Apoiadores e lideranças políticas da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizaram um ato seguido de caminhada pelo Centro de Florianópolis até a avenida Beira-Mar Norte na noite desta quarta-feira (21). A mobilização ocorreu a 4 dias da votação do segundo turno das eleições presidenciais e reuniu uma multidão com bandeiras, músicas e carro de som para ampliar o apoio ao candidato à reeleição em Santa Catarina.
Os discursos no Centro da capital catarinense concentraram-se na tentativa de virar votos na reta final da disputa, em críticas ao candidato adversário Flávio Bolsonaro e na defesa de direitos trabalhistas. O deputado estadual e presidente estadual do PT, Fabiano da Luz, afirmou que a articulação nas ruas sustenta a campanha nesta fase. “Esse movimento que nasceu da base, nasceu do povo que chacoalhou o Brasil nessas duas últimas semanas, está sendo estratégico para a vitória do presidente Lula”, disse o parlamentar, que completou: “Isso aqui não é uma onda, é um mar vermelho que está tomando conta do Brasil inteiro”.
Campanha de Lula busca abstêmios e fiscais para o domingo em Florianópolis
Durante o ato político que antecedeu a caminhada até a Beira-Mar Norte, os parlamentares definiram tarefas práticas para a militância executar nas ruas e nas redes sociais até o encerramento da campanha eleitoral. Fabiano da Luz convocou os presentes a procurarem diretamente os eleitores que se abstiveram de votar no primeiro turno, a dialogarem com conhecidos indecisos e a recrutarem voluntários para trabalhar como fiscais eleitorais nas seções de votação. Na mesma linha de abordagem direta, o vereador de São José André Guesser orientou os militantes a conversarem com pessoas que escolheram outros candidatos na primeira etapa do pleito, utilizando como argumento a manutenção e a valorização de programas federais já conhecidos pela população, entre eles o Farmácia Popular, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni).
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A deputada estadual Luciane Carminatti também cobrou empenho na conquista de eleitores indecisos até o dia do pleito e discursou em defesa das políticas culturais, dos direitos das mulheres e da população LGBT. A parlamentar afirmou que a cultura atua como ferramenta de liberdade contra a opressão e o ódio. “Essa virada vem porque a comunidade LGBT não vai pro armário! Não vai!”, declarou Carminatti, acrescentando um alerta sobre a apuração: “A gente só vai ganhar domingo, quando contar o último voto”.
Além de Fabiano da Luz, Luciane Carminatti e André Guesser, participaram e discursaram na mobilização os vereadores de Florianópolis Afrânio Boppré, Leonel Camasão, Carla Ayres e Ingrid, junto à ativista e liderança de movimentos populares Amanda Wenceslau.
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Afrânio Boppré cita ataque de 5 quilos em Joinville e alerta militância de Lula
A segurança dos militantes na reta final da campanha entrou na pauta após o vereador Afrânio Boppré relatar o caso de uma eleitora que demonstrou medo de usar um adesivo de apoio a Lula nas ruas. O parlamentar pediu que os apoiadores não deixem de se manifestar politicamente, mas recomendou atenção redobrada diante da hostilidade no ambiente eleitoral e mencionou a recente depredação do comitê petista no Norte do estado. “Até domingo, até segunda-feira, todos nós temos que tomar muito, muito cuidado”, afirmou Boppré, que também associou o pleito à preservação da democracia e da soberania nacional, além de enviar um recado ao prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, projetando a disputa municipal de 2028.
O episódio em Joinville citado por Afrânio Boppré ocorreu na noite de segunda-feira (19), por volta das 19h30, quando um homem arremessou a base de concreto de um windbanner — estrutura de bandeira publicitária — com peso aproximado de 5 quilos contra a porta de vidro do comitê de campanha de Lula no Centro daquela cidade. Militantes realizavam uma reunião no interior do imóvel no momento do impacto, mas ninguém ficou ferido. Esse tipo de ocorrência integra o quadro apurado por um estudo preliminar das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, que contabilizou 354 episódios de violência política no Brasil entre 28 de outubro de 2024 e 15 de agosto de 2026, o que representa a média de um caso registrado a cada 44 horas e um aumento de 18,4% na comparação com o período pré-eleitoral anterior.
Ato pró-Lula pauta escala 6×1 e mobilização no Congresso após 25 de outubro
As lideranças dos movimentos populares e os parlamentares presentes sustentaram que a pressão nas ruas precisará continuar após o resultado das urnas, diante de um Congresso Nacional sem maioria governista e que Amanda Wenceslau classificou como contrário aos interesses populares. Leonel Camasão e a ativista defenderam a reeleição de Lula vinculada a pautas trabalhistas e sociais, como o aumento salarial, o fim da escala 6×1 — regime de seis dias de trabalho para um de descanso —, a desmilitarização das escolas e o enfrentamento ao imperialismo.
Ao tratar do combate à violência contra a juventude negra, Amanda Wenceslau lembrou o assassinato de Hudson em Florianópolis e convocou a militância a cobrar justiça pelo caso. Até a publicação desta reportagem, a Polícia Militar e os organizadores do evento não haviam divulgado uma estimativa oficial sobre o número exato de participantes na caminhada pelo Centro da capital.
O calendário citado pelos oradores durante o ato envolve três datas de mobilização e histórico recente em Santa Catarina:
- 19 de outubro de 2026, às 19h30: ataque com peça de concreto contra o comitê de campanha no Centro de Joinville;
- 25 de outubro de 2026: votação do segundo turno das eleições presidenciais em todo o país;
- 20 de novembro de 2026: ato público em Florianópolis convocado por Amanda Wenceslau contra a violência à juventude negra e por justiça pela morte de Hudson.
