A ginasta da seleção brasileira Flávia Saraiva conquistou a medalha de bronze na final da trave do Mundial de Ginástica Artística neste domingo (25), em Roterdã, na Holanda. A atleta somou 14.300 pontos na decisão e garantiu a primeira medalha de sua carreira neste aparelho em campeonatos mundiais, encerrando a participação do Brasil no torneio com dois pódios no total.
Para alcançar o terceiro lugar sob os olhares da ginasta norte-americana Simone Biles, que acompanhava a competição no ginásio, a brasileira obteve 6.100 na nota de dificuldade e 8.200 na execução. “Pensei em ir para o tudo ou nada. As notas estavam muito altas, então aumentei minha dificuldade”, afirmou Flávia Saraiva após a disputa. Na fase classificatória do aparelho, a representante do Brasil já havia avançado na terceira posição, ocasião em que registrou 14.400 pontos, sendo 6.100 de dificuldade e 8.300 de execução.
Desempate pelo ouro na trave e classificação final em Roterdã
O título mundial da trave em 25 de outubro de 2026 foi definido nos critérios de desempate, depois que a argelina Kaylia Nemour e a chinesa Zhang Qingying terminaram a decisão com a mesma pontuação total. Ambas registraram 14.566 pontos, mas Nemour ficou com a medalha de ouro por ter alcançado uma nota de execução superior à da adversária asiática, que levou a prata. Na composição das séries, a ginasta da Argélia apresentou dificuldade de 6.3, contra 6.5 da representante da China. O resultado inverteu o pódio registrado no Mundial de 2025, quando Zhang conquistou o ouro e Nemour ficou com a prata, além de marcar a recuperação da argelina, que havia avançado à final na oitava colocação após falhas na qualificatória. Abaixo das duas primeiras colocadas e da medalhista brasileira, outras cinco atletas completaram a decisão do aparelho:
- 4º lugar: Elena Colas (França) – 14.100 pontos
- 5º lugar: Manila Esposito (Itália) – 14.066 pontos
- Empatadas na sequência: Skye Blakely (Estados Unidos) e Qiu Qiyuan (China, que havia se classificado em segundo lugar com 14.966) – 13.633 pontos
- 8º lugar: Mana Okamura (Japão) – 12.666 pontos
Primeira medalha de Flávia Saraiva na trave em Mundiais
A conquista em Roterdã representa o melhor desempenho de Flávia Saraiva especificamente na prova da trave em edições do Campeonato Mundial, superando o quarto lugar obtido em 2025, em Jacarta, na Indonésia. A ginasta, que disputou sua terceira final mundial no aparelho, soma agora três medalhas na história da competição, já que havia ganhado a prata por equipes e o bronze no solo no Mundial da Antuérpia, em 2023. Em Jogos Olímpicos, ela também acumula duas finais de trave, incluindo sua estreia na edição do Rio 2016, além do bronze por equipes conquistado em Paris 2024.
“É mais especial ainda porque nunca tinha ganho uma medalha na trave. São dez anos tentando, sempre batendo na trave. Fiquei em quarto, sexto, ou nem pegava final. Estar na decisão e fazer uma das melhores séries da competição, estando tranquila, me deixa muito feliz. É um resultado muito importante pra Flavinha pequenininha de 2016, que fez a primeira final na Olimpíada. Tinha que ser hoje, eu sentia isso no coração. Pensei em fazer o meu e sabia que o resultado viria”, declarou a medalhista.
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A atleta brasileira relatou ainda a mudança em seu estado emocional entre a véspera e o dia da decisão na Holanda. “Ontem estava ansiosa, com dor de barriga, e hoje acordei tranquila. Queria ligar pra Jade (Barbosa), porque ela disse que estava sentido. Mas ela só gosta de falar depois. Ela é muito sensitiva (risos)”, disse Flávia Saraiva.
Histórico do Brasil no aparelho e balanço da seleção em 2026
O pódio alcançado neste domingo (25) deu ao Brasil a segunda medalha de sua história na prova de trave em Mundiais de Ginástica Artística. O primeiro resultado entre as três melhores do mundo no aparelho havia sido registrado por Rebeca Andrade, que também conquistou a medalha de bronze na edição da Antuérpia, em 2023.
Além da disputa na trave, a programação de Flávia Saraiva e da equipe brasileira no Mundial de Roterdã 2026 teve outros resultados ao longo da semana. No sábado (24), Rebeca Andrade sagrou-se tricampeã mundial ao vencer a final do salto, garantindo o ouro que, somado ao bronze de Flávia, fechou a campanha do país com duas medalhas. Na quarta-feira (21), a seleção feminina havia terminado na quinta colocação na final por equipes, prova que teve China, Estados Unidos e Japão no pódio. Flávia Saraiva competiu ainda na decisão do individual geral, na qual sofreu uma queda na trave, recebeu nota de 13.233 no aparelho e encerrou a disputa na 12ª posição.
Com o encerramento da competição na Holanda, o próximo objetivo do calendário da seleção brasileira de ginástica artística será a busca pela classificação por equipes para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028, vaga que estará em disputa no Campeonato Mundial de 2027.
