Parque Nacional do Descobrimento registra urutau-de-asa-branca

Urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) - Reprodução/Globo

Urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) - Reprodução/Globo

Uma equipe de monitoramento filmou pela primeira vez o urutau-de-asa-branca (Nyctibius leucopterus) no Parque Nacional do Descobrimento, no município de Prado, no sul da Bahia. Divulgado nesta terça-feira (20), o registro inédito confirma a presença da espécie criticamente ameaçada de extinção em uma unidade de conservação federal onde sua ocorrência ainda não era conhecida pela ciência.

Popularmente chamada de ave-fantasma ou mãe-da-lua-de-asa-branca devido à capacidade de camuflagem na ponta de galhos, a ave noturna não fazia parte do plano de manejo do parque. As imagens foram gravadas pelo condutor de visitantes e guia de observação de aves Jaílson Souza no último dia da expedição realizada em outubro de 2026. “Esse achado foi muito importante, muita gente nem sabe que existe essa ave, e no parque ainda não se tinha conhecimento sobre a ocorrência dela, ela não fazia parte nem do plano de manejo. Então descobrir ela aqui, e fazer esse primeiro registro da ave para a unidade foi emocionante, o achado fortalece a importância da conservação e proteção da natureza”, disse Jaílson Souza.

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Expedição no Parque Nacional do Descobrimento e na Terra Indígena Comexátibá

O trabalho de campo reuniu pesquisadores e lideranças indígenas na segunda campanha fotográfica voltada à catalogação da avifauna do Parque Nacional do Descobrimento e da Terra Indígena Comexátibá. O grupo identificou a presença do animal logo no início do monitoramento de outubro por meio do som emitido pela ave, mas o encontro visual demorou a acontecer. O dia exato de outubro de 2026 em que a expedição de campo se encerrou com a gravação do vídeo não foi informado pelas instituições envolvidas, tendo ocorrido a divulgação oficial em 20 de outubro de 2026.

“Essa foi a segunda campanha de fotos que fizemos para a criação desse guia de aves do Parque Nacional do Descobrimento. Nesses primeiros dias conseguimos fotografar muitas aves interessantes como o beija-flor bandeirinha, o surucuá-de-coleira e até harpia. O registro do urutau-de-asa-branca foi uma vitória pra nós, pois nós ouvimos a ave vocalizar desde o primeiro dia da campanha e somente no último conseguimos com sucesso fazer a observação e registros dela”, afirmou Carlos Silva, de nome indígena Piatã Pataxó, condutor de visitantes e liderança do povo Pataxó na Aldeia Gurita.

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A expedição teve o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal responsável pela gestão das unidades de conservação, além do Instituto Maturembá e da organização não governamental WWF. Para a pesquisadora do Parque Nacional do Descobrimento pelo ICMBio, Rafaela Campostrini Forzza, a descoberta impulsiona a preservação ambiental e o ecoturismo na região. “O Parque Nacional é o maior fragmento de floresta de tabuleiro do Nordeste, provavelmente é um dos maiores fragmentos de floresta Atlântica como um todo, ele é muito importante, muitas espécies ameaçadas vivem aqui, e a ocorrência do urutau-de-asa-branca reforça isso. A observação de aves é um caminho importante para trazer mais visitantes para a unidade”, declarou Rafaela.

Dados técnicos do urutau-de-asa-branca e da área em Prado

O animal catalogado na Bahia pertence a um grupo restrito de aves noturnas e vive em uma área protegida criada no final da década de 1990. Os principais indicadores biológicos da espécie e os dados territoriais do parque federal reúnem as seguintes medidas:

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  • Nome científico: Nyctibius leucopterus, uma das 5 espécies de urutaus que ocorrem no território brasileiro.
  • Dimensões físicas: comprimento aproximado de 30 centímetros (28 centímetros segundo a literatura ornitológica), com plumagem escura e uma região contrastante esbranquiçada na asa.
  • Grau de ameaça: classificado na categoria Criticamente em Perigo (CR) pelo Sistema de Avaliação do Risco de Extinção da Biodiversidade (SALVE), plataforma oficial do ICMBio.
  • População estimada: inferior a 250 indivíduos em cálculo feito pela ciência até pouco tempo atrás, reflexo da perda de habitat e da escassez de avistamentos.
  • Área da unidade: 22.607,74 hectares protegidos no município de Prado, abrangendo Floresta Ombrófila Densa (floresta de tabuleiro), muçunungas e formações pioneiras.

Redescoberta do urutau-de-asa-branca após 177 anos sem registros

A raridade das imagens gravadas na unidade de conservação reflete o histórico de lacunas científicas sobre o animal na costa brasileira. O urutau-de-asa-branca foi descrito originalmente pela ciência em 1821 pelo príncipe e naturalista alemão Maximilian Wied, a partir de um exemplar coletado na própria Bahia, mas permaneceu 177 anos sem nenhum novo registro na Mata Atlântica até ser redescoberto apenas no final da década de 1990. Na Mata Atlântica, a espécie sobrevive restrita a áreas florestais preservadas sobre tabuleiros costeiros nos estados da Bahia e do Espírito Santo, embora exista uma população na Amazônia registrada na literatura com o mesmo nome que, segundo apontam pesquisadores, trata-se de um táxon distinto (um grupo biológico diferente) ainda em processo de descrição formal.

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O autor das imagens no Parque Nacional do Descobrimento, criado por decreto em 20 de abril de 1999, já possuía experiência prévia na localização da espécie no extremo sul baiano. Em novembro de 2019, Jaílson Souza realizou outro registro em vídeo de um poleiro de urutau-de-asa-branca em uma área protegida diferente da região, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, situada no município de Porto Seguro.

Guia de aves do Parque Nacional do Descobrimento sai em 2027

As imagens e os dados coletados durante a campanha no parque e na Terra Indígena Comexátibá vão compor o guia de campo das aves do Parque Nacional do Descobrimento. O documento inédito utilizará o urutau-de-asa-branca como espécie-bandeira da conservação local e tem publicação prevista para o primeiro semestre de 2027.

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Enquanto o catálogo oficial está em fase de elaboração, visitantes interessados na avifauna da região podem participar de saídas frequentes de observação no interior da unidade de conservação por meio do projeto Vem Passarinhar Cumuru.

Bruna: Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.