. “O Xbox não está à venda. Faremos o que for preciso para preparar a empresa para o sucesso, e examinaremos as parcerias certas, o modelo operacional adequado e tudo o que for necessário para alcançar isso”, declarou a executiva na ocasião.

Antes da sondagem atual dos fundos privados, em junho de 2026, circularam informações de que a Microsoft chegou a avaliar internamente um desmembramento (spin-off, termo usado para a criação de uma empresa independente a partir de uma divisão) ou uma reestruturação da Xbox como subsidiária integral ou joint venture, modelo de associação entre companhias. Na época, a liderança comercial da gigante de tecnologia, encabeçada pelo diretor comercial Judson Althoff, negou que essa separação estivesse nos planos da corporação.

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Apesar do posicionamento da empresa, os detalhes exatos sobre o estudo realizado pelos investidores permanecem sob sigilo. Os nomes das firmas de private equity que conduziram a avaliação entre US$ 100 bilhões e US$ 150 bilhões não foram revelados até o momento, e tampouco há confirmação sobre quais ativos específicos de hardware, estúdios, propriedades intelectuais ou serviços de assinatura entraram na conta dos grupos financeiros.

Desempenho financeiro da Xbox e reestruturação em 2026

O cálculo de valor de mercado feito pelos investidores ocorre enquanto a divisão de videogames atravessa uma reorganização interna liderada por Asha Sharma, marcada por cortes de pessoal e queda nos indicadores financeiros. No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a operação enfrentou retração na venda de consoles de mesa e redução na rentabilidade, mesmo mantendo uma estrutura de grande porte dentro da corporação.

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  • Receita anual da divisão Xbox no ano fiscal encerrado em junho de 2026: US$ 21,79 bilhões (cerca de US$ 21,8 bilhões), queda anual de 7%.
  • Desempenho de hardware no mesmo período fiscal: recuo de 29% nas vendas de aparelhos.
  • Margem contábil da unidade de jogos até junho de 2026: índice reduzido para 3%.
  • Participação nos negócios da controladora: a divisão responde por aproximadamente 7% da receita total da Microsoft.
  • Quadro de pessoal atual: cerca de 14.000 funcionários alocados na operação Xbox.

Peso dos estúdios da Xbox e comparativo no setor de games

A estimativa máxima de US$ 150 bilhões atribuída à divisão reflete o acúmulo de propriedades intelectuais e empresas compradas pela Microsoft ao longo da última década para expandir sua presença em computadores, consoles, computação em nuvem e celulares. Atualmente, o catálogo sob gestão da marca reúne os estúdios próprios da Xbox, a editora Bethesda e a estrutura da Activision Blizzard King, o que inclui franquias globais como Call of Duty, Minecraft, Halo, Diablo, World of Warcraft, Candy Crush e The Elder Scrolls.

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O valor calculado pelos fundos supera com folga os maiores negócios já fechados na indústria de videogames. A própria incorporação da Activision Blizzard King pela Microsoft, anunciada em 2022 e concluída em outubro de 2023 por US$ 68,7 bilhões, detém o posto de maior transação da história do setor. Anos antes, em 2014, a dona do Windows já havia desembolsado US$ 2,5 bilhões pela Mojang, criadora de Minecraft.

Fora do ecossistema da Microsoft, a movimentação mais recente de grande porte ocorreu em 4 de agosto de 2026, quando a produtora Electronic Arts (EA) foi adquirida por US$ 55 bilhões. A operação, estruturada por um consórcio que reuniu o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF), a gestora Silver Lake e a firma Affinity Partners, consolidou-se como a segunda maior compra do mercado de jogos eletrônicos e a maior aquisição alavancada (leveraged buyout, compra financiada majoritariamente por dívida) já registrada.

Planos da Xbox para o Game Pass e novos consoles até 2028

Enquanto descarta a venda da operação, a direção da Xbox prepara mudanças no seu principal serviço de assinatura e o lançamento de dois novos aparelhos para os próximos anos:

  • Reformulação do Game Pass: desenvolvimento de um novo formato comercial no modelo avulso (“à la carte”) para os assinantes da plataforma.
  • Temporada de festas do final de 2027: previsão de lançamento de um dispositivo portátil dedicado da marca Xbox.
  • Ano de 2028: previsão de chegada do console de próxima geração da empresa, desenvolvido sob o codinome Project Helix, que possui preço interno projetado sem subsídios na faixa de US$ 1.200 a US$ 1.800.
Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing