Peter Jackson e Colossal Biosciences compram ovo de moa-gigante em leilão para projeto de desextinção

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Peter Jackson - Instagram/sir_peterjackson Foto: Peter Jackson - Instagram/sir_peterjackson

O cineasta neozelandês Peter Jackson e a empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciaram na segunda-feira (19) a compra de um raro ovo de moa-gigante da Ilha do Sul em um leilão no Colorado, nos Estados Unidos. A peça permaneceu por cerca de 60 anos em uma coleção privada norte-americana e será repatriada para a Nova Zelândia sob a custódia do povo indígena Ngāi Tahu.

A divulgação oficial ocorreu durante o 11º Encontro Internacional da Sociedade de Paleontologia e Evolução Aviária (SAPE 2026), realizado na cidade neozelandesa de Christchurch. “Quando soubemos que este ovo de moa excepcionalmente raro estava sendo vendido fora da Nova Zelândia, falamos com a Colossal, que não apenas se ofereceu para resgatá-lo a um custo considerável próprio, mas também para levá-lo em um voo privado para a Nova Zelândia, para que retorne para casa em segurança”, disse Peter Jackson, que atua como investidor da empresa e parceiro no programa da ave extinta, em tradução livre.

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Datas, valores e medidas do ovo de moa-gigante

O artefato foi arrematado antes do anúncio público em Christchurch e reúne dimensões superiores às das maiores aves vivas da atualidade. Os registros do leilão e os dados técnicos da peça confirmam os seguintes detalhes:

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  • Data e local da descoberta original: 14 de janeiro de 1966, na Nova Zelândia.
  • Data e local da compra: 12 de junho de 2026, na casa de leilões Artemis Gallery, em Louisville, no Colorado (EUA).
  • Valor aproximado pago no leilão: US$ 14.000 pelo exemplar.
  • Dimensões da peça: cerca de 22,2 centímetros de altura (8,75 polegadas) por 17,1 centímetros de diâmetro (6,75 polegadas), quase o dobro do volume de um ovo de avestruz.
  • Investimento prévio no projeto: US$ 15 milhões aplicados anteriormente por Peter Jackson e sua parceira e coinvestidora Fran Walsh na Colossal Biosciences para o programa do moa.

Restauração do ovo de moa e custódia do povo Ngāi Tahu

Parcialmente reconstruído a partir de diversos fragmentos, o espécime passará por uma nova restauração orientada por pesquisadores de Ngāi Tahu. Atualmente, existem menos de 40 ovos de moa suficientemente completos em coleções públicas ao redor do mundo, dos quais apenas 8 preservam ao menos 90% da casca original.

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Ovo comprado por Peter Jackson para tentar ressuscitar espécie - Divulgação
Foto: Ovo comprado por Peter Jackson para tentar ressuscitar espécie – Divulgação

“Após a restauração especializada, ele muito provavelmente se tornará apenas o nono ovo de moa quase intacto conhecido provavelmente um dos cinco exemplos mais bem preservados”, afirmou Jackson. O cofundador e diretor-executivo (CEO) da Colossal Biosciences, Ben Lamm, também comentou o destino do objeto: “Para citar Indiana Jones, ‘Isto pertence a um museu’, um museu em Aotearoa, sob o cuidado das pessoas cujos ancestrais viveram ao lado dessas aves extraordinárias”.

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A diretora científica da Colossal Biosciences, Beth Shapiro, informou que os líderes indígenas de Ngāi Tahu conduzirão todas as decisões científicas sobre o material. O trabalho inclui a colagem dos fragmentos restantes, exames de imagem não destrutivos e a eventual extração de DNA antigo para auxiliar nos estudos sobre a biologia reprodutiva e a linhagem da espécie.

Avanços da Colossal Biosciences e a extinção do moa na Nova Zelândia

A parceria para tentar reverter a extinção do moa foi firmada em 2025 entre a Colossal Biosciences, o centro de pesquisa Ngāi Tahu Research Centre, Peter Jackson e o Museu de Canterbury. Dentro dessa iniciativa, a empresa já sequenciou amostras genômicas retiradas de ossos de moa pertencentes ao próprio cineasta e desenvolveu sistemas de incubação artificial com ovos impressos em 3D, testados no crescimento de galinhas vivas.

Nove espécies de moa habitavam a Nova Zelândia quando os colonizadores polinésios chegaram à região, entre 1250 e 1300 d.C. Sem asas, o moa-gigante da Ilha do Sul podia atingir até 3,6 metros de altura (12 pés) e pesar 230 kg, mas todas as espécies desapareceram há cerca de 600 anos.

Desde 1975, a Lei de Objetos Protegidos da Nova Zelândia proíbe a exportação de restos da ave sem permissão do governo, por serem classificados como “taonga”, termo Māori para tesouros culturais. O exemplar adquirido no Colorado, contudo, havia deixado o país antes de a legislação entrar em vigor.

O curador sênior de História Natural do Museu de Canterbury, Paul Scofield, avaliou o retorno da peça ao país. “Os moas são centrais para a história natural e cultural de Aotearoa, e este ovo tem um valor científico e cultural muito maior aqui do que jamais poderia ter em uma coleção privada no exterior. Seu retorno para casa criará novas oportunidades para pesquisa, garantindo que este extraordinário taonga seja cuidado na terra e pelas pessoas a quem pertence”, declarou Scofield.

Os registros do leilão indicam que o artefato pode ter sido retirado de um local de sepultamento humano datado de cerca de 1300 d.C., mas a Colossal Biosciences informou que serão necessárias pesquisas adicionais para verificar sua procedência exata. Na Nova Zelândia, o ovo ficará sob os cuidados do povo Ngāi Tahu e do historiador Māori e professor da Universidade de Canterbury Te Maire Tau, líder tribal (Ūpoko) da subtribo Ngāi Tūāhuriri.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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