A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (21) a Operação Efeito Colateral para combater a importação, a distribuição e a venda ilegal de medicamentos emagrecedores proibidos no Brasil. A ação resultou no bloqueio judicial de aproximadamente R$ 35 milhões em contas bancárias e no cumprimento de mandados na Bahia, no Rio de Janeiro e no Distrito Federal.
Além do bloqueio financeiro nas contas dos investigados, a Justiça determinou o sequestro de bens avaliados em R$ 3,5 milhões, incluindo imóveis e veículos. Os trabalhos de rua contaram com o apoio operacional da Polícia Militar da Bahia durante o cumprimento das determinações judiciais.
Polícia Federal cumpre 16 mandados na Operação Efeito Colateral
As equipes policiais saíram às ruas em 21 de outubro de 2026 para cumprir 16 mandados de busca e apreensão distribuídos em quatro municípios brasileiros. Em Salvador, na Bahia, um dos endereços vasculhados pelos agentes federais foi o condomínio de luxo Pedra do Sal, situado na Rua Passárgada, no bairro de Itapuã.
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As ordens judiciais também foram executadas na cidade baiana de Feira de Santana, na capital do Rio de Janeiro e em Brasília. As autoridades não detalharam a quantidade exata de buscas realizadas especificamente em cada um dos quatro municípios, e os nomes dos investigados e das empresas envolvidas não foram divulgados pela corporação.
Esquema trazia substância da China para venda em aplicativos
As investigações da Polícia Federal apontam a atuação de uma estrutura organizada em diversas etapas do comércio clandestino, desde a compra dos insumos no exterior até a entrega final aos consumidores no Brasil. Segundo a apuração policial, a substância utilizada na fabricação dos remédios para emagrecer era adquirida de maneira ilegal na China, sem nenhuma garantia de qualidade, segurança ou composição, sendo posteriormente oferecida pela internet, em redes sociais e em grupos de aplicativos de mensagens.
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Há indícios de que o grupo utilizava pessoas físicas e empresas para receber os pagamentos, estocar as mercadorias e organizar a logística de envio aos compradores. A apuração na Bahia indica ainda que a ofensiva mira a comercialização clandestina de tirzepatida, substância associada à caneta emagrecedora Mounjaro, cuja versão vendida pela rede investigada seria falsificada, sem eficácia comprovada e financiada pelo crime organizado.
Anvisa proíbe circulação de canetas emagrecedoras sem registro
Os produtos apreendidos e investigados na Operação Efeito Colateral não possuem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão federal responsável pelo controle e registro de medicamentos no país, e têm circulação proibida em território nacional. O consumo de canetas emagrecedoras e fórmulas sem procedência confiável expõe os compradores a substâncias diferentes das descritas nos rótulos ou a dosagens incorretas, já que os itens escapam das exigências de fiscalização sanitária.
A utilização desses medicamentos irregulares sem controle de concentração pode provocar efeitos adversos imediatos no organismo, como quadros de náuseas, vômitos, dores abdominais e desidratação, além de oferecer risco de complicações severas, a exemplo da pancreatite aguda. Diante da falta de garantias sobre a fabricação e os testes de segurança desses compostos ilegais, a orientação sanitária estabelece que tratamentos do tipo ocorram apenas sob prescrição médica e com produtos de origem regularizada.
Com os materiais recolhidos nas quatro cidades, a Polícia Federal segue com o inquérito para aprofundar as provas sobre o funcionamento da estrutura financeira e identificar todos os participantes das atividades ilícitas.
