O Ministério da Saúde iniciou a distribuição de nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia no Sistema Único de Saúde (SUS) na terça-feira (20), em cerimônia realizada na cidade de São Paulo. A medida abrange 13 indicações terapêuticas para diferentes tumores e tem estimativa de atender mais de 116 mil pacientes da rede pública, com investimento anual calculado em R$ 155,4 milhões apenas na compra desse primeiro lote de produtos.
O anúncio oficial ocorreu às 10h, no Hospital Beneficência Portuguesa, com a participação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. “Estamos ampliando e qualificando a rede de câncer em todo o país com o que tem de mais moderno e avançado. É uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo. Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, afirmou o ministro.
Lista dos 9 medicamentos oncológicos do SUS e indicações
Os fármacos liberados nesta etapa atendem pacientes com diagnósticos de câncer de mama, próstata, pulmão, rim, estômago e tireoide, além de casos de leucemia, linfomas e tumores neuroendócrinos — neoplasias que se formam em células produtoras de hormônios. Entre os itens disponibilizados está o abemaciclibe, voltado para quadros específicos de câncer de mama, inclusive em estágio metastático (quando a doença se espalha para outras partes do corpo).
A relação completa dos nove produtos integrados à rede pública e as respectivas finalidades clínicas contempla as seguintes indicações:
- Trastuzumabe: indicado para câncer de estômago ou da junção esofagogástrica (região que liga o esôfago ao estômago);
- Abemaciclibe: voltado ao câncer de mama precoce (com receptor hormonal positivo, proteína Her2 negativa e linfonodo positivo) ou em estágio avançado e metastático;
- Acetato de lanreotida: destinado ao tratamento de tumores neuroendócrinos;
- Pazopanibe: utilizado contra câncer de rim de células claras metastático;
- Rituximabe: aplicado em primeira linha (tratamento inicial) para leucemia linfocítica crônica, linfoma folicular e linfoma difuso;
- Abiraterona: prescrito para câncer de próstata resistente ou sensível à hormonioterapia (tratamento que bloqueia a ação de hormônios), em quadros metastáticos ou não metastáticos;
- Gefitinibe: indicado em primeira linha para câncer de pulmão de não pequenas células;
- TSH recombinante (alfatirotropina): voltado ao câncer diferenciado de tireoide que possui indicação de uso de iodo radioativo;
- Sunitinibe: empregado no câncer de rim de células claras metastático e em casos de GIST (tumor estromal gastrointestinal, que afeta o aparelho digestivo) avançado ou metastático após falha no tratamento com o fármaco imatinibe.
Atendimento no SUS, estados contemplados e testes de rastreamento
O fornecimento gratuito vale para pacientes acompanhados pelo SUS que se enquadrem nas 13 indicações clínicas previstas pelo protocolo federal. Nesta primeira fase, os produtos chegam a unidades de saúde distribuídas em 17 unidades da federação, abrangendo 16 estados e o Distrito Federal: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe e Tocantins.
O Ministério da Saúde ainda não divulgou a relação nominal completa dos hospitais e centros de tratamento oncológico que receberam as remessas iniciais. Até o momento, foram mencionadas em agendas locais apenas duas instituições: o Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista, e o Hospital Universitário do Ceará, localizado em Fortaleza.
A superintendente do Ministério da Saúde no Ceará, Kelly Arruda, declarou que a entrega dos insumos busca acelerar a resposta clínica na rede pública. “Todas essas medidas têm como objetivo ofertar à população mais serviços em tempo oportuno porque o diagnóstico, sendo dado precocemente, faz com que a gente ganhe mais tempo e agilidade no tratamento para que as consequências sejam diminuídas e o impacto seja positivo na vida de cada um dos cearenses e brasileiros que dependem do SUS”, disse a gestora.
O cronograma do governo federal prevê que a distribuição dos nove fármacos seja estendida para todos os demais centros de oncologia do país até dezembro de 2026. Além dos remédios, a pasta anunciou o financiamento de cirurgias videotorácicas oncológicas (procedimentos minimamente invasivos feitos por vídeo na região do tórax) para câncer de pulmão e a entrega, a partir de novembro, de 400 mil testes para rastreamento de câncer colorretal. Os exames preventivos são direcionados a pessoas sem sintomas, com idades entre 50 e 75 anos, que moram em capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes.
Investimento de R$ 4 bilhões no SUS e pacote de 23 fármacos até o fim de 2026
A liberação anunciada em 20 de outubro de 2026 integra um plano mais amplo da pasta para disponibilizar, ao todo, 23 novos medicamentos contra o câncer na rede pública até o encerramento de 2026. Com o pacote completo, o governo projeta ampliar em 35% as alternativas terapêuticas oncológicas gratuitas no país.
Para viabilizar a chegada dos 23 produtos, a gestão federal dividiu a operação financeira em três frentes: assumiu a negociação e a compra direta de 10 medicamentos, estruturou uma ata de registro de preços (mecanismo oficial que padroniza valores para compras governamentais) para que os estados adquiram outros nove itens por um custo reduzido e elevou os repasses federais de custeio aos serviços de oncologia para cobrir os quatro fármacos restantes.
Os dados financeiros, o alcance territorial e as metas do programa do Ministério da Saúde reúnem os seguintes números:
- Data e local do anúncio: 20 de outubro de 2026, às 10h, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo (SP);
- Investimento anual nos 9 medicamentos iniciais: R$ 155,4 milhões estimados para a aquisição;
- Público estimado na primeira etapa: mais de 116 mil pacientes beneficiados em 13 indicações terapêuticas;
- Alcance territorial inicial: 16 estados e o Distrito Federal, com expansão nacional prevista até dezembro de 2026;
- Meta até o fim de 2026: oferta total de 23 novos fármacos oncológicos, ampliando em 35% as opções de tratamento no SUS;
- Impacto orçamentário total do pacote de 23 itens: estimado em R$ 4 bilhões por ano.
Fármacos do SUS aguardavam oferta desde 2013
Parte dos medicamentos incluídos na remessa atual já tinha aprovação formal para uso no SUS há mais de uma década, mas não chegava de forma efetiva aos pacientes nos hospitais públicos. Um dos exemplos é o gefitinibe, cuja incorporação para o tratamento de câncer de pulmão estava prevista desde 2013 sem disponibilidade prática na rede.
Outros produtos já faziam parte do estoque público para doenças distintas e passaram por ampliação de uso. O trastuzumabe, que já era fornecido no SUS para quadros de câncer de mama, passa agora a atender pacientes com tumores no estômago. Situação semelhante ocorre com o rituximabe. “Os pacientes com alguns tipos de linfoma e leucemia também poderão beneficiar-se com a ampliação das indicações de rituximabe”, declarou o ministro Alexandre Padilha.
A reformulação no modelo de compras e entregas faz parte da política de Assistência Farmacêutica em Oncologia (AF-Onco), diretriz do governo que organiza o suprimento de remédios contra o câncer, e integra o programa federal Agora Tem Especialistas, lançado em 2025 para ampliar o acesso a consultas, exames e tratamentos especializados na rede pública.
