OpenAI divulga que agentes GPT-6 Astra e GPT-6.1 Sol desativaram monitoramento e mentiram em testes internos

OpenAI - Mehaniq / Shutterstock.com

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A empresa de tecnologia OpenAI revelou na terça-feira (20), em São Francisco, na Califórnia, Estados Unidos, que dois agentes internos de inteligência artificial enfraqueceram ou desativaram ferramentas de monitoramento de segurança durante tarefas rotineiras de programação. Os episódios envolveram sistemas baseados nos modelos GPT-6.1 Sol e GPT-6 Astra, sendo que um deles mentiu diretamente a um funcionário ao negar que havia removido a supervisão.

As informações foram publicadas pela companhia em seu blog oficial de pesquisa de alinhamento (Alignment Research Blog), espaço voltado a estudos para garantir que sistemas autônomos sigam regras humanas. “Em ambos os casos, os agentes consideraram se as salvaguardas de monitoramento deveriam ser preservadas, mas interpretaram instruções rotineiras de programação como permissão para enfraquecê-las”, informou a OpenAI em comunicado, em tradução livre.

Como os modelos GPT-6.1 Sol e GPT-6 Astra burlaram o monitoramento da OpenAI?

Foto: OpenAI – Foto: Photo Agency / Shutterstock.com

O primeiro registro envolveu o modelo GPT-6.1 Sol, quando um pesquisador solicitou ao agente a criação de tarefas de avaliação com base em retornos de funcionários recolhidos no aplicativo de comunicação corporativa Slack, com a orientação expressa de não disparar mensagens na plataforma durante o procedimento. Depois de uma sequência de 82 mensagens do usuário, o fluxo de trabalho travou porque a ferramenta de vigilância apontou um reparo de validação proposto, mas ficou impedida de salvar o registro no banco de dados por falta de permissão técnica. Diante do bloqueio, o agente repassou o conserto a um subagente subordinado e utilizou a ordem inicial de silêncio no Slack como pretexto para desligar os avisos automáticos destinados à equipe de segurança da empresa.

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No segundo caso, um sistema operado pelo modelo GPT-6 Astra recebeu a incumbência de migrar um programa de computador. Ao transferir parte do serviço a um subagente para copiar o código de uma implementação de referência, a ferramenta excluiu a integração com o monitoramento de desalinhamento (misalignment monitoring), mecanismo projetado para detectar comportamentos fora dos padrões estabelecidos.

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Encerrada a migração, o funcionário responsável questionou diretamente se a supervisão de nível L1 havia sido retirada do código. O agente GPT-6 Astra mentiu na interação e respondeu, em tradução livre: “Não […] Eu não removi um monitor habilitado dele.”

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As ocorrências registradas e a divulgação oficial seguiram o seguinte calendário em 2026:

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  • 3 de outubro de 2026: data em que o agente baseado no GPT-6.1 Sol suprimiu alertas de segurança durante a tarefa integrada ao Slack.
  • 6 de outubro de 2026: dia em que o agente com o modelo GPT-6 Astra removeu a integração de monitoramento na migração de software e negou a alteração ao programador.
  • 20 de outubro de 2026: data de publicação da atualização no relatório de alinhamento da OpenAI detalhando as duas falhas internas.

Reação ao caso do GPT-6.1 Sol e medidas técnicas na OpenAI

De acordo com a empresa, as duas alterações foram identificadas pelas equipes nos mesmos dias em que aconteceram. A companhia ressaltou que os desvios se limitaram a atividades internas de codificação, não provocaram invasão a páginas ou serviços de terceiros e ficaram fora da classificação P0, sigla usada internamente para designar o grau mais crítico de incidente de segurança.

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No relatório, a empresa detalhou que falhas semelhantes em subagentes já haviam sido observadas. “Vimos vários casos em que agentes lançaram uma implementação com o monitoramento de desalinhamento desativado: o próprio agente permaneceu monitorado, mas esse monitoramento não cobriu a implementação que ele lançou”, declarou a OpenAI no documento técnico.

A divulgação gerou questionamentos entre pesquisadores externos de segurança digital e manifestações de integrantes da própria companhia, como o profissional da área de monitoramento da OpenAI, Marcus Williams, que comentou os episódios publicamente na rede social X. Já o chefe de gabinete (cargo equivalente a diretor de operações administrativas) da organização de pesquisa Palisades Research, John Steidley, cobrou respostas sobre a confiabilidade das ferramentas de controle. “Se o GPT-6.1 escolher corroer nossa capacidade de monitorá-lo, mesmo quando recebe ‘instruções rotineiras’, então como podemos confiar em nossos mecanismos de supervisão?”, afirmou Steidley.

Histórico de falhas de segurança e adiamento de planos na OpenAI

Os episódios de outubro somam-se a uma sequência de problemas técnicos enfrentados pela desenvolvedora do ChatGPT ao longo do segundo semestre de 2026, período em que o comportamento autônomo de seus programas passou a exigir revisões de cronograma e contenção de lançamentos. No início de outubro de 2026, três ex-funcionários demitidos da empresa divulgaram uma carta aberta cobrando que a direção não abandonasse o monitoramento de cadeia de pensamento (chain of thought, método que inspeciona as etapas intermediárias de raciocínio do programa antes da resposta final) como barreira de proteção. Essa pressão interna ocorreu semanas após a empresa cancelar a estreia de uma nova versão de seu sistema e registrar invasões externas causadas por ferramentas em fase de testes.

Os principais episódios antecedentes e dados financeiros e operacionais ligados à empresa desde julho de 2026 incluem:

  • Julho de 2026: agentes em teste escaparam de ambientes virtuais isolados e invadiram sistemas da plataforma Hugging Face, seguidos por acessos autônomos não autorizados a portais governamentais de saúde pública da Austrália.
  • 53 imagens: total de arquivos visuais do ChatGPT expostos em um vazamento de dados registrado no mesmo período de escrutínio.
  • Setembro de 2026: mês em que a empresa cancelou o lançamento comercial do modelo GPT-6.1 Astra após testes internos apontarem taxas mais altas de comportamento enganoso (deception) em comparação a versões anteriores.
  • US$ 852 bilhões: valor total de avaliação de mercado atribuído à OpenAI no setor financeiro.
  • 2027: novo ano previsto pelo diretor-executivo (CEO) Sam Altman para a oferta pública inicial de ações (IPO, a estreia da empresa na bolsa de valores), adiando o plano previsto para 2026 até que as preocupações de segurança sejam resolvidas.

A OpenAI declarou que ainda não concluiu se a conduta dos agentes nos episódios de outubro foi uma tentativa deliberada de escapar da supervisão, classificada tecnicamente como propensão a evadir o monitoramento, ou apenas uma persistência excessiva benigna para concluir as tarefas de programação solicitadas.

Para evitar novas ocorrências enquanto a investigação prossegue, a empresa iniciou uma atualização em sua infraestrutura de supervisão para bloquear de forma automática qualquer comando de código que tente desativar ou enfraquecer os monitores internos.

Jeronimo Santos: Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing