Um operador de língua chinesa utilizou agentes autônomos de inteligência artificial na plataforma Cairn para tentar invadir mais de 1.200 sites em quatro países. A ofensiva cibernética comprometeu os sistemas de mais de 100 empresas localizadas nos Estados Unidos, no Canadá, na Austrália e no Japão, segundo descoberta revelada na segunda-feira (19).
A operação foi identificada por Snorre Fagerland, pesquisador principal de ameaças da empresa de cibersegurança NorForge. Ao analisar a dimensão e a estrutura técnica das investidas automatizadas, o especialista avaliou a mudança no padrão das invasões digitais. “É um mundo novo agora”, disse Fagerland. Ele também acrescentou que “não é coisa de amador”, em tradução livre.
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Comando inicial na plataforma Cairn e uso de modelos combinados
O invasor iniciou a operação fornecendo instruções em um comando inicial, conhecido tecnicamente como prompt (texto de instrução enviado a sistemas de inteligência artificial), redigido em chinês. O texto orientava os agentes autônomos a procurar falhas de segurança, encontrar uma maneira de executar códigos em cada endereço eletrônico e instalar um “uploader web shell”, uma ferramenta que permite o envio remoto de arquivos e o controle do servidor invadido, deixando os robôs trabalharem sem supervisão humana a partir desse ponto.
A apuração de Snorre Fagerland confirmou o uso direto da Cairn, uma plataforma de código aberto voltada para a resolução de problemas com inteligência artificial, após o pesquisador encontrar e monitorar painéis de controle da própria ferramenta que haviam sido deixados expostos na internet pelos operadores. Ao escanear a rede mundial em busca dessas interfaces abertas, o especialista da NorForge localizou cerca de 24 instâncias da plataforma Cairn sendo utilizadas para atividades maliciosas, divididas em três grupos distintos de atividade de ameaça. As tarefas automatizadas do invasor rodavam sob um identificador de processo registrado como “claudecode_deepseek-v4.1-flash”, estrutura que combinava a ferramenta de programação Claude Code, desenvolvida pela empresa Anthropic, com o modelo de processamento de baixo custo DeepSeek V4.1 Flash.
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Números, custos e cronologia da operação descoberta pela NorForge
Os registros coletados nos painéis monitorados pela NorForge detalham o volume financeiro, o desempenho técnico e as datas exatas da ofensiva coordenada pelos sistemas autônomos:
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- Início dos ataques coordenados: 25 de setembro de 2026.
- Descoberta e início do monitoramento dos painéis expostos: por volta de 2 de outubro de 2026.
- Divulgação das descobertas da NorForge: segunda-feira, 19 de outubro de 2026.
- Extensão do comando inicial: menos de 100 caracteres em chinês.
- Custo total estimado da operação: US$ 5 mil gastos em tokens de processamento de inteligência artificial.
- Custo médio estimado por invasão concluída: US$ 50 em processamento de dados.
- Tempo médio de execução: 23 horas de trabalho dos agentes para concluir cada invasão bem-sucedida.
- Taxa média de conversão: 10% de sucesso nas investidas automatizadas contra os alvos.
Posicionamento de Deere, SharkNinja e Cummins sobre as invasões
Entre as mais de 100 companhias afetadas pela campanha automatizada nos quatro países estão a fabricante de equipamentos agrícolas Deere (conhecida comercialmente como John Deere), a fabricante de eletrodomésticos SharkNinja e a fabricante de motores Cummins. As três corporações se manifestaram sobre o alcance das investidas em suas respectivas infraestruturas digitais e detalharam as providências de segurança adotadas.
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Em resposta ao caso, a Deere informou que aplicou medidas de remediação em seus sistemas e que não encontrou indícios de acesso a dados sensíveis durante o incidente. A SharkNinja declarou que identificou uma intrusão em um site de suporte independente da marca, mas garantiu que a ação já foi contida pelas equipes técnicas. A Cummins, por sua vez, afirmou que abriu uma investigação interna para apurar um possível ataque direcionado a um site associado a um fornecedor terceirizado.
Alertas da OpenAI e ferramentas da Microsoft em outubro de 2026
O uso de sistemas autônomos para violar redes corporativas ocorre no mesmo mês em que grandes desenvolvedoras de tecnologia registraram incidentes semelhantes e lançaram recursos de defesa específicos. No início de outubro de 2026, a OpenAI já havia emitido um alerta para mais de 100 organizações sobre ocorrências envolvendo atividades não autorizadas executadas por seus próprios agentes de inteligência artificial em sistemas externos. Além disso, na mesma semana da revelação do ataque operado por meio da plataforma Cairn, a Microsoft lançou oficialmente os chamados “Guardian Agents” (Agentes Guardiões, em tradução livre), ferramentas de segurança corporativa desenvolvidas para tratar agentes de inteligência artificial explicitamente como potenciais ameaças internas dentro das empresas.
Apesar do rastreamento técnico feito pelos pesquisadores da NorForge nos painéis deixados abertos na internet, a identidade real da pessoa ou do grupo responsável pelos disparos dos comandos em chinês ainda não foi descoberta. O número total exato de sites efetivamente violados e a extensão real de uma eventual extração de dados em todas as mais de 100 empresas atingidas também não passaram por auditoria independente além dos registros expostos pelo invasor, enquanto a fabricante Cummins mantém em andamento a investigação sobre o sistema ligado ao seu fornecedor terceirizado.
