André Janones lidera estratégia no WhatsApp com mais de 10 milhões de seguidores na vitória de Lula em 2026

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Deputado federal André Janones (Rede-MG) e presidente Lula em live na quinta-feira em Brasília - Ricardo Stuckert Foto: Deputado federal André Janones (Rede-MG) e presidente Lula em live na quinta-feira em Brasília - Ricardo Stuckert

A virada histórica que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o quarto mandato neste domingo (25) teve na campanha digital liderada pelo deputado federal reeleito André Janones (Rede-MG) uma de suas frentes principais. O parlamentar criou e comandou o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, que ultrapassou a marca de 10 milhões de seguidores para disputar espaço nas redes contra o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado no segundo turno.

Com 51,78% dos votos válidos, Lula reverteu de forma inédita na história das eleições presidenciais brasileiras a desvantagem registrada no primeiro turno, quando havia obtido 43,33% contra 48,24% do candidato do PL. No discurso da vitória neste domingo, o presidente agradeceu nominalmente ao deputado mineiro: “Eu quero agradecer o companheiro aqui, o Janones, o nosso general, que teve um papel exponencial nessa campanha para levantar diariamente, de manhã, de tarde e de noite, a moral da nossa tropa. (…) E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande do meu governo. Eu, inclusive, já ganhei um celular”, declarou Lula.

Como funcionou a mobilização de André Janones no WhatsApp

Adotando o título de “general” na condução do grupo, André Janones estruturou o canal no WhatsApp para concentrar as orientações diárias à militância petista, tratando os inscritos como “soldados” na disputa virtual contra o bolsonarismo. As tarefas distribuídas pelo parlamentar envolviam o compartilhamento coordenado de vídeos, a criação de memes, a subida de hashtags contrárias a Flávio Bolsonaro no X, a realização de buscas direcionadas por termos favoráveis a Lula no Google e a adesão a tendências digitais, como a publicação de fotos de eleitores com a bandeira do Brasil fazendo o gesto do “L”, além de convocações para atos de rua e panelaços.

Após a confirmação do resultado das urnas neste domingo, Janones se manifestou nas redes sociais sobre o desfecho da disputa presidencial. “Onde tá sendo formada a fila para os que duvidaram de mim pedirem desculpas? Eu falei, porra! EU SEI LER OS SINAIS QUE AS REDES EMITEM!”, escreveu o deputado federal, que renovou seu mandato na Câmara por Minas Gerais neste pleito com 78.780 votos.

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Cronologia do canal Exército do Lula e decisão do TSE

O crescimento da ferramenta de mensagens e a atuação de Janones no segundo turno provocaram reações jurídicas da campanha adversária e episódios médicos ao longo de outubro de 2026. Depois de acompanhar Lula em agendas em Minas Gerais e no primeiro debate do segundo turno na TV Bandeirantes, o deputado sofreu uma arritmia cardíaca e precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star, na zona sul de São Paulo.

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  • 6 de outubro de 2026: o canal “Exército do Lula” salta de 50 mil para quase 1 milhão de seguidores no início da campanha do segundo turno.
  • 11 de outubro de 2026: o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determina a suspensão temporária do canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro; a página foi restabelecida posteriormente.
  • 23 de outubro de 2026, às 17h45: a ferramenta atinge a marca de 10 milhões de seguidores no WhatsApp.
  • 24 de outubro de 2026, à 0h: Janones inicia uma transmissão ao vivo de 24 horas de duração na véspera da votação, com participação de Lula e de artistas.

Mutirão contra a abstenção de eleitores no segundo turno de 2026

Na transmissão de 24 horas realizada entre a meia-noite de sábado (24) e a meia-noite deste domingo (25), o foco das orientações aos mais de 10 milhões de inscritos foi a redução do número de eleitores ausentes nas urnas. Janones convocou o que chamou de “última missão” para que os apoiadores do presidente afastassem a abstenção eleitoral, orientando os participantes a oferecerem caronas no dia da votação e a convencerem familiares a comparecer às seções eleitorais.

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“Meu muito obrigado a todos vocês por todas essas três semanas aí com o Exército do Lula. A gente fez história várias vezes, mas de nada vai adiantar se a gente não fizer história agora votando 13 nesse domingo”, afirmou o parlamentar durante a mobilização. Ao fim da apuração neste domingo, a taxa de abstenção eleitoral no segundo turno fechou em 19,22%, índice inferior aos 21,08% registrados no primeiro turno da disputa presidencial.

Trajetória de André Janones da greve de 2018 à Câmara dos Deputados

Natural de Ituiutaba (MG), André Janones trabalhou como cobrador de ônibus enquanto cursava Direito como bolsista e ganhou notoriedade no município por atuar gratuitamente como advogado para pacientes que buscavam atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), o que o levou a disputar a prefeitura local em 2016. A projeção nacional ocorreu em maio de 2018, quando, mesmo sem pertencer à categoria, passou a transmitir vídeos ao vivo sobre a greve dos caminhoneiros, visibilidade que resultou em sua primeira eleição para deputado federal naquele ano com quase 179 mil votos.

Em 2020, durante a pandemia de Covid-19 no governo de Jair Bolsonaro (PL), o deputado voltou a registrar alto engajamento nas redes sociais em campanha pela manutenção do auxílio emergencial no valor de R$ 600. Dois anos depois, em 2022, lançou pré-candidatura à Presidência pelo Avante, mas retirou o nome para integrar a coordenação digital da campanha de Lula, atuando para rebater boatos no meio evangélico sobre fechamento de templos, tentando conter efeitos eleitorais do Auxílio Brasil e protagonizando uma discussão com o deputado federal Ricardo Salles (Novo-SP) no debate da Band.

Sem ocupar cargos na Esplanada dos Ministérios durante o terceiro mandato de Lula, Janones manteve-se na base governista na Câmara dos Deputados, onde enfrentou processos disciplinares nos últimos dois anos. Em 2024, o Conselho de Ética da Câmara arquivou um pedido de cassação contra ele por suspeita da prática de “rachadinha” em seu gabinete; já em 2025, o mesmo colegiado suspendeu o mandato do parlamentar por três meses após ele chamar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de “Nikole” e “chupetinha” em discurso na tribuna.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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