Lula condiciona presença no debate da TV Globo à reciprocidade de Flávio

Lula - BW Press / Shutterstock.com

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O presidente da República e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) condicionou a realização do último debate presidencial na TV Globo à apresentação de um documento que autorize a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A exigência foi declarada na noite de terça-feira (20), durante ato de campanha e caminhada na ponte sobre o Rio São Francisco, estrutura que liga os municípios de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).

No discurso de encerramento da agenda no Nordeste, o chefe do Executivo vinculou diretamente o confronto televisivo à entrega do termo assinado pelo adversário do segundo turno. “Se ele apresentar um documento autorizando quebrar o sigilo vai ter debate, porque senão ele não pode ir ao debate. Porque um presidente da República não pode debater com ladrão”, declarou Lula. O candidato petista acrescentou um segundo desafio direto ao concorrente durante o ato público: “Eu estou disposto a que a sociedade brasileira saiba quem é ladrão nesse país, quem é corrupto. Vamos ver se ele [Flávio] tem coragem de abrir a vida secreta dele”.

O palanque montado na divisa entre os estados da Bahia e de Pernambuco reuniu lideranças políticas da região aliadas à candidatura presidencial. Estiveram presentes no ato os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, e Rafael Fonteles (PT), do Piauí, além do senador eleito pela Bahia Rui Costa (PT). Enquanto o candidato discursava, apoiadores entoaram o coro “Abre o sigilo, Flávio”, acompanhando a estratégia de comunicação da campanha petista, que também lançou um jingle na terça-feira (20) e mobilizou cobranças nas redes sociais com a frase “Flávio, abre o sigilo”.

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Pedido de Lula no TSE e no STF abrange oito anos de dados

Horas antes do discurso na ponte sobre o Rio São Francisco, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva protocolou formalmente uma petição e uma carta no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) autorizando a divulgação dos registros bancários, fiscais e telefônicos do presidente e de seus familiares referentes aos últimos oito anos. O requerimento foi encaminhado ao presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, tendo o vice-presidente da Corte Eleitoral, ministro André Mendonça, sido designado como relator do pedido no tribunal, com a proposta de tornar os arquivos públicos no sistema DivulgaCandContas — plataforma oficial da Justiça Eleitoral que reúne informações sobre candidatos e prestações de contas — ou em outro ambiente de livre acesso.

A documentação entregue às duas Cortes contém uma cláusula de reciprocidade que trava a liberação imediata das informações. Embora a petição reúna a declaração formal de autorização de Lula e as procurações assinadas por seus familiares, os extratos bancários, fiscais e os registros telefônicos em si ainda não foram anexados ao processo, pois a entrega efetiva dos arquivos foi condicionada à concordância formal de Flávio Bolsonaro em submeter os próprios dados e os de seu núcleo familiar às mesmas regras de transparência pública.

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Familiares e empresas incluídos na exigência de Lula e Flávio Bolsonaro

O alcance do termo protocolado na Justiça Eleitoral e na Suprema Corte ultrapassa os dois concorrentes ao Palácio do Planalto e atinge parentes de primeiro grau e pessoas jurídicas das quais os candidatos sejam sócios, administradores ou responsáveis financeiros. Pelo lado do candidato do PT, assinaram procurações autorizando a exposição dos dados a primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva (Janja), e os cinco filhos do presidente: Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), Lurian Cordeiro Lula da Silva, Marcos Cláudio Lula da Silva, Sandro Luís Lula da Silva e Luís Cláudio Lula da Silva, além da inclusão da empresa L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações Ltda.

Para que a cláusula de reciprocidade seja acionada, a petição estabelece que a abertura de dados pelo lado do candidato do PL contemple, além do próprio senador Flávio Bolsonaro e de empresas vinculadas à família, a esposa dele, Fernanda Bolsonaro, os pais, Jair Bolsonaro e Rogéria Bolsonaro, e os três irmãos parlamentares: o senador eleito por Santa Catarina Carlos Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o deputado federal eleito por Santa Catarina Jair Renan Bolsonaro.

Origem do embate sobre sigilos e menção ao Banco Master

A disputa eleitoral em torno da exposição de dados financeiros teve início no domingo, 18 de outubro de 2026, durante o debate presidencial promovido pela TV Bandeirantes. Nos estúdios da emissora, Lula lançou pela primeira vez o desafio para a quebra mútua de sigilos. Na ocasião, Flávio Bolsonaro afirmou não ter “absolutamente nada a esconder”, mas respondeu com ironia à proposta do adversário e evitou confirmar se assinaria um documento autorizando o envio de suas informações à Justiça e ao público.

Na segunda-feira (19), durante um ato de campanha realizado em Porto Alegre (RS), Lula já havia antecipado que entregaria a procuração ao TSE no dia seguinte. Na capital gaúcha, o presidente justificou a medida afirmando que desejava obter esclarecimentos sobre o que classificou como “R$ 134 milhões do Banco Master” e entender de que forma o candidato do PL adquiriu um imóvel residencial pelo valor total de R$ 10 milhões pagos à vista.

Prazos do segundo turno até o debate na TV Globo

Até a conclusão do ato no Nordeste, o senador Flávio Bolsonaro e a coordenação de sua campanha ainda não haviam respondido formalmente à petição protocolada no TSE e no STF, nem confirmado se assinarão o termo de reciprocidade exigido por Lula para a realização do encontro televisivo. A reta final da disputa presidencial concentra os seguintes compromissos oficiais no calendário eleitoral:

  • 18 de outubro de 2026 (domingo): realização do debate na TV Bandeirantes, quando o desafio sobre a quebra de sigilos foi proposto inicialmente.
  • 20 de outubro de 2026 (terça-feira): protocolo da petição condicional no TSE e no STF sob relatoria do ministro André Mendonça e discurso de Lula entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE).
  • 23 de outubro de 2026 (sexta-feira): data agendada para o último debate presidencial do segundo turno, organizado pela TV Globo.
  • 25 de outubro de 2026 (domingo): dia da votação do segundo turno das eleições presidenciais em todo o país.
Carolina Costa: Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração