Um contingente de 522 brigadistas, 41 veículos terrestres e 13 aeronaves foi mobilizado pelo governo federal nesta quinta-feira (22) para intensificar o combate aos incêndios florestais no oeste do Pará. A medida inclui o envio de aviões de lançamento de água e o apoio de órgãos de segurança em áreas de conflito para conter os 321 eventos de fogo ativos registrados em 76 municípios do estado.
Em entrevista coletiva concedida na tarde de 22 de outubro de 2026, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, informou que as equipes reúnem profissionais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). “Acionamos a Força Nacional de Segurança para auxiliar no trabalho dos brigadistas”, disse o ministro, ao relatar ocorrências em campo voltadas a dificultar a atuação das equipes de combate.
Concentração de aeronaves na região do Chapadão e em Santarém
Os esforços de resposta concentram-se na região do Chapadão, localizada na divisa entre os municípios paraenses de Santarém e Uruará, onde ocorrem 62 incêndios florestais. A área fica próxima à rodovia estadual PA-370, no entroncamento com a rodovia Transamazônica (BR-230), e a operação abrange também o município de São Félix do Xingu, além do distrito de Alter do Chão, em Santarém, que também foi atingido pelas chamas. Entre as aeronaves enviadas estão seis aviões do modelo Air Tractor, utilizados para lançar água diretamente sobre o fogo, que ficarão baseados na região de Santarém.
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Investigação de incêndios no Pará em áreas de invasão irregular
De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), os focos concentram-se em áreas de invasões irregulares dentro de assentamentos da reforma agrária e reservas legais, locais onde a pasta identificou práticas irregulares de manejo com uso intencional do fogo. As forças policiais investigam uma possível ação criminosa na promoção das queimadas na região, e o ministro João Paulo Capobianco pediu que a população evite o uso de fogo sem manejo adequado e denuncie suspeitos. “Não estamos afirmando que há ocorrência direta [de incêndios criminosos], mas isto está sendo investigado”, declarou o titular da pasta.
Monitoramento do Inpe e crédito de R$ 300 milhões para a Amazônia
Segundo a plataforma Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará é o estado com mais ocorrências de incêndios florestais no país. Entre a quarta-feira (14) e a terça-feira (20), o instituto identificou 2.991 focos de calor em território paraense, um aumento de 610 focos em relação ao período anterior de medição.
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O avanço do fogo e a estiagem levaram a Prefeitura de Altamira, no sudoeste do Pará, a decretar situação de emergência em áreas urbanas, rurais e ribeirinhas, somando 16 municípios paraenses nessa condição, enquanto outros sete pedidos de reconhecimento federal seguem em análise. Na quarta-feira (21), o governo federal encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória (MP) 1398/26, que abre crédito extraordinário de R$ 300 milhões no Orçamento de 2026 para ações da Defesa Civil, especialmente no combate às queimadas na Amazônia, medida justificada pela escassez de chuvas provocada pelo fenômeno El Niño — que ampliou o número de cidades em seca moderada a severa — e pela capacidade limitada de resposta das prefeituras. “Estamos trabalhando nas ações preventivas em relação a esse fenômeno que vem tornando nossas florestas mais suscetíveis a incêndios desde 2024”, afirmou Capobianco.

