O médico oftalmologista Gabriel de Vitto esclareceu nesta quarta-feira (21) que a ilusão de ótica com círculos vermelhos e azuis compartilhada nas redes sociais não é exclusiva de quem usa óculos de grau. A percepção de profundidade na imagem decorre de um fenômeno visual chamado cromostereopsia, que se manifesta em qualquer ser humano com anatomia ocular normal.
A figura que circulou pela internet no Brasil apresenta formas circulares sobre um fundo escuro e ganhou alcance acompanhada da alegação de que apenas usuários de óculos ou lentes de contato veriam o círculo vermelho saltar para a frente.Na postagem original, a legenda afirmava que “dependendo da pessoa, as cores vermelha e azul podem parecer estar em profundidades bem diferentes”.
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Como a cromostereopsia atua no cérebro diante do vermelho e do azul
O efeito de flutuação observado nos círculos ocorre quando o sistema nervoso central processa cores muito opostas ou contrastantes dispostas lado a lado sobre uma base escura. Nessa configuração específica de contraste, a interpretação cerebral cria uma falsa sensação tridimensional, fazendo com que a tonalidade vermelha pareça avançar em direção ao observador enquanto a cor azul dá a impressão de recuar no espaço.
“Nosso cérebro, ao tentar processar a diferença entre as cores vermelha e azul, acaba criando uma ilusão de profundidade. É por isso que o vermelho parece vir para frente e o azul parece ir para trás”, afirmou o médico oftalmologista Gabriel de Vitto em declaração publicada em 21 de outubro de 2026.
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Por que os óculos de grau alteram a percepção da ilusão de ótica
Apesar de o fenômeno ser natural da visão humana, a associação popular do teste com problemas visuais tem uma explicação física ligada ao funcionamento dos acessórios de correção. Pessoas que utilizam óculos de grau, sobretudo aquelas que precisam de lentes corretivas mais fortes, costumam notar o desnível entre os círculos de maneira mais rápida e acentuada do que indivíduos que não utilizam o acessório, pois o próprio material óptico interfere na trajetória luminosa antes de ela atingir a retina.
“A confusão existe por um motivo simples: as lentes dos óculos de grau (especialmente as mais fortes) adicionam o seu próprio desvio de luz. Ou seja, quem usa óculos costuma ver o efeito de forma muito mais óbvia e intensa”, disse o especialista.
Fatores que mudam a visualização da imagem e limites como teste médico
Além da presença ou ausência de lentes corretivas, a observação da figura digital sofre influência do ambiente e do equipamento utilizado pelo internauta. A percepção de profundidade da cromostereopsia varia de acordo com três elementos externos e não apresenta relação com diagnósticos clínicos:
- Condições de exibição: a iluminação da tela, o nível de brilho configurado e a distância mantida em relação ao aparelho celular alteram a forma como os olhos captam o contraste.
- Ausência do efeito: não enxergar o círculo vermelho flutuando não indica a presença de estrabismo, alterações na mácula ou outras doenças oculares.
- Intensidade da ilusão: notar o desnível com muita força não significa que o grau de miopia ou de astigmatismo do observador tenha sofrido aumento.
“Não ver o efeito não é sinal de doenças nos olhos, como estrabismo ou problemas na mácula. Assim como ver a ilusão de forma muito intensa não significa que seu grau de miopia ou astigmatismo aumentou”, declarou Gabriel de Vitto.
Como a imagem compartilhada na internet não tem validade de exame oftalmológico, a orientação médica para verificar a necessidade de óculos, checar alterações de grau ou acompanhar a saúde da visão é a realização de consulta presencial com um oftalmologista.
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