Moradores de sete municípios brasileiros vão às urnas em eleições suplementares neste domingo (25) para escolher novos prefeitos e vice-prefeitos, de forma simultânea ao segundo turno das Eleições Gerais. Os pleitos municipais foram convocados pela Justiça Eleitoral após a perda de mandato ou o bloqueio de chapas vitoriosas em 2024, e os gestores escolhidos cumprirão mandato até 31 de dezembro de 2028.
As novas disputas ocorrem porque os tribunais eleitorais identificaram irregularidades que anularam os resultados anteriores, como compra de votos, gastos ilícitos de campanha, abuso de poder político e econômico ou indeferimento de registro de candidatura. O secretário judiciário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bruney Brum, explicou os motivos das convocações. “São alguns municípios do país, é uma situação excepcional, mas elas decorrem da cassação de prefeitos nessas cidades. Cassação esta que normalmente se dá porque esses prefeitos cometeram algum tipo de abuso nas eleições passadas e vieram a ter o mandato cassado e agora é necessário uma nova eleição para compor esse cargo que está vago lá no município”, afirmou.
Cassações em São Paulo motivam eleições suplementares em três municípios
No estado de São Paulo, as eleições suplementares abrangem três cidades do interior: Martinópolis, Narandiba e Macedônia. Em Martinópolis, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) cassou os mandatos do prefeito Valdeci Soares dos Santos Filho (Republicanos) e do vice-prefeito Marcos Rogério Matarazo (Podemos), eleitos em 2024. Segundo o tribunal, a perda dos cargos decorreu de abuso de poder político e econômico, configurado quando a administração municipal enviou um projeto de lei de reestruturação de cargos sem cumprir os requisitos previstos na legislação.
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Já em Narandiba, a Justiça Eleitoral determinou a saída do prefeito Danillo Carvalho dos Santos (Republicanos) e da vice-prefeita Joana Rita Ribas Branco (MDB) por abuso de poder econômico. A ação judicial que resultou na cassação foi apresentada pela coligação Narandiba Para Todos, formada pelos partidos PDT, PRD e PSB, e por Luiz Carlos Porto Martins (PSB), que apontaram a captação ilícita de votos realizada por meio de transferências via Pix e da entrega de doações de materiais de construção aos eleitores durante o período eleitoral.
Decisões do TSE e de tribunais regionais anularam votos em quatro estados
Fora do território paulista, as eleições suplementares ocorrem em municípios do Rio de Janeiro, Tocantins, Rio Grande do Sul e Paraná. Em Itaguaí (RJ), o TSE barrou o registro de candidatura de Rubem Vieira de Souza (Podemos), conhecido como Dr. Rubão. O tribunal entendeu que a vitória nas urnas em 2024 configuraria um terceiro mandato consecutivo no Executivo municipal, uma vez que o político havia assumido a prefeitura de maneira interina em 2020 antes de vencer o pleito daquele mesmo ano.
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No município de Goiatins (TO), a votação de 2024, que havia sido decidida por uma diferença de 16 votos, foi anulada depois que o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) cassou por unanimidade os diplomas do prefeito Manoel Natalino Pereira Soares (Republicanos) e do vice José Américo Aquino Sousa Filho (PDT), o Zé Américo Filho, por abuso de poder político e compra de votos. O TSE negou seguimento ao recurso da chapa em 15 de outubro de 2026 e manteve a decisão; desde então, a presidente da Câmara Municipal de Goiatins, Lilian Maria Rodrigues Ribeiro (Republicanos), exerce o cargo de prefeita interina.
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No Sul do país, a perda de mandato que levou à convocação de novo pleito em Arroio do Sal (RS) teve como base a comprovação de captação e gastos ilícitos de recursos durante a campanha eleitoral. Os eleitores de Santana do Itararé (PR) também retornam às seções eleitorais para definir o novo chefe do Executivo municipal. O cientista político Leandro Gabiati avaliou o funcionamento do mecanismo previsto na legislação. “Uma eleição suplementar basicamente é uma eleição que ocorre fora do cronograma normal. Ela tem o objetivo de dar solução a alguma eleição que teve problemas anteriormente. O objetivo nesse caso é que os municípios tenham autoridades legitimamente eleitas pela população”, declarou.
Horários, ordem de votação e colégios eleitorais nas eleições suplementares
Em seis das sete cidades com eleições suplementares, a urna eletrônica exibe primeiro a tela de votação para presidente da República e, na sequência, a escolha para prefeito; a exceção é Goiatins, onde os eleitores também votam no segundo turno para governador do Tocantins. Os dados sobre candidaturas, bens declarados, doações e prestações de contas estão registrados no sistema DivulgaCandContas, enquanto a apuração dos votos é disponibilizada pelo site ou pelo aplicativo Resultados, ambos da Justiça Eleitoral. As informações operacionais e a estrutura das seções nos municípios com dados detalhados seguem a distribuição oficial:
- Horário de funcionamento das urnas: das 8h às 17h (horário de Brasília) em todos os municípios envolvidos.
- Martinópolis (SP): 18.082 eleitores aptos, distribuídos em 13 locais de votação e 61 seções eleitorais.
- Narandiba (SP): 4.462 eleitores aptos, alocados em 3 locais de votação e 13 seções eleitorais.
- Macedônia (SP): 4.118 eleitores aptos, concentrados em 1 local de votação e 11 seções eleitorais.
- Demais cidades com pleito suplementar para prefeito: Arroio do Sal (RS), Santana do Itararé (PR), Itaguaí (RJ) e Goiatins (TO).
Plebiscitos em seis cidades e calendário do TSE para dezembro de 2026
De forma paralela às disputas para as prefeituras, moradores de seis cidades brasileiras participam de plebiscitos neste domingo (25) para decidir sobre alterações nos limites territoriais de seus municípios. Duas dessas consultas públicas ocorrem no Paraná, onde a população de Chopinzinho e de São João vota para definir se a Comunidade do Alto Mirim, que pertence ao território de Chopinzinho, deve ser transferida para a administração de São João.
Após os pleitos de outubro, o calendário do TSE prevê uma nova rodada de eleições suplementares para o dia 6 de dezembro de 2026 em outros seis municípios do país: Grupiara, Buritis, Francisco Sá e Santo Antônio do Rio Abaixo, em Minas Gerais; São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte; e Nova Olinda do Maranhão, no Maranhão.
