As pinturas rupestres mais antigas do mundo, localizadas em cavernas de calcário na ilha de Sulawesi, na Indonésia, correm risco de deterioração acelerada por causa de incêndios florestais. Pesquisadores e bombeiros alertaram nesta sexta-feira (23) que o calor e a fumaça ameaçam registros pré-históricos com mais de 67 mil anos de idade.
De acordo com o arqueólogo Basran Burhan, da Universidade Griffith, da Austrália, a proximidade das queimadas compromete a preservação do sítio arqueológico na região de Maros-Pangkep. “Se não fizermos algo rapidamente, se não houver nenhuma medida tática para mitigar este incidente, perderemos uma das mais extraordinárias evidências da história humana em Maros-Pangkep. E isso seria uma grande lástima”, declarou o pesquisador.
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Como o calor e a fumaça afetam as pinturas rupestres de Sulawesi?
A degradação da arte pré-histórica ocorre mesmo sem o contato direto das labaredas com a rocha. Segundo Basran Burhan, a elevação da temperatura no ambiente das cavernas de calcário acelera a destruição química das paredes onde os desenhos foram feitos há dezenas de milhares de anos.
“O primeiro e mais destrutivo efeito é o calor. Mesmo sem o fogo atingir diretamente as pinturas, ele pode destruí-las, porque altera a temperatura ao redor delas e acelera o processo de corrosão”, afirmou o arqueólogo da instituição australiana.
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Além da variação térmica, a queima da vegetação libera partículas que invadem as cavidades naturais. “A fuligem se deposita sobre as pinturas e as encobre, deixando-as borradas e difíceis de identificar”, disse Burhan.
Dados dos incêndios e das cavernas em Maros-Pangkep
As cavernas da província de Sulawesi do Sul ficam dentro de uma área de paisagem cárstica, que é um terreno formado pela dissolução de rochas como o calcário. O local é cercado por um parque nacional e integra um Geoparque Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Os dados apurados no local mostram a dimensão do problema e o valor das peças em risco:
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- Idade do estêncil de mão avermelhado na ilha de Muna, ao largo de Sulawesi: pelo menos 67.800 anos;
- Idade da pintura de figuras semelhantes a humanos interagindo com um porco em Maros-Pangkep, datada pela Universidade Griffith: pelo menos 51.200 anos;
- Distância mínima das chamas até a caverna no início de outubro de 2026: 800 metros (2.625 pés);
- Área mínima do parque nacional destruída pelo fogo entre 30 de setembro e 18 de outubro de 2026: mais de 270 hectares (667 acres).
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Incêndios de 2026 na Indonésia são os piores desde 2015
A atual temporada de incêndios florestais e rurais enfrentada pela Indonésia em 2026 é a mais severa registrada no país asiático desde o ano de 2015. O avanço do fogo é agravado por um forte fenômeno climático El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico, que eleva as temperaturas e reduz o volume de chuvas na região, deixando florestas e turfeiras solos úmidos ricos em matéria orgânica vegetal vulneráveis às queimadas.
Embora as ilhas indonésias de Sumatra e Bornéu concentrem as áreas mais atingidas pelo desastre ambiental, os focos de calor se alastraram pelo território de Sulawesi.
O bombeiro local Muhammad Ikfar informou que as chamas queimaram por mais de uma semana perto do sítio arqueológico de Maros-Pangkep no começo de outubro de 2026. Na quinta-feira (22) e em 23 de outubro de 2026, as equipes de combate a incêndios seguiam trabalhando para extinguir focos em outras partes do parque nacional, sob condições climáticas secas e sem registro de chuva.
