O cofundador do Google DeepMind e cientista-chefe da Alphabet, Demis Hassabis, afirmou que a inteligência artificial geral (AGI, na sigla em inglês) pode surgir em um intervalo de 2 a 3 anos. A nova projeção, divulgada na quarta-feira (21) nos Estados Unidos, reduz a estimativa anterior do executivo e indica que sistemas com capacidade cognitiva equivalente à humana estão mais próximos de acelerar descobertas na física e na medicina.
A declaração faz parte de uma entrevista publicada em 21 de outubro de 2026, conduzida pelo jornalista Ben Cohen dentro do pacote editorial sobre inovação tecnológica. Questionado sobre o ritmo de evolução dos modelos computacionais, o pesquisador afirmou que a transição tecnológica ocorrerá em breve. “Está próximo. Estou atualizando para cada vez mais perto”, declarou Demis Hassabis, em tradução livre, ao explicar que sua estimativa continua se aproximando do presente.
Como o teste de Einstein avalia a inteligência artificial geral?
Não existe um consenso único na indústria de tecnologia para determinar o momento exato em que um software atinge o patamar de AGI. De forma geral, o termo descreve um sistema computacional capaz de aprender, raciocinar e solucionar diferentes categorias de problemas com a mesma versatilidade de uma pessoa, superando os modelos atuais que apresentam alto desempenho apenas em tarefas específicas e isoladas.
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Para estabelecer um parâmetro de avaliação mais rigoroso sobre a inteligência artificial geral, Demis Hassabis propõe a aplicação de um método batizado por ele como “teste de Einstein”. A metodologia consiste em treinar um modelo computacional utilizando exclusivamente a base de conhecimento humano que estava disponível até o início do século XX. O objetivo do experimento é verificar se a máquina conseguiria processar esses dados históricos e deduzir, de maneira totalmente independente, a teoria da relatividade formulada pelo físico Albert Einstein, comprovando a capacidade real de gerar descobertas inéditas em vez de apenas recombinar informações já conhecidas.
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Histórico de previsões de Demis Hassabis para a AGI
A projeção atual representa o quarto ajuste feito pelo executivo em menos de um ano. Hassabis afirmou em maio de 2026 que adota uma linguagem direta sobre esses prazos com o objetivo de criar maior senso de urgência entre governos, economistas e a sociedade civil sobre as transformações que a tecnologia trará. O pesquisador compara a chegada da AGI a um impacto equivalente a 10 vezes a Revolução Industrial, ocorrendo a 10 vezes a velocidade daquele período histórico.
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Abaixo, a evolução cronológica das estimativas apresentadas por Demis Hassabis em eventos internacionais:
- Dezembro de 2025 e janeiro de 2026 (Fórum Econômico Mundial, em Davos): prazo estimado de 5 a 10 anos para o surgimento da AGI.
- Fevereiro de 2026 (India AI Impact Summit, em Nova Délhi): projeção reduzida para até 5 anos.
- Início de 2026: intervalo ajustado para a faixa de 3 a 5 anos.
- Maio de 2026 (evento Google I/O): declaração de que a tecnologia estava a “apenas alguns anos de distância”.
- Outubro de 2026: nova redução do cronograma para o intervalo de 2 a 3 anos.
Aplicações da AGI na ciência e propostas de segurança
A expectativa do cientista-chefe da Alphabet é que a futura AGI atue como uma parceira de pesquisadores humanos na formulação de hipóteses científicas complexas. A própria divisão de inteligência artificial da empresa já registrou resultados práticos nessa área antes mesmo da chegada da AGI, utilizando sistemas avançados para resolver problemas biológicos.
As frentes de atuação científica e de governança defendidas por Demis Hassabis envolvem áreas específicas de pesquisa e controle:
- AlphaFold: sistema desenvolvido pelo Google DeepMind capaz de prever estruturas de proteínas, trabalho que rendeu a Hassabis uma parte do Prêmio Nobel de Química de 2024.
- Isomorphic Labs: empresa pertencente ao grupo Alphabet e liderada por Hassabis, dedicada a aplicar ferramentas de inteligência artificial na descoberta e no desenvolvimento de novos medicamentos para doenças ainda sem cura.
- Física teórica: uso projetado para que sistemas futuros ajudem cientistas a elaborar novas teorias fundamentais da física.
- Conselho de supervisão: criação proposta pelo executivo de uma entidade reguladora de alcance internacional, com participação e controle governamental liderado pelos Estados Unidos, para auditar e avaliar modelos avançados de inteligência artificial antes que sejam liberados ao público.
Para Demis Hassabis, o objetivo central da corrida tecnológica não deve se limitar a ser a primeira empresa a construir a inteligência artificial geral. O executivo defende que a prioridade do setor precisa ser a introdução segura desses sistemas no mercado, garantindo mecanismos de fiscalização prévia e a distribuição ampla dos benefícios científicos e econômicos gerados pela tecnologia.
